PALAVRAS DE SEDA

Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras. Palavras são como folhas de plátano soltas ao vento... em direção aos novos horizontes, voando irreverentes sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem... sempre a favor do vento.
Assim é o ato da escrita, deixar fluir palavras que, voando devagar, ao caírem, adubarão terras distantes.

















































































































terça-feira, 22 de março de 2011

SÃO BENTO NOS PROTEJA DAS COBRAS



Há um mês o caseiro do sítio Nhá Chica me disse que havia uma cobra aterrorizando o local. “Olha dona Rita, ela aparece na horta, e depois some atrás das bananeiras, eu já tentei matá-la, mas a danada é esperta”.


Fui passar uns dias lá no sítio, encontrei meu bom vizinho Antônio com uma foice e mais alguns apetrechos, pronto para “desentocar a cobra e matá-la”. Pois a bicha era arisca, mamava nas vacas e, com isso, a vaca pisava na cobra que por maldade mordia a vaca. “Ói dona Rita, já perdi três vacas essa semana, todas mordidas de cobra, assim não dá, vou pro mato desentocá a peçonha e matá-la, ela vive ali no pasto, bem perto de suas terras”. Eu bem que fiquei apreensiva com o comentário. Ofereci carona mas Antônio quis ir mesmo a pé... acho que não botam muita fé em mulher dirigindo fusquinha em estrada lamacenta... uma pena... é pura diversão!

No outro dia Antônio apareceu lá para as bandas de minha casa. A derradeira pergunta presa na garganta pulou fora: “E aí?!... você matou a danada da cobra?”

Pelo olhar desolador eu já sabia a resposta. Não me fiz de rogada: “Precisa se proteger com São Bento. Olha, vou escrever a oração de São Bento para você ler às seis horas da tarde na porta de sua casa, leia três vezes e coloque a medalha de São Bento no batente mais alto da porta”. Comecei a escrever a oração a caneta falhou, retomei a escrita e falhou de novo. “Vixi... nem a caneta quer dar conta de lhe ensinar essa oração, vou pegar outra caneta...” Depois de algum tempo escrevi a oração (que sei de cor há muitos anos), comentei: “Use a medalha de São Bento e Ele o protegerá”. Ele pestanejou: “A oração eu faço, mas esse negócio de medalha não uso não!”

Esta semana voltei ao sítio Nhá Chica e fiquei sabendo que a cobra não foi encontrada. “A danada aparece do nada e some no meio do bambuzal, tem dias que aparece perto da porta, ela é pretinha”.

Dormi pensando na cobra. No outro dia, enquanto os homens trabalham na pintura da casa, eu me recolhi em meu lugar de oração, lá eu fiz a oração de São Bento, pedi para a cobra aparecer e que eu a dominasse. Como eu fazia em Goiás, por causa de tantos escorpiões, eram escorpiões no meio das roupas no armário, debaixo da pia, atrás do pote de água ou dentro de um sapato, todos se abaixavam para eu passar, todos morriam, mesmo as fêmeas que levavam dezenas deles nas costas.

Pronto... terminei a oração de São Bento e fiquei em casa feliz. Chovia... chovia muito... até que de repente me deu uma vontade de sair. Eu peguei meu cajado, abençoado e marcado a fogo com a cruz de São Bento, saí em direção à porteira. No caminho, não muito longe da casa, uns vinte passos, a famigerada cobra preta veio ao meu encontro. Peguei o cajado e apontei para ela, falei: “não pensei que você ia aparecer tão cedo, nem vim prevenida, não trouxe porrete, nem cabo de enxada e muito menos vassoura para te matar a paulada. Fique quieta aí que vou chamar socorro, não arrede do lugar”. Voltei uns dez passos e gritei para trazerem um pedaço de pau pois a cobra estava a espreita. Vieram correndo. Mostrei a cobra e falei: “ela não me parece tão ruim, ela me obedeceu, está esperando no mesmo lugar, sem nem se mover, está amarrada por São Bento...”

Não deu outra, com uma paulada certeira, morreu a danada que assustava o povo. Agnaldo comentou: “era essa mesma que ficava por aqui mangando a gente... essa cobra preta, de barriga amarela. Só não entendi como é quiela ficou, assim, paradinha...”

Coloquei a cobra em um pedaço de tronco da árvore perto da porteira. Avisei: “foi a oração de São Bento. Pedi para Ele me mostrar onde estava a cobra. Só não imaginei que fosse tão rápido”.
Isso é que vale ter esse cajado abençoado a fogo e ainda, para arrematar, com uma medalha cunhada do lado.



 


Quem quiser botar fé é só fazer a oração:

A Cruz sagrada seja minha Luz
Não seja o Dragão meu guia
Retira-te Satanás
É mal o que tu me ofereces
Bebe tu mesmo o teu veneno
Nunca me aconselhes coisas vãs


Ou até orar em latim:

Crux Sancti Patris Benedicti
Crux Sacra Sit Mihi Lux
Non Draco Sit Mihi Dux
Vade Retro Satana
Numquam Suade Mihi Vana
Sunt Mala Quae Libas
Ipse Venena Bibas


Esta oração é tão forte e poderosa contra os espíritos perversos que a Igreja Católica a usa em exorcismos. Para ter mais proteção ainda, deve-se usar uma medalha de São Bento, a qual tem as iniciais desta oração no verso.

Oração contra as cobras

São Bento é um santo da Igreja Católica que nasceu na Itália, em 480, e morreu em 547. Foi ele quem fundou a Ordem dos Monges Beneditinos.

Por causa de uma velha história, em que São Bento ajudou um menino a se livrar de uma cobra, diz-se que rezar para o santo é garantia contra serpentes venenosas. Por isso, se você for passar por um campo, um bambuzal ou uma floresta, convém decorar essa reza:

"São Bento, água benta,
Jesus Cristo no altar,
As cobras deste caminho
Se afastem que eu vou passar!"

Além da oração, use o cajado,  ande com cuidado, use botas de cano alto e leve um cão junto, porque os cachorros ajudam a perceber se há uma cobra por perto.

Rita Elisa Seda
Cronista, poeta, biógrafa, fotógrafa e pequisadora.

9 comentários:

Silvinh@ disse...

Eu, hein!!!
Que mulher corajosa, sô!!! kkkkkkkk
Só você mesma, Ritelisa!!!
É engraçado o causo, mas acredito no Poder da Oração e na Intercessão de São Bento.
Ganhei uma medalha de São Bento linda, maravilhosa, uma jóia, dos meus catequizandos o ano passado, não a tiro do pescoço...por nada!!!
Ainda mais agora sabendo do poder e da proteção de São Bento, contra as cobras, eu desconhecia esta história.
Morro de medo de cobras!!!
Estava comentando com minha mãe, sobre esta sua história; e ela falou que é verdade...
Ela veio de Minas Gerais, Lima Duarte e confirmou, que o povo mineiro é muito devoto de São Bento...
Tem muita cobra por lá...kkkkk...
Bem a medalha eu tenho, mas o cajado não...
Bom, meio caminho andado, né...
Lindo o seu cajado Ritelisa!
Com certeza foi você que cunhou, com carinho, amor, capricho e muita devoção, a fogo né!!!!

São Bento, rogai por nós!!!

Beijos, forte e carinhoso abraço!!!

Silvinha

Rita Elisa Seda disse...

Eu nem imaginava que ia ver a cobra tão rápido. Acho que ela daria um bom animal de estimação, estava mansinha... Já pensou?!
Eu andando pelo mato com uma cobra de estimação... ia marcar presença junto aos bichos da mata. É claro que meu cajado é especial, abençoado! Veja que no cajado, bem em cima, há uma medalha de São Bento. As medalhas de São Bento não precisam ser bentas por um sacerdote, pois elas trazem o Exorcismo inscrito em sua cunhagem. Vivendo e aprendendo! Beijos, felicidades e a paz!

Cassio Brandão disse...

UAU, a cobra nem era assim tão pequena (pelo menos para mim, um "cara" da cidade, se for um pouco maior que minhoca, já é "cobrão !).
Adorei conhecer mais um detalhe da medalha de São Bento que tanto me encanta. Vou aproveitar o conhecimento e colocar no meu blog, com os devidos créditos, é claro. Cassio

Rita Elisa Seda disse...

Cássio amigo que me apresentou uma tecnologia de primeira, um Kindle. Ainda não consigo ler eBooks, estou tentando, com a ajuda de amigos até mesmo dos Estados Unidos que me encorajam a usar essa tecnologia. Sei que vai chegar a hora. Prefiro mesmo matar cobras à paulada!!! hehehhehe!!! esse cajado é forjado no fogo, enquanto queima a Cruz e escreve São Bento, a pessoa faz a oração de São Bento diversas vezes até terminar a queima. Leva sempre uma medalha de São Bento junto. Veja que eu a preguei no cajado, assim posso emprestá-lo aos amigos que vão para a mata fechada. Faça o seu cajado e passeie um pouco em uma floresta... você bem que está precisando disso... nem só de cidade e tecnologia vive o homem.
Depois me diga se gostou de passear na mata e eu lhe direi se gosto de eBook. Hehehehehe!
Beijos, felicidades e a paz!

Eliane Accioly disse...

Curto muito seu blog e você.
Gostei da oração, tem cobra venenosa pra tudo quanto é canto, e não só no mato... :)
Bjs

Rita Elisa Seda disse...

Hehehehe!... Eliane, isso é verdade. Tem cobra em todo lugar, muitas até mesmo na cidade. Por isso é importante termos a proteção de São Bento. Beijos, querida amiga, felicidades e a paz!

Ronilson disse...

Muito interessante como vc conta historias me senti la na fazenda, parabens pela energia que imprimes na escrita ...

Rita Elisa Seda disse...

Obrigada, Ronilson, fique à vontade, sente-se e vamos contar algumas histórias, causos e lendas que permeiam nosso cotidiano, nossas lembranças e nossas leituras. Entre que a casa é sua. Conte uma história! Felicidades e a paz!

yulumule disse...

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