PALAVRAS DE SEDA

Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras. Palavras são como folhas de plátano soltas ao vento... em direção aos novos horizontes, voando irreverentes sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem... sempre a favor do vento.
Assim é o ato da escrita, deixar fluir palavras que, voando devagar, ao caírem, adubarão terras distantes.

















































































































quarta-feira, 8 de setembro de 2010

DO ARCO-DA-VELHA!


Eu vou colocar aqui alguns usos e costumes que são ‘do arco da velha’, do ‘tempo da carochinha’ ou até mesmo da época do ‘guaraná com rolha’. Falando sério e, espero que não me chamem de ‘velhinha’ eu só vou postar no blog os que conheci, os quais usei ou apenas vi. Passar da meia idade (hehehhe!... 50 anos) é fator de sobra para uma retrospectiva. E, a minha, está me deixando saudosa das coisas que me acalentaram a infância e adolescência. Espero que gostem. Podem enviar suas lembranças que colocarei aqui, junto com as minhas. Tentarei explicar minhas experiências ‘mágicas’ com tudo isso.
Em primeiro lugar devo explicar o que quer dizer ‘do arco da velha’. Segundo Sérgio Rodrigues, colunista da revista Veja, em publicação de fevereiro de 2010, a expressão ‘Arco-da-velha’ tem em sua etimologia a seguinte explicação: Acontece que ‘arco’ tem muitos sentidos e um deles é ‘baú, arca’, o que pode trazer a expressão para um campo semântico bem diferente. Uma história do arco-da-velha seria, assim, apenas tirada ‘do baú da anciã’, quem sabe ‘da bruxa’. A palavra ‘carochinha’, também usada nesse papel, veio de ‘carocha’, regionalismo português que quer dizer ‘mulher velha, feiticeira’.
Vamos lá:
Sou do tempo em que o guaraná era com rolha... isso mesmo, além do refrigerante ser lacrado com uma rolha, ainda tínhamos que devolver o casco, só assim poderíamos comprar outro refrigerante. Os mais afortunados tinham engradados de madeira em casa onde colocavam as garrafas vazias que ao ficar lotado era levado ao bar da esquina para uma nova safra de refrigerantes. Aliás, se me lembro bem... era a tal da Tubaína!... a garrafa sempre na cor marrom ou verde, o lacre feito artesanalmente, colado manualmente, esfarelava na mão depois de muito molhado. Era tudo de bom!




 Sou do tempo em que o leite era buscado na cooperativa... isso mesmo, eu levava um latãozinho com alça, atravessava a cidade, de manhã, ficava na enorme fila, enchiam meu vasilhame até a boca, eu vinha devagar, às vezes parava para descansar, a volta demorava o dobro de tempo. Era experta em rodar o latãozinho pela alça e não deixar transbordar uma gota de leite. Isso era maravilhoso, já estava craque nisso... até um dia que o latão abriu e levei um banho de leite. NUNCA MAIS.
Sou do tempo em que shampoo era em sachê... isso mesmo, pequenos sachês vendidos nos mercadinhos e empórios. Tinha de lanolina, ovo, babosa e camomila. O saquinho pequenininho tinha que durar a semana toda. Quer mais?!... toda família usava o mesmo sachê. Aquilo sim, era economia. Meu cabelo era lindo, comprido até a cintura, bem cuidado... com pouco champoo. O chato era que na pressa de abrir o sache eu usava os dentes e sempre ENGOLIA um pouco de champoo.

Sou do tempo de arear as panelas....isso mesmo, junto com o sabão de cinza, ou o de pedra (Rio), juntava um pouco de areia e com um pano velho, limpo e escuro, passava aquela mistura em toda panela que ficava BRILHANDO. Isso porque todas as panelas ficavam em um varal em cima da pia, visíveis para todos.
Sou do tempo de quarar as roupas... isso mesmo, deixava de molho no tanque, geralmente feito de tijolos e cimentado de todos os lados, ensaboava com sabão caseiro feito de coco, torcia um pouco, sem enxaguar, depois passava as roupas para uma grande bacia de folha, levava até o quarador (um elevado de bambu, com taquaras trançadas) e esticava as roupas em cima. Aproveitando a hora de sol mais forte, deixava até o fim da tarde, regando a roupa, de vez em quando, para que não ficasse esturricada. Isso porque as camisas, lençóis, toalhas, panos de cozinha e limpeza eram sempre brancos, tinham de continuar BRANQUINHOS, sem água sanitária e com muito anil.



Sou do tempo do fogão à lenha... isso mesmo, combustível era lenha, panela era de ferro, poucas de alumínio: caçarola, frigideira, bule, chaleira e panelas com alça dos dois lados. O fogão era enorme, sim, para meus olhos de menina, aquele fogão tinha a dimensão de um palácio, quentinho e aconchegante.


Fotografia: fogão à lenha de Ana Maria Di Peres.

Sou do tempo que o uniforme escolar era saia, isso mesmo... saia de pregas, à altura do joelho. Com camisa de cambraia branca com o monograma do colégio ‘Sinhá Moreira’ no bolso. Sapato Verlon preto e meia ¾ branca. Tudo muito distinto e CHIC no último. Algumas colegas dobravam o cós da saia, davam duas ou três voltas para dentro, para encurtar a saia, isso quando chegavam na escola, voltavam para casa com a saia no tamanho certinho. Coisas da época.




Sou do tempo em que roupas eram feitas pelas costureiras, isso mesmo... não compravam-se roupas em lojas, eram feitas por costureiras e alfaiates. Comprávamos as fazendas e tínhamos revistas de moda onde escolhíamos a roupa que estava sendo usada pelas pessoas elegantes do país. Roupas feitas sob medidas, aliás, as costureiras tinham um caderninho onde anotavam as medidas de todas as freguesas e sempre comentavam quando engordávamos, emagrecíamos ou crescíamos. Na época mais afortunada, perto da festa da padroeira da cidade ‘Santa Rita de Cássia’, em maio, um mês antes, a costureira ia para a casa de meus pais e ficava dois dias costurando para a família. Era bom demais. A festa era um verdadeiro desfile de moda.



Sou do tempo que o ‘flerte’ (acho que alguns nem sabem o que é isso – então... vou dizer: a paquera – vixi... antigo também?!, então deixa pra lá) era depois da Santa Missa de Domingo, passeando com as amigas, de braço dado, dando voltas pela praça, ou em frente ao coreto que, geralmente, tinha uma bandinha tocando, ou sentada em frente à fonte luminosa, que só tocava músicas de Roberto Carlos (era o único disco que tinha na casinha embaixo da fonte, onde um aparelho toca disco roncava a noite toda).

Fotografia: Coreto da cidade de Santa Rita do Sapucaí.

Sou do tempo em que os discos eram de vinil... isso mesmo, não existia e, creio que nem imaginávamos, esse tal de CD. Lá em casa tinha uma vitrola, daquelas prafrentex, podiam ser ligada na eletricidade e, modernamente, podiam ser usadas com seis pilhas grandes, daquelas enormes, caras, que em um instante descarregavam e, numa atitude nada genial, colocávamos as pilhas no congelador para serem recarregadas (hehehehe! Não me lembro quem nos passou essa idéia, mas nunca conseguimos que as pilhas funcionassem novamente, ao contrário, danificavam os aparelhos).


Sou do tempo da televisão preto e branco... isso mesmo, só existia a TV PB. Foi o começo da televisão no Brasil. Fase linda. Sabíamos que nos EUA e alguns lares milionários brasileiros havia a TV colorida. Lembro-me que meu pai deu um jeito. Comprou, de mascates que passavam vendendo de porta em porta, uma tela de plástico com uma tanto de borrões coloridos, de todas as cores, e a fixou na frente da TV. Foi uma festa. Vimos o Repórter Esso onde o jornalista ficou com o cabelo de uma cor, o rosto de duas cores, o terno com três cores, em volta, todas as cores. LINDO durante uma semana, duas semanas, um mês, depois já não agüentávamos mais tanta gente colorida. A tela foi para o lixo. Também começamos a usar a tal de TV que já vinha com antena, o que não era lá grande coisa, mas (como todo bom brasileiro) dávamos um jeitinho para que a TV pegasse os canais (apenas dois) sem os tais fantasmas (visão dupla ou chuvissco), era só colocar um Bombril na antena. COISA fora de moda hoje em dia... mas, já vi TV tela plana de LCD de 46' onde está acoplada em sua antena um belo pedaço de Bombril na ponta... ah! isso eu vi!






Sou do tempo que a conta da padaria era anotada em caderneta, isso mesmo... nem precisávamos levar dinheiro. Aliás, esse era um jeito de criança não andar com dinheiro. Tudo era na caderneta: o açougue, o mercadinho da esquina, a cooperativa, a loja de aviamentos, a farmácia e muito mais. O triste era o dia de pagamento, sair pagando tudo, sei que ia quase o salário todo de meus pais. Minha cota na caderneta era a compra daqueles cigarros de chocolate da PAN, de um lado o menino moreno e do outro o menino branco. Ia para a escola com uma caixinha que tinha de durar um mês. Meus amigos também levavam e fingiam que fumavam. Eu comia o chocolate... não fingia fumar pois nunca achei bonito a pose de quem fuma.


Sou do tempo em que não havia essas cadeirinhas para criança almoçar, isso mesmo... sentava em cima de uma velha lata. Me equilibrava nela para almoçar. Sempre fui a menor lá de casa (ainda sou...) com isso a lata era privilégio meu. Aliás, latas sempre eram reutilizadas, latas de bolachas Maria passavam a ser latas de costura, latas de Chocolate depois de esvaziadas ( o que acontecia rapidinho...) tornavam-se latas de escritório, com lápis, canetas, borrachas e tinteiros; latas de biscoito Jacareí tornavam-se guarda tudo, de sachês às moedas!


Sou do tempo em que travesseiro era feito em casa, isso mesmo... comprava-se o pano e fazia-se o travesseiro. O enchimento ficava por conta das penas de galinha (as do peito por serem mais macias) ou de ganso (quando conseguíamos essas – difíceis), as quais depois de um ano e tanto de uso começavam a vazar pelo tecido e machucar o meu rosto por estarem como agulhas, fechadas. Por isso antes de dormir batia bem o travesseiro e tirava as que podiam me espetar. Mas o enchimento que eu mais gostava era o de paina, ainda mais que durante minhas insônias, contava os caroçinhos de paina (as sementes) e logo adormecia. Era como contar carneirinhos!


Sou do tempo em que não existia colchão de espuma, isso mesmo... colchão era de molas. As quais, quando quebravam a solda, era como um prego na costela, doía a noite toda. O melhor colchão, mais quentinho, era o de palha de milho. Só uma coisa era ruim, o BARULHO que fazia quando eu virava na cama, eu chegava a acordar.


Sou do tempo em havia muitas pulgas e carrapatos na época da SECA... isso mesmo, essas pragas vêm de muitos anos. Para manter a cama livre de pulgas e carrapatos, pulverizávamos embaixo do colchão com uma latinha de Baygon que vinha com um lugar apropriado para furar, depois era só apertar a lata e o pó branco e fedido era atirado longe, geralmente nos cantos da cama.


Sou do tempo em que o cobertor era Parahyba, isso mesmo... era quentinho. Lembro-me do reclame na TV onde aparecia um monstro (para mim ele era horroroso, hoje não deve fazer medo na criançada), batendo na porta de uma casa, a mãe perguntava: ‘Quem bate?’, o monstro respondia: ‘É o frioooooooo!’ - a mãe CANTAVA: ‘Não adianta bater, que eu não deixo você entrar as casas Pernambucanas é que vão aquecer o meu lar, vou comprar flanelas, lãs e cobertores eu vou comprar, nas Casas Pernambucanas e nem vou sentir... o inverno passar!’. Pois eram nas Casas Pernambucanas (em outras cidades, pois na nossa não tinha), que meus pais compravam os cobertores Parahyba.


Sou do tempo em que CHIC era usar caneta Bic, isso mesmo... essa caneta de plástico transparente, que solta a tinta aos poucos, não borra e é econômica, um LUXO só, ainda mais para a época em que as canetas tinteiros era a maioria. Era um dos itens de meu material escolar. E sabe o que mais?... usava-a até acabar a tinta. Sem desperdício.




Sou do tempo do patuá... isso você não sabe?! pois, na época da seca, agosto e setembro, quando havia muita contaminação no ar, tosses, espirros, isso para um simples resfriado, mas também havia meningite, tuberculose e outras doenças transmitidas pelo ar, sem direito à vacina, então minha mãe fazia um patuá e eu ia à escola e à missa com ele amarrado ao pescoço. O patuá era um saquinho de paninho de algodão (geralmente de saco de estamparia que foi alvejado) e dentro dele havia uma pedra de cânfora. Assim, desinfetava o ar em meu entorno. Até hoje uso pedras de cânfora em pequenas cumbucas em minha sala, o cheiro é agradável, é cheiro de infância.



















Sou do tempo em que ficava o ano inteiro comprando envelopinhos, isso mesmo... para montar o álbum de figurinhas. Quando achava uma figurinha carimbada, então!... meu Deus! era a sensação. Sabia até mesmo ganhar figuras no BAFO. Espalhávamos as figuras repetidas (viradas para baixo) pelo chão, cada um tinha sua vez, podia soprar a mão, mas nunca cuspir nela. Eu, fazia minha mão em forma de concha, soprava quente nessa mão e batia direto na figura que eu queria, virando-a para cima, ganhava sempre. Coisas de menina... moleque! As carimbadas não vendia, não trocava (nem por dez que eu não tinha) e dormia com o álbum embaixo do travesseiro. Depois do álbum montado, trocava pelos prêmios das páginas – geralmente brinquedos de plástico. Eu fiz muitos álbuns... ah! se fiz!


Sou do tempo do sabão feito em casa, isso mesmo... sabão em barra! Tanto o de cinzas como o de banha e soda caustica. Os sabões de cinzas eram enrolados em palha de MILHO. Uma tradição que tem seus adeptos no Sul de Minas, ali no vale do Sapucaí, terra das Gerais, na barra da Serra da Mantiqueira, meu berço.


Sou do tempo em que a Maisena era um santo remédio, isso mesmo... usada para quase tudo! Além do tradicional MINGAU, com canela, outras vezes com chocolate; matéria prima para pudins, manjares e cremes. Mas, era substituta do talco, ótima para não dar assaduras, também usada como antitranspirante, um pouquinho embaixo do braço e adeus suor! Em caso de diarréia, uma colher desse pozinho mágico em um copo d’ água onde se espremia meio limão até prendia o intestino. Não havia desperdício.




Sou do tempo em que toda mãe que amamentava tomava cerveja, isso mesmo... mas era cerveja preta, tipo Malzbier, um copo por dia fazia com que a amamentação durasse muitos meses e até mesmo mais de ano. Eu fiz isso e, hoje, mesmo já com netos, tomo minha cerveja preta toda semana, apenas uma. Não sei se pela lembrança ou se é pela DOÇURA dessa cerveja, muito boa!


 Sou do tempo em que engraxava-se sapatos em casa, isso mesmo... com direito à caixa de engraxate e tudo mais: cera em lata, flanela e escova. Sapato bom era sapato velho, moldado ao pé. Sapatos engraxados com direito a brilho com flanela. Não existia sapatos de couro sintético (cá para nós, modo delicado de chamar o courvin), só os de couro animal mesmo. Lembro-me também quando apareceu o tal do CONGA, sapato de pano tipo lona, com solado de borracha, com direito a muito chulé!




Sou do tempo em que toda mulher tinha em sua PENTEADEIRA um vidro de Leite de Colônia, isso mesmo... para usar tinha de chacoalhar o frasco até que ficasse leitoso, pegava-se um algodão (outra inovação da época) e passava o líquido em todo o rosto. Se houvesse alguma espinha ardia um pouco no local, antiséptico, esse líquido além de refrescar a pele deixava um cheiro suave de flores.


 Sou do tempo do desfile, isso mesmo... desfile de Sete de Setembro era obrigatório e treinávamos durante um mês para não errar o passo. No dia comemorativo à Independência, acordava cêdo (primeiro porque a fanfarra - carinhosamente chamada de FURIOSA - tocava durante a madrugada pela cidade toda, mas havia alguns lugares em que fazia questão de parar e tocar em homenagem ao morador, e uma dessas paradas era em frente à casa de meus pais, homenagem aos mestres...), me arrumava (uniforme impecável), ia até a escola, ficava em fila, ia para a avenida onde marchava junto com meus colegas, todos em compasso com a Banda da Escola Sinhá Moreira. Eu amava tudo aquilo. Sinal de patriotismo que ainda hoje está em meu coração. Um dos fatores com o qual aprendi a amar meu querido Brasil.

Fotografia: Desfile de Sete de Setembro em Santa Rita do Sapucaí.

TEM MAIS... vou colocando aos poucos!

Aproveito os comentários da Silvinha e coloco aqui alguns itens que ela destacou que me valem uma boa lembrança:

Sou do tempo das brincadeiras de rua e de fundo de quintal, isso mesmo... bolinhas de gude! Tinha as minhas guardadas em um saquinho pequeno, poucas, quase todas bem marcadas, já sem brilho, lascadas de tanto colidirem com outras bolas. Nunca fui experta nesse jogo, o máximo que acontecia era ficar, pelo menos, com a quantidade mínima de bolinhas, já que ia perder tudo, parava de jogar. Não acertava a caçapa e nem sabia acertar o teco direito... porém, quando acontecia, voava lascas para todo lado. O quintal das casas antigamente era chamado de terreiro, bem varrido, nivelado, um lugar ótimo para esse jogo.























Outra brincadeira que a Silvinha lembrou é soltar pipa. É... lá no sul de Minas eu nem imaginava o que era pipa. Nós soltávamos PAPAGAIO! Tínhamos que fazer o grude – duas colheres de polvilho para um copo d’água colocados em uma latinha onde a tampa servia de alça, levar isso ao fogo feito no chão com dois tijolos (sempre no terreiro), mexer com um pedaço de taquara até virar um grude. Não podia deixar ‘empelotar’, esse era o segredo. O rico e desejado papel de seda era guardado enrolado para não amassar, caríssimo na época, tanto que se não conseguisse comprar o papel eu apelava para o papel de embrulhar pão, aqueles papel manteiga, de padaria, que por sinal eu também usei como papel de riscos de bordado e desenhos... mas isso é outra história, volto no papagaio. A vareta tinha de ser de taquara, geralmente eu tirava um bambu de alguma cerca velha pela redondeza e o guardava para essa finalidade. Cortava umas tiras e delas raspava as varetas com uma faca sem corte. A linha era especial, Corrente 10, um luxo que comprava por metro. Meu pai mandou fazer para nós (eu e meus irmãos) uma carretilha de madeira, até hoje procuro igual e fica só a saudade. Fazer o papagaio era uma nobre tarefa, cortar o papel sem tesoura era uma habilidade e tanto, dobrar, passar nos lábios, deixar secar um pouco e puxar a dobra da folha devagarzinho, até ficar no tamanho certo. Na hora de colar era o mais difícil, não podia ter gominhos, por isso passava-se o grude com os dedos, assim, se aparecesse um grãozinho que fosse apertava-se com o dedo até sumir. Por que?!... horas bolas, se tivesse um ponto a mais de cola de um lado o papagaio pendia para esse lado e não subia com graça e desenvoltura. Nós sempre íamos para um lugar alto soltar o brinquedo, sempre ali na Vista Alegre (que bem me fez a lembrança da Nídia Telles aqui no blog), perto do cemitério, lugar que sempre havia vento. A época certa era julho, mês de férias, emendávamos um pouco com agosto – aproveitando o vento.


                                              Fotografia: Silvinha Oliveira

Sou do tempo dos fortificantes feitas em casa, isso mesmo... BIOTÔNICO. Era o licor da criançada. Além daquele fortificante feito com um vidro de Biotônico, três ovos de pata, uma lata de leite condensado. As cascas dos ovos ficavam no fundo do vidro, assim o cálcio era absorvido pelo fortificante. Sabe de uma coisa, toda vez que tomo Amarula me lembro desse fortificante. Não sei se me deixava forte, mas que eu gostava, isso gostava. Tanto que fiz para meus filhos e, já estou com os ingredientes prontos para fortificar meus netos. Afinal tenho ótima saúde, e devo a isso a algum desses milagrosos compostos caseiros que minha mãe fazia. Gosto até mesmo da Emulsão de Scott, verdade! Era bem melhor que o chá de cebola.



Sou do tempo da sacola ecologicamente correta, isso mesmo... EMBORNAL. Era um saco de pano quadrado, com uma alça comprida e fina, eu o carregava atravessado no peito, caído do lado. Nele tudo cabia, meus livros, meu lápis preto com borracha, meu caderno de desenho, um raminho de flor seca e um estojo de madeira com lápis de cor. Ainda bem que hoje o embornal está na moda, eu mesma já tenho três. Por que três? Sempre o esqueço em casa e na hora de levar as compras adquiro outro. Não estou caduca, estou DISPLICENTE, palavra psicologicamente correta (hehehe!...).




Sou do tempo em que destacava-se bonecas... isso mesmo, bonecas de papel. Uma alegria sem fim ganhar uma cartela de boneca onde eu a destacava pelos picotes, coisa rara, e depois as roupas e acessórios. Brincava com elas com muito jeito para não rasgar as alças que garantiam uma boneca bem vestida. Quando fecho os olhos me lembro do cheiro do papel impresso, bom demais.




Sou do tempo do Be a Bá, isso mesmo... cartilha Caminho Suave. As letras desenhadas de uma forma tão lúdica que até hoje eu a visualizo pela lente da saudade. Bem... nem tanto. É que tenho uma dessas cartilhas em casa. Guardei-as até hoje?!... que nada... adquiri-a recentemente em um sebo em São Paulo. Estudar era mesmo um Caminho Suave.



A Malú me lembrou de alguns itens interessantíssimos, vou colocá-los aqui:


Sou do tempo do carrinho de rolimã, isso mesmo... ia nas oficinas à procura de rolimãs para colocar no carrinho que era uma tábua de madeira em cima de duas ripas, também de madeira, tendo como rodas umas rolimãs. Eu descia o morro do INATEL em um carrinho desses, era uma alegria. Não havia sola de sapato que durasse, pois era o jeito mais comum de frear.


Sou do tempo da bala Juquinha, isso mesmo... aquela do reclame da TV que cantava assim: Juquinha quando está chupando bala – não fala! Não fala e nem dá balas – Juquinha! Eu vivia cantando isso. Além da bala CHITA que, atualmente encontrei-a em minha cidade natal. Tem uma figura de chipanzé na embalagem. Até me deu água na boca. A Malú, também lembrou-me do pirulito Zorro. Gente... era bom demais. Era ratangular, tinha o Zorro estampado no invólucro, eu ficava horas e horas com ele na boca, só porque havia um caramelo diferente, nem sei explicar... agora tem gosto de saudade.



Sou do tempo do ferro à brasa, isso mesmo... a Malú deve conhecê-lo somente como peça de museu. Eu o usei. Era ruim demais. Pesado. Eu abria a tampa, colocava as brasas, fechava com um grampo (não ri, não...) e estava pronto. Ia passando as roupas, achava que ficavam bem passadas por causa do peso do ferro. Quando diminuía demais a temperatura do ferro, eu levantava uma tampinha redonda, atrás do ferro e soprava para avivar as brasas. Às vezes, a maioria delas, voava cinzas junto e... adeus limpeza! Depois, quando pela primeira vez usei um ferro de passar roupas elétrico, achei que não ia dar certo... era muito leve.

Eu sou do tempo da vassoura de palha, isso mesmo... e, devo acrescentar, que durante os seis anos em que morei na cidade de Goiás só usei vassoura de palha. São ótimas. Varrem melhor que a piaçava, a de pelo, ou a sintética.






Rita Elisa Seda
Cronista, poeta, biógrafa, fotógrafa e jornalista.
Direto do Baú de Memórias!



29 comentários:

Silvinh@ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Silvinh@ disse...

Oi, querida Rita Elisa!!! Agora sim, está página voltou com tudo, nein!!! rsrsrsrsrsr...
Estava com saudades...
Chegou arrasando, hein Rita Elisa!!!
Nossa....Quantas lembranças...
Recordar é viver, com certeza!!!
Alguns usos e costumes citados por você, também vivenciei, isso mesmo...Fogão à lenha, disco de vinil e vitrola; e quando quebrava a agulha??? Cigarrinhos de Chocolate Pan, latas de bolacha Maizena, colchão de molas,cobertores Parahyba, Casa Pernambucanas... Conga...Nossa, minhas congas, nem eu podia com o cheiro; não tirava do pé, fazia parte do uniforme da escola...Sempre fui menina-moleque...Ah...e o Kichute??? Você não usou Kichute, Rita Elisa??? Tinha até cravos...isso mesmo. Era a chuteira da época; eu jogava um futebol bonito, hein...E bolinhas de gude??? Meu embornal, no final da tarde, ficava sempre cheio, eu rapelava os meninos, e minha mãe??? Jogava tudo fora... Os meninos faziam a festa, recuperavam todas as bolinhas que perdiam comigo...rsrsrsr Pipa, então, era perita em pipas...Sabe que na semana do Folclore No Virgilio Gomes em Américo, a outra escola onde trabalho, fizemos pipa e fomos soltar na praça...Que delícia!!! Foi um dia e tanto!!!Nossa!!! Desfiles: 22 de agosto, aniversário de Araraquara e 07 de Setembro, Dia da Pátria...Puxa, como foi boa essa época!!! Sem desfiles nesses dias, não era feriado. Ah, me veio a lembrança agora o Biotônico Fontoura...Quanto tomei o Biotônico...Tinha que tomar antes da refeições...Aqui em casa era lei. Entre outros costumes, brincadeiras, brinquedos, comerciais ou propagandas de TV, grupos musicais, bonecas da época, roupas, livros ( cartilha Caminho Suave)...etc. Nossa!!! Tudo de bom!!!
Obrigada Rita pelas suas memórias! Você me fez voltar mais ou menos uns 30 a 35 anos...Adorei, viajar com você no tempo e no espaço!!!
Não me sinto velha, não!!! Me sinto experiente, realizada. Infância, adolescência, juventude... sadia, bem vivida!!! Sem malícia, sem maldade, sem violência. Só tenho saudades!!!

Beijos, forte e carinhoso abraço!!!

Silvinha

Rita Elisa Seda disse...

Querida Silvinha, que delícia ler suas lembranças, todas maravilhosas. Vou colocá-las aqui, no blog, como lembranças 'nossas', é para isso que trocamos lembranças. Você é ótima! Imagino o quanto brincou com bolinhas de gude, eu também, tanto que minhas bolinhas ficavam cheias de buraquinhos de tanto baterem uma nas outras, mas tinha que usá-las assim mesmo... bolinhas novas era artigo de luxo, ou quando ganhava o jogo. Ainda tinha o comentário de que isso não era brincadeira para menina!!! Época boa!
Beijos, felicidades e a paz!

Silvinh@ disse...

Época muiiiiiiiiiiiiiiiiito boa mesmo, Rita Elisa!!! Não volta mais...
Pena que a maioria das crianças de hoje, ficam presas a video game, Tv e computador!!! Não brincam como nós brincávamos, né.
Você me fez lembrar duas coisas, que não citei acima...
Pelo fato dos comentários:"isso não é brincadeira de menina"; naquela épca já havia discriminação, preconceito, né Rita Elisa!!!
Mas vamos às lembranças...
Era minha bicicleta Caloi Berlineta...Ah que delícia!!!
Quem tinha bicicleta Caloi Berlineta, estava com tudo.
Eu tinha uma maravilhosa!!! Vermelha e branca...
Sabe aquela época em que os reclames ou comerciais mostravam uma criança deixando bilhetinhos pela casa toda, com frases mais ou menos assim: "Não esqueça da minha Caloi"! Pois é, coloquei bilhetinhos pela casa toda também, até ganhar uma...rsrsrs
Caçula, você já viu...Pedido concedido...
E também, meu carrinho de rolemã...
Ah, eu e meus primos que construíamos...rsrsrsrsrsrs
É que perto da minha casa, na minha idade, só tinha meninos. Meu pai e dois irmãos (dele/meus tios) compraram terreno juntos, vizinhos; quer dizer, um vizinho mesmo; e o outro no quarteirão de cima...então...não tinha jeito...Minhas brincadeiras, eram de meninos; ou de meninas, sei lá....rsrsrsrsrsrrs
Só sei que brincávamos muito... Nos divertíamos à beça!!!
Curtimos demais nossa infância...
Somos primos-irmãos, crescemos juntos!!! Bom demais!!!

Beijos, forte e carinhoso abraço!!!

Silvinha

Nidia Telles disse...

Que bom que eu também sou dessa época, sem Barbies e Pollys. Éramos, certamente, mais criativas e menos consumistas. Durante muito tempo também foi minha tarefa buscar o leite na cooperativa. Era tão longe para quem morava na Vista Alegre, mas me dava a oportunidade de observar a cidade e guardar na memória imagens até hoje bem nítidas. Ia por um caminho e voltava por outro para poder escolher quais as casas que eu achava mais bonitas. Saudades desse tempo. Abraços santaritenses.

Rita Elisa Seda disse...

Nídia, querida conterrânea, eu também morava tão longe quanto você, apenas alguns quarteirões antes; era uma tarefa e tanto... hoje tudo é mais fácil, mas o leite não tem o mesmo gosto daqueles de antigamente. Recebi seus abraços com muitas saudades da minha terra natal. Tudo de bom para você. Beijos, felicidades e a paz!

Gilberto Gonçalves disse...

Minha amiga, Rita, quantas coisas em comum em nossas infâncias!
As diferenças hão de ficar por conta das cidades onde vivemos essas infâncias.
A diferença de épocas, por conta das cidades, nem parece tanta, mas conta uns 10 a 15 anos.
Eu vivi a minha infância na famosa e inesquecível Era do Rádio, que como sabe é o nome do meu blog.
O povo que não tem memória não tem futuro, pois é numa raiz forte que encontraremos um tronco resistente como o da sapucaia. Sim, eu li o seu texto sobre esta árvore, e achei-o encantador.
Gostei muito de ler sobre o seu Baú de Memórias. Muitos dos seus conteúdos estão relacionados à minha infância no Rio de Janeiro, na década de 50
Abraços e parabéns pela abertura do Baú.
Gilberto.

Zenilda Lua disse...

Ah não tô aguentando
estirei-me de saudades...
todas as lembranças estão aqui ajudando-me a entender todas essas coisas que hoje faz falta.

ADOREI esse brincar de passado.
beijos.

Rita Elisa Seda disse...

Gilberto querido amigo das letras e das lembranças. Essa sua frase: "O povo que não tem memória não tem futuro, pois é numa raiz forte que encontraremos um tronco resistente como o da sapucaia", é digna de uma epígrafe em livro sobre MEMÓRIAS. Seu blog Era do Rádio é maravilhoso. Tudo de bom! Felicidades e a paz!

Rita Elisa Seda disse...

Querida Zenilda, poeta das lembranças, fique à vontade para relembrar, mas... conte-nos as suas lembranças nordestinas. São semelhantes? São antagônicas? Suas declamações nos remetem à magia de lembranças lúdicas, época feliz, infância pura! Beijos, felicidades e a paz!

Cardápio Delicadeza disse...

Sei não viu, mas tô desconfiadíssimo que também sou desse tempo aí escrito... que bom!! só faltou meu herói favorito: TARZAN, abração Rita!

Hannah Andrade disse...

Que delícia de post! Me lembra muito a casa de minha avó,onde podia encontrar muitos desses objetos.

E falando nela, toda vez que me liga pergunta sobre vc, e se vc já conhece o blog dela...rss... se puder visite, ela vai ficar muito contente.
http://fragmentosdeanapires.blogspot.com/
Felicidades!
Beijos

Rita Elisa Seda disse...

Que nada Reginaldo... você é mais novo do que eu. Mas tem algumas dessas 'velharias' aí que fazem presença até hoje. Aposto que conhece bem. O TARZAN é mesmo atemporal, tudo de bom que deveríamos resgatar hoje: ambientalista, protetor, sapiência, força, tradição e familia.
Beijos, felicidades e a paz!

Rita Elisa Seda disse...

Ok, Hannah, já conheço o blog de sua querida avó. Ela é tudo de bom. Beijos, felicidades e a paz!

Malu Machado disse...

Oi Rita, que post gostoso! Sou mais nova que você uma década, mas me lembro ou já ouvi falar de todas essas coisas. Acrescento: O carrinho de rolimã, a bodega do Português, a geladeira dos antigos bares que pareciam armários gigantes, bala juquinha, pirulito do Zorro, o ferro de brasa (eu usei na casa da minha avó!), a vassoura de palha, o coreto da praça com seus "retratistas", o footing dos namorados...

Um beijo grande,

Malu

Rita Elisa Seda disse...

Malú querida, eu usei suas lembranças que se encaixam às minhas e as publiquei aqui. Me ativou várias saudades... uma delas é a de Goiás (lá eu só usei vassoura de palha). Beijos, felicidades e a paz!

Rita Elisa Seda disse...
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Paulo Urban disse...

Delícia esta viagem... várias coisas dessas citadas bem conheço, sim, de muitas bem me lembro, de outras apenas sei ter ouvido minha mãe delas falar. Adorei o passeio e principalmente a escritora.

Paulo Urban

Rita Elisa Seda disse...

Paulo 'Amigo da Alma' muito dessas coisas permanecem no Sul de Minas, mas a maioria é peça de museu. Beijos, felicidades e a paz!

Inajá Martins de Almeida disse...

Cara escritora Rita Elisa Seda
As palavras realmente tem essa vocação intensa de procurar seus afins. Elas nos aproximaram. Embora não tenha ainda publicado em livros, escrevo crônicas, poesias, textos vários e os coloco em blogs próprios e sites diversos. Sou Bibliotecária por formação acadêmica, não poderia ter encontrado melhor profissão, pois digo que entre livros nasci e me formei... Há dois domingos passados, meu filho David chegou com um livro dizendo: ´"é sua cara". A curiosidade me fêz abri-lo imediatamente, tão bem embrulhado estava - surpresa "Cora Coralina raízes de Aninha" de sua autoria, até então desconhecida para mim. Sempre manifestei admiração extrema pela pessoa impoluta da escritora Cora Coralina, porém, não conhecia muito de sua vida, o que, ávida, passei a sorver palavra por palavra que ia se apresentando frente a minha leitura - aliás, minha e de meu marido. Não sei aonde começa Cora e entra Rita - as duas formam um par perfeito. Você incorporou Anna Lins, ou Cora Coralina, não sei bem. Seus textos são magníficos, formam uma colcha de retalhos perfeita entre suas falas e as dela. Passei a admirá-la - Rita - tanto quanto amava Cora e hoje um pouco mais. Estou procurando conhecê-la por meio do seus blog e site, assim como espero que você também possa me encontrar em alguns dos meus blogs: http://www.a-quatromaos.blogspot.com/; http://www.blog-inaja.blogspot.com/; http://www.colheitadotempo.blogspot.com/; http://www.retalhosdeleituras.blogspot.com/; http://www.momentodeler.blogspot.com/, entre outros. Cada um foi desenvolvido e criado para um fim. Também tenho paixão pela escrita, não diferente da leitura. Rita você é um exemplo para nós. Agradeço a meu filho que pode nos aproximar, agradeço a você por ser essa brilhante escritora, cuja sensibilidade pode nos aproximar de uma pessoa tão marcante - Anna Lins (Cora Coralina) e a Deus, acima de tudo, por nos premiar com o dom da palavra. Novamente, foram eles, os retalhos que vieram participar da colcha que teço vida afora, desde quando minha grande incentivadora e professora na faculdade, nos orientava a recolher retalhos tanto das suas matérias, quanto de qualquer impressão que o cotidiano pudesse nos apresentar. Você também, parece-me que se envolve com eles também quando escreve Retalhos de Outono. Um forte abraço e até qualquer momento. Com carinho Inajá Martins de Almeida

Inajá Martins de Almeida disse...

Olá Rita Elisa
Maravilhosas suas postagens. Incrível. Também sou do tempo do Biotônico, dos cobertores Paraybas, das Pernambucas, dos flertes nas praças após a missa dos domingos. Que delícia, tanta lembrança. Da São Paulo antiga, terra da garoa. Lindo eu blog. Maravilhoso seu livro que estou lendo: "Cora Coralina: raízes de Aninha", presente de meu filho David. Você é realmente muito especial. Você também poderá me conhecer um pouco através de um dos meus blogs - http://www.colheitadotempo.blogspot.com/
Um forte abraço com carinho Inajá Martins de Almeida

Rita Elisa Seda disse...

Inajá, fico feliz em saber que você gosta tanto de escrever quanto de ler. Fique à vontade para me enviar seus textos que os colocarei no blog. Quem ama Cora Coralina ama a poesia mais pura, ama a humildade mais sublime, ama a política mais honesta, ama a religiosidade mais santificante e ama a doceira que traduzia em pura magia dos doces glacerados, como se se estivessem vitrificados, algo que só o amor pode produzir. Saboreie o livro, ele é destinado aos que amam Cora Coralina. Depois me escreva seus sentimentos a respeito de tudo que leu. Beijos, felicidades e a paz!

Anônimo disse...

Nossa Rita, as suas memórias são as minhas, que viajem deliciosa! Sabe que todo sete de setembro me remete a esta época? Adorava assistir e a participar dos desfiles, meu sonho era ser baliza! rsrsrs. Lembro também que nas escola em vez de aulas de Inglês tínhamos aulas de Frances e as classes eram masculinas e femininas, depois vieram as classes mistas. E as melhores escolas eram as estaduais e municipais.
Hum que saudades!!!
Marilda Carvalho

haroldovitalino disse...

Delirei voltando ao meu rescente passado,que parece que não passou.
caminho suave,fogão de lenha...coisa nossa .uai!!!

Rita Elisa Seda disse...

Olá, Haroldo, fique à vontade, sinta-se em 'algum lugar do passado' assim nos encontraremos lá.
Beijos, felicidades e a paz!

Ana do ***Calcinha Fru-Fru*** disse...

Oi! Estava procurando uma imagem dos Cobertores Parahyba (antiga) e cai por aqui! Não me contive e fiquei lendo tudo e tudo, e o que achei interessante demais... Você é de São José como eu!

Adorei o texto, adorei por aqui!

Beijos

Arte com Patch by Márcia Valéria disse...

Vc me trouxe lágrimas aos olhos de tanta saudade que senti. Estava procurando alguma coisa da Cartilha Caminho Suave pro meu filho de 4 anos e qual não foi minha surpresa quando vi a imagem de uma boneca de papel.
Eu "amava" demais brincar com isso, tinha um monte delas.
Delícia de lembrança. Obrigada por compartilhar. A gente era mesmo feliz demais e nem se dava conta disso.
Bjs

Rita Elisa Seda disse...

Olá Ana, tudo bem?
Eu sou de São José dos Campos, sim. Amo esta cidade e ainda mais os cobertores Parahyba. Obrigada pela sua atenção e volte sempre!
Felicidades e a paz!

Rita Elisa Seda disse...

Olá Marcia Valéria, tudo certo?
Eu ainda procuro as bonecas de papel, gosto tanto delas que tenho a impressão de que vou resgatar esse tempo lúdico, onde não precisávamos de pilhas ou baterias para nossas brincadeiras, precisávamos de imaginação e, querida amiga, isso nós sempre tivemos.
Beijos, felicidades e a paz!