PALAVRAS DE SEDA

Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras. Palavras são como folhas de plátano soltas ao vento... em direção aos novos horizontes, voando irreverentes sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem... sempre a favor do vento.
Assim é o ato da escrita, deixar fluir palavras que, voando devagar, ao caírem, adubarão terras distantes.

















































































































sábado, 10 de abril de 2010

Oração fruto da vivência de uma nobre mulher


Humildade



Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.



Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.



Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.



Cora Coralina

Hoje é dia 10 de abril, aniversário da morte da Mulher Guerreira: Cora Coralina. Em seus poemas  há verdades inteiras que até hoje enchem de contentamento a alma de quem os lêem.
Que sejamos humildes na totalidade da palavra, no gesto, na expressão visual, no silêncio, aceitando a vida como ela é. A felicidade consiste na aceitação de si próprio e do outro com seus erros e defeitos, na aceitação do que tem, sem ficar só olhando o que não tem, na certeza de que as coisas mais simples são pontos de sabedoria para nosso crescimento espiritual.
A felicidade não é um lugar para se buscar e sim... um lugar para se morar. Quem a busca ao longe nunca a encontra no lugar onde está.
Beijos a todos, façam uma humilde oração pela alma de Cora Coralina.
 
Rita Elisa Seda

2 comentários:

ricardoruizeusou disse...

É de arrepiar!!! Quem dera o ser humano pensasse igual e agradecesse todas as noites, por todas as manhãs que ele "ganha de presente"!!! (o pleonasmo foi proposital...)

Chris Amag disse...

Olá, Rita!

Recebi um e-mail da Miriam, da Sala de Leitura de SJCampos e cá estou eu lendo os escritos de Cora Coralina, que aprecio muito!

Obrigada pelo presente.

Quando der, visite o meu blog de poemas de minha autoria.

Um beijo de
Chris Amag