PALAVRAS DE SEDA

Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras. Palavras são como folhas de plátano soltas ao vento... em direção aos novos horizontes, voando irreverentes sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem... sempre a favor do vento.
Assim é o ato da escrita, deixar fluir palavras que, voando devagar, ao caírem, adubarão terras distantes.

















































































































sábado, 4 de dezembro de 2010

SÍTIO DO PICA-PAU AMARELO

Estou fazendo um adendo ao texto ÁRVORES ESPECIAIS EM TODOS OS TEMPOS que postei há apenas uma semana neste blog. É que dia 1º de dezembro estive na Fazenda Buquira, localizada na região da cidade de Monteiro Lobato. Fui conhecer a proprietária profª Maria Lúcia Xavier, senhora de imensa sapiência a respeito da vida e obra de Monteiro Lobato.





Dona Maria Lúcia foi tão atenciosa que até fez almoço, tinha tudo que uma mineira gosta, como ela mesma disse: "Como eu sabia que vinha uma mineira fiz abobrinha com quiabo, angú e frango". Tive de repetir... estava bom demais!


Foi nessa fazenda que o ilustre escritor passou sua infância e, depois, casado, morou lá por um pouco mais de seis anos. Época em que escreveu Urupês. Fazenda onde criou o Reino das Águas Claras.



A fachada do casarão central continua a mesma. Com o requinte literário de Monteiro Lobato com o qual descreveu o local em suas cartas ao amigo Godofredo Rangel,  visualizava tudo em minha mente, depois, empiricamente, vi, toquei e me deliciei com a arquitetura local.


Por todo caminho até a cachoeira pude ver cogumelos pelo chão, em troncos podres e pés de árvores. Os urupês ainda estão lá.



A centenária mangueira foi ponto culminante em minha caminhada, eu que já havia pesquisado Monteiro Lobato ambientalista, o homem que amava as árvores, constatei que a semente de tudo foi mesmo a fazenda Buquira.


O Reino das Águas Claras descrito por Lobato é maravilhoso, melhor ainda é vê-lo; sentei-me em uma pedra à beira d'água e deixar a imaginação correr solta...

 





O lugar é paradisíaco, não existe outra fazenda Buquira, só essa. Quem quiser conhecer o lugar onde Monteiro Lobato dava à luz crônicas, contos e histórias infantis, deve ir até lá.
Simples recomendação de uma mulher que é fascinada por Monteiro Lobato, pelo encanto e magia do lugar, basta sentar-se ao largo da cachoeira, embaixo das árvores ou andar pelo antigo casarão que está totalmente restaurado. Lugar de gente feliz.

Sítio do Pica-Pau Amarelo, Estrada do Livro,  entre Monteiro Lobato e Caçapava, tel: 012 9711 3748.
http://www.overdadeirositiodopicapau.com.br/


Rita Elisa Seda

6 comentários:

Silvinh@ disse...

Puxa!!!! Que legal, Rita Elisa!!!
Como deve ter se emocionante estar no lugar de criação deste grande escritor brasileiro...Monteiro Lobato.
Que literatura gostosa!!!
Monteiro Lobato tinha o dom de nos transportar para suas histórias. Me lembro que, quando lia os livros de Monteiro Lobato, parecei que eu estava dentro da história, que eu era parte ativa do livro, personagem. Era muito real!rsrsrs
Que gosto de saudade, de infância, de fantasia, de magia...
Só de ler seu blog, me transportei para este lugar maravilhoso!!! Obrigada Rita Elisa, por partilhar conosco seus momentos de pura intimidade com a literatura!!!
Momentos estes, tenho certeza, inesquecíveis!!! Obrigada!!!

Beijos, forte e carinhoso abraço!!!

Silvinha

Inajá Martins de Almeida disse...

Rita querida de sempre
Emocionei-me demais às lágrimas. Aprendi a amar Monteiro Lobato desde tenra infância, quando minha mãe me levava aos seus livros - ainda não sabia ler e ela os interpretava para mim (saudade imensa daqueles momentos ímpares). No ano de 1969, estive numa breve excursão escolar no sítio do pica pau amarelo o que muito me encantou. Infelizmente nada foi registrado em fotos, mas você me fez reviver aquelas lembranças de pura magia e encantamento. Percebo que aos poucos vamos adentrando nossos universos e encontrando tantas similaridades. Também passei rapidamente por sua cidade - São José dos Campos - da qual me ficou belíssima lembrança. Espero um dia poder voltar. Por enquanto obrigada pela postagem, pelas palavras. A natureza me fascina tanto quanto a ti fascinou o contato com os cogumelos, com os troncos, com as árvores. Um beijo e até mais /

Rita Elisa Seda disse...

Silvinha, foi mesmo emocionante, meu pedaço criança, que corresponde sempre a 80% de meu ser, ficou radiante de alegria. Beijos, felicidades e a paz!

Rita Elisa Seda disse...

Injá querida, eu também sou apaixonada por Monteiro Lobato, ganhava em todos os Natais um livro dele até formar uma coleção. Época em que acreditava que a Emília morava embaixo de minha cama, conversava com ela todas as noites antes de dormir. Ainda bem que tive uma infância com muitas fantasias lobateanas. Beijos felicidades e a paz!

Noralia disse...

Rita, vendo suas fotos e lendo seu texto sobre a visita a fazenda de Monteiro Lobato, senti enorme vontade de reler os livros desse escritor. Tendo ele um lugar tão especial a inspirar, só poderia ter feito excelentes e belos livros. E, estar debaixo daquela mangueira, creia, só recebeu você um contágio energético fantástico.
Abraços,
Norália

SONYA MELLO disse...

Rita Elisa, andei fazendo pesquisas sobre a vida e obra de Monteiro Lobato. Uma homenagem à esse espetacular escritor está no meu cronograma de obras a realizar. Adoraria conhecer essa fazenda pessoalmente, aliás, seria de grande importância, fazer uma pesquisa fotográfica por lá! Anotei o celular e vou ver se consigo esse privilégio! Obrigada por partilhar conosco suas mais ricas experiências! Abraços!