Loading...

PALAVRAS DE SEDA

Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras. Palavras são como folhas de plátano soltas ao vento... em direção aos novos horizontes. Deixá-las voando irreverentes, sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem, sempre a favor do vento. Assim é o ato da escrita, deixar fluir palavras que, voando devagar, ao caírem, adubarão terras distantes.















































































































terça-feira, 21 de setembro de 2010

DIA DA ÁRVORE

GUAPURUVU



Quando eu fiz a pesquisa sobre as Árvores Imunes de Corte em São José dos Campos, houve uma pela qual fiquei fascinada: guapuruvu, também conhecida como faveira ou pau-de-vintém.

Foi catalogada pelo paisagista Roberto Burle Marx, que apaixonado pela exuberância dessa espécie arbórea nativa da região do Vale do Paraíba, deu a ela o nome científico de Schizolobium parahyba, passando a ser conhecida em todo planeta como a árvore do Vale do Paraíba. Por isso o paisagista fez a inclusão de alguns exemplares de guapuruvu ao paisagismo do complexo formado pela antiga Tecelagem Parahyba e Fazenda Santana do Rio Abaixo, bem em frente à Residência Olivo Gomes. È fascinante o porte dessa árvore, podendo atingir até mesmo uns 30 metros de altura.

Existe na Região Leste de São José dos Campos, exatamente dentro do terreno onde está edificada a Escola Municipal de Ensino Fundamental Leonor Pereira Nunes Galvão, na praça José Molina, perto da igreja São Sebastião, um lindo e raro exemplar da árvore guapuruvu. Lindo porque na primavera suas flores transbordam da copa e um tapete amarelo cobre pedaço do passeio e da rua.


Raro porque deve ser o guapuruvu mais antigo em área urbana joseense, deve ter mais de 60 anos*, sua copa é tão alta que em vários locais da Vila Industrial podemos avistar a árvore. Conversando com os antigos moradores da vila e professoras da EMEF Leonor P. N. Galvão, todos foram unânimes em dizer que é a árvore mais bonita da região. Aproveitei para resgatar duas lendas a respeito dessa árvore.

A primeira é que antigamente as crianças brincavam de comércio usando as sementes do guapuruvu como moeda de troca (significado de pau-de-vintém), pelo tanto que davam valor às sementes, originando uma expressão que virou lenda: uma pessoa ao ser presenteada com uma semente de Guarapuvu, para sempre é selada essa amizade.

A outra lenda vem de muitos anos... na oralidade dos índios Tupis que viviam na região do Vale do Paraíba e pelos Tupinambás do Litoral Norte, em registro de Mariza Taguada. Quando ainda não havia tanta tribo nessa terra, há muitos e muitos anos, por aqui vivia um jovem e forte guerreiro chamado Guapuruvu.

Certa noite não conseguindo dormir, por causa de uma misteriosa inquietação, saiu da rede e caminhou pela floresta mal iluminada por causa da lua nova. Dentro da mata distinguiu um vulto dourado movendo-se por entre as folhagens. O corajoso e inconseqüente guerreiro embrenhou-se na mata atrás daquele brilho, quieto e rasteiro, como uma grande onça.

Guapuruvu, fascinado pela luz dourada chegou à nascente de um rio e assustou-se ao ver uma linda mulher de corpo dourado e longos cabelos negros banhando-se nas singelas águas. O mais espetacular era que as gotas d'águas que a tocavam transformavam-se em pepita de ouro e rolavam para dentro do rio.

O guerreiro sentiu o coração bater forte e temendo que a formosa moça percebesse sua presença escondeu-se, permanecendo no mesmo lugar, hipnotizado, a noite toda, até o dia amanhecer e voltar para a aldeia. Os dias se passaram e todos da tribo notaram o olhar desvairado que Guapuruvu lançava à mata e a agitação que tomava conta dele enquanto esperava pela lua nova... ansioso para encontrar sua amada.

Assim, na primeira noite da lua nova ficou à espreita e não viu a linda mulher. Retornando à aldeia nem conseguiu caçar ou pescar. Os outros perguntavam o que ele tinha, mas ele nada dizia. Na noite seguinte retornou à trilha do rio. A escuridão era tanta que Guapuruvu tropeçou e machucou-se nos cipós, galhos e raízes até chegar à nascente do rio. Foi quando viu uma luz achegando e transformando-se na linda jovem. Inebriado, soltou um suspiro alto, atraindo a atenção da jovem que, assustada, fugiu deixando para trás um rastro de poeira púrpura.

Guapuruvu passou horas e horas chorando à beira da nascente e pedindo para que ela voltasse. A linda moça, depois de passar o susto, atraída por aqueles lamentos tristes e aquelas juras de amor que o rapaz não cansava de repetir, apareceu para o jovem guerreiro que, de tanta felicidade, lançou-se aos pés da amada jurando amor eterno. Ela se apresentou como a Mãe do Ouro, disse que era a guardiã das florestas e protetora dos animais. Ia sempre até o rio banhar-se pois sua missão era a de criar pepitas de ouro.

Explicou ao jovem Guapuruvu que ela não podia casar-se com ele, nem dar-lhe filhos como as moças da tribo, mas corresponderia ao seu amor. Dessa forma nas noites de lua nova o jovem Guapuruvu saía da aldeia para encontrar e amar a Mãe do Ouro.

Os anos se passaram e o índio guerreiro envelheceu enquanto que a Mãe do Ouro continuava jovem e bonita. Mas o amor dos dois não foi afetado por isso. Certa noite ele pressentiu que aquela seria sua última lua em vida. Já muito velho, com extrema dificuldade, chegou à nascente do rio onde a Mãe do Ouro já o aguardava. Ele, muito comovido em deixá-la, despediu-se suspirando amores eternos.

Abraçaram-se enternecidamente e, quando Guapuruvu fechou os olhos, transformou-se em uma grande e frondosa árvore de madeira forte, ereta, ao pé da nascente, pois dessa forma para sempre veria sua amada. A Mãe do Outro profetizou que o amor deles seria eternizado nas raízes, no tronco e nos fortes galhos da árvore Guapuruvu, que a árvore serviria aos índios quando transformada em canoa de um pau só. Por isso, quando em noite de lua nova, vemos um rastro de ouro passeando pela mata é a Mãe do Ouro que vai namorar o Guapuruvu.

Quem sabe, lá pelas altas horas da madrugada, numa noite de lua nova, ao passarmos pela praça José Molina na Vila Industrial possamos ver um rastro de luz abraçando o maravilhoso Guapuruvu.

Rita Elisa Seda
crônica publicada no jornal Visão Vale, edição de junho de 2010.

* fica aqui uma incógnita a respeito da idade desse lindo exemplar de Guapuruvu. Vamos medir a circunferência de seu tronco, vamos conversar com mais biólogos, vamos procurar nos arquivos iconográficos de São José dos Campos referências sobre a árvore em questão... talvez consigamos desvendar algum mistério. Por que será que o tronco dela é tão largo assim? Será que é por causa de que foram plantadas duas mudas que cresceram juntas e se fundiram em um só tronco? Pois há uma bifurcação no tronco quase chegando à copa da árvore. Ou será que ela é mesmo, como dizem os moradores antigos do bairro, a árvore mais velha da Vila Industrial? Não sei... mas, se você sabe, nos ajude nessa pesquisa. É perguntando que colhemos informações. Obrigada pela ajuda e vejo você, bem ali, passeando sobre um tapete de flores amarelas... ou serão pepitas de ouro?!

Essa crônica foi uma semente plantada nos alunos da EMEF Leonor Pereira N. Galvão, a professora Nádia Maria da Silva contou essa lenda em várias salas de aula. Estive lá durante a semana e vi o resultado. Imagine o quanto eu fiquei feliz. Sabem tudo sobre o Guapuruvu, além da lenda e do costume que cito na crônica, falavam sobre o que aquela árvore, ali na escola, representa para eles. Eu estava junto com a Hellen do Planeta Vanguarda que fez uma matéria junto aos alunos e a árvore, todos queriam contar a lenda do Guapuruvu. Uma das alunas levou uma muda de Guapuruvu, que para minha surpresa, foi feita com semente da árvore que tem na escola, isso mesmo, ela coletou sementes e, com a ajuda dos pais, fez várias mudas as quais planta no sítio. Disse que já plantou mais de 50 mudas. Fiquei admirada e comovida.




No primeiro momento algumas alunas me presentearam com desenhos do Guapuruvu, feitos por elas, maravilhosos, fizeram inclusão de flores e sementes colhidos ao pé da árvore. Os desenhos eu os tenho diante de meus olhos, aqui em meu escritório, emoldurados pelo quadro de cortiça... e quando desvio o olhar para a minha janela, vejo ao longe a copa desse mesmo Guapuruvu. Na verdade ele me norteia há muitos anos, sei em que época do ano estamos só pela copa dessa árvore. Atualmente está vestida de amarelo, é Mãe do Outro tomando banho, saudando a primavera. Ainda mais que ontem choveu forte, lavou o ar, respiramos melhor.

Mais do que escrever um resgate cultural, quem faz pesquisa quer ver resultados, e me deliciei com o entusiasmo das crianças e jovens que agora levam adiante as histórias e estórias do Guapuruvu. Conhecem bem a lenda... e perpetuam o belo costume de presentear com uma semente de Guapuruvu a pessoa que deseja que seja sua amiga para sempre. Foi emocionante receber uma semente de alguns alunos que, meio escondido, como se fosse um segredo, me passavam uma semente, quase sem falar, só o olhar bastava para sermos amigos para sempre. Podem ter certeza de que as guardei em meu oratório, onde estão sob meu olhar de esperança por um mundo melhor.

Os alunos da E.M.E.F. Leonor Nunes Pereira Galvão que participaram do especial para o Dia da Árvore do Planeta Vanguarda, da TV Vanguarda, do dia 24 de setembro de 2010 foram meus amigos:


1º anos:
Matheus Ritter Berro, Evelyn Antunes Ribeiro, Briza Aiki Matsumura, Diego Soares Batista, Maria Eduarda Cintra Araujo.

2º anos:
Bruno Hildebrando Lee Martins, Millene Luize dos Santos Candido, Vitória Miranda Marques, Giovana Hernandez Ribeiro.

3º anos:
Bianca Lukusevicius A. da Silva, João Pedro Gonçalves T. de Castro, Alexia Vitória Almeida, João Victor Alves Germano.
4º anos:
Flávia Moreira Carvalho, Ana Julia Cunha Antonio, Ana Clara Pacci Braga dos Santos, Ryan Augusto da Silva Martins

5º anos:
Ana Julia Gomes Querubino, Bianca Milena Silva dos Santos, Bruna Raquel Toffolo de Assis, Eduardo Maciel Mendes Pinto, Renan Romeiro Leonel Santos.
                                                  

E por falar em amigos, uma amiga e dois amigos comentaram sobre a crônica VERDE QUE TE QUERO! e quero compartilhá-los com vocês:

A Silvinha Oliveira, comentou sobre essa tal atitude politicamente correta de plantar uma árvore: ‘Estava meditando em tudo o que você escreveu sobre as árvores, e me recordei que, houve tempo em que plantar uma árvore era um prazer, uma brincadeira de criança. Quantas árvores plantamos brincando em nossa infância???? Que delícia!!! Tempos depois se tornou uma espécie de obrigação civil divulgada amplamente por diversas e contínuas campanhas.

Infelizmente o prazer não existe mais, e as campanhas são meramente políticas. Muitas campanhas, muitas propagandas, são feitas por empresas, que só querem levar vantagens. A ambição do homem não o deixa enxergar a 'verdadeira' importância das árvores, em nossa vida, em nosso planeta.

Se 'o homem' tivesse a plena consciência da importância da árvore, com certeza, plantaria muitas, muitas árvores’.

O Antônio Machado é artista plástico e escritor, ao desenhar uma árvore ele escreve sobre ela: ‘Também amo as árvores, já plantei dezenas delas.

No meu blog eu tenho um desenho em bico de pena da árvore do atelier, planta nativa que lembra um cajazeiro. Dela também pintei uma aquarela. Escrevi pequenos textos sobre essa árvore. Eles acompanham as publicações da aquarela e do desenho’.

O Gilberto Gonçalves tem olhar diferenciado para as árvores plantadas nas calçadas: ‘Conciliar o discurso com atitudes é o caminho perfeito para atingir um ideal.O seu texto é suficientemente elucidativo para não deixar ninguém de fora desse movimento arborístico, com a desculpa de não saber o que fazer ou não entender a importância de se preservar as árvores de uma praça ou de uma rua.

A sociedade precisa acabar com essa mania de colocar a culpa nas árvores, por incidentes e acidentes decorrentes da ocupação indevida do habitat florestal.

As árvores não são as culpadas pelas calçadas rachadas, elas só estão manifestando a sua evolução natural com a expansão das suas raízes. As árvores também não são as responsáveis por contusões provocadas por galhos que caem sobre transeuntes, afinal elas estão apenas exercendo o seu direito natural de renovar suas roupagens, de tempos em tempos.

As árvores, elas sim, vivem em constante ameaça, e precisam ser protegidas. Que se encontrem formas de mantê-las a serviço da vida, sem que causem incômodos ou ameacem os que teimam em invadir seus espaços vitais’.

Obrigada, amiga e amigos, pelos seus comentários.

Hoje, Dia da Árvore, pelo menos por cinco minutos vamos nos tornar uma árvore?! Como?! Cada um tem seu modo todo peculiar de se sentir assim. Bons ventos acariciarão suas folhas, felizes pássaros farão ninhos em seus galhos, chuva mansa regará seu tronco, bromélias e orquídeas adornaram sua copa e, mesmo que apareçam parasitas, não fique preocupada, às vezes elas são necessárias.
Beijos, felicidades e a paz!

Rita Elisa Seda
Cronista, poeta, biógrafa, fotógrafa e jornalista.

12 comentários:

Silvinh@ disse...

Rita Elisa, minha querida amiga!
Belíssimo trabalho!
Adorei conhecer um pouco de uma das árvores Imunes de Corte de São José (Guapuruvu), um dia vou até aí, vê-la de perto, com certeza!!!
Imagino, agora com a chegada da Primavera, como este lindo e raro exemplar da árvore Guapuruvu, vai ficar! Rita Elisa, por favor, tire uma foto e me envie!!! rsrsrsrsrs
Mas....Foi excelente este trabalho realizado na EMEF Leonor Pereira N. Galvão, hein!!!
Que privilégio desta escola, e principalmente destas crianças, terem você por perto, Rita Elisa... Sua sensibilidade atinge e envolve a todos...É incrível!!!
Fiquei aqui pensando, como você deve ter vibrado, como seu coração deve ter batido mais forte, com o entusiasmo das crianças e jovens diante das histórias e estórias do Guapuruvu. Seus olhos devem ter brilhado...pela paixão que você demonstra por estas árvores de São José!!!
Puxa; é extremamente emocionante, principalmente, quando você comenta das sementes que recebeu dos alunos. E... Mais ainda, quando você afirma que: as guardou em seu oratório, onde estão sob seu olhar de esperança por um mundo melhor. Que lindo Rita Elisa!!! Você é sensível demais, menina!!! Quer lugar melhor, para guardar, ou melhor, depositar, as coisas e pessoas que nos são caras, raras, e especiais???
Fico Feliz, muuuuuuuuuuuuuito Feliz mesmo, em às vezes, com meus simples comentários, fazer parte do seu blog.
É um privilégio e tanto!!!Sinto-me muito honrada!!!
Ahhhhhhhhhhhhhhh....fiz a experiência que você citou no blog...rsrsrsrsrsrrsrsrs
Nossa!!! Que coisa boaaaaaaaaaa!!! Foi uma experiência e tanto...
Pois é!!! Consegui me tornar uma árvore, num lugar muito especial,pra mim; é verdade!!!
Não sei se já comentei com você, mas participo diariamente da missa, num colégio de freiras; heita lugarzinho especial, Rita Elisa!!! Um verdadeiro Oásis!!!
Lugar, onde no final da tarde, me refugio, restauro minhas forças...
E diante da sua sugestão, naquele lugar sagrado, pude fazer esta experiência...
Engraçado, ao chegar lá, hoje, a irmãzinha, logo me procurou, para eu fazer a leitura e rezar o salmo; é claro, que aceitei...
Ah, quando eu fazia a leitura, levei até um susto; me lembrei logo, que no seu blog, você citava que hoje é Dia Mundial da Paz; que pra mim foi novidade; que conhecia como Dia Mundial da Paz, o dia 01 de janeiro, instituído pelo Papa Paulo VI; pois em um dos versículos (Ef 4, 3), da leitura dizia: “Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz”. Ao voltar pro meu lugar conclui que: “Nós cristãos devemos ser exemplos vivo dessa unidade, que supera as divisões humanas. O importante tema da unidade é aqui sublinhado por Paulo através da humildade, mansidão, generosidade e, sobretudo, da caridade, do amor, que fomentam 'a unidade do espírito pelo vínculo da paz”. Devemos ser instrumentos de paz. Devemos levar a paz onde formos, devemos ser a paz... Fiquei me deliciando pela leitura e acredito que por mais de cinco minutos, pude me tornar uma árvore. É uma capela muito aconchegante... O silêncio, nos leva a aproximar de Deus...a sentir a presença de Deus. As músicas, com aquelas vozes angelicais das freiras, e o toque de um órgão, parece nos transportar para o céu... Então, não teve como não me tornar uma árvore. E, ao receber alimento para a alma e para o espírito (a Palavra de Deus e a Eucaristia), senti bons ventos me acariciando, senti como se chuva mansa regasse meu coração, bromélias e orquídeas adornassem o altar, em louvor a Deus; o criador de Tudo e de Todos.
Ah....também rezei especialmente por você. Agradeci a Deus pelo dom de sua vida, pelos dons que Ele te concedeu, por você ser esta pessoa especial, que é; por você hoje ser parte de minha história, e por sua AMIZADE, que me faz tão bem.
Obrigada, Rita Elisa!!!
Conte sempre comigo, com minha amizade e especialmente com minhas orações!!!
Forte e carinho abraço, repleto de PAZ, amiga!!!
Silvinha

Atelier Antonio Machado disse...

Obrigado Rita ELisa Seda por publicar a minha mensagem.
Aproveito o comentário para mais uma vez parabenizá-la pelo texto-lenda do Guapuvuru. Que lindo!
Minha esposa a Loyde "musa" do atelier vai aproveitá-lo nas aulas - ela é professora de espanhol...
Um abraço
Antonio Machado

Atelier Antonio Machado disse...

errata: onde escrevi guapuvuru leia-se guapuruvu.
Antonio Machado

Rita Elisa Seda disse...

Querida Silvinha, ser árvore é desenvolver a sinestesia, sem poder verbalizar essa sensiblidade. Uma certa vez escrevi sobre o "ouvir" uma árvore, certas árvores nos dão esse privilégio ao encostarmos o estetoscópio no seu tronco ouviremos a pulsação da árvore. Algo que já fiz e recomendei aos amigos, foi tudo de bom. Beijos, felicidades e a paz!

Rita Elisa Seda disse...

Olá Antônio, diga à sua Musa e esposa Loyde que pode usar a crônica em suas aulas o quanto quiser. Esse guapuruvu é mesmo lindo, na sexta feira, dia 24 de setembro, no programa Planeta Vanguarda (Globo Vale do Paraíba) haverá uma matéria a respeito dessa árvore. Beijos, felicidades e a paz!

Coordenadora Renata disse...

Que lindo trabalho!Parabéns!

Aline Negosseki disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Aline Negosseki disse...

Meu Deus! Só agora, lendo sua outra postagem, vi que vc é de SJCampos. É isso? Nâo estou enganda, não é mesmo?

Conheço essas árvores da Vila Industrial, e o Vale do Paraíba me povoa o imaginário desde, hum, não me recordo mais. Cresci aí e tenho muito carinho por todos seus mistérios.. desde o cemitério indígena que dizem haver sob o Jd. Satélite, aos mitos de senzala dos barões do café, e as doces histórias etc etc.
Não sabia sobre a árvore da amizade e achei tudo tão lindo que só me resta te pedir que me dê uma semente porque sei que é alguém que entende a tristeza que me cortou o coração quando há nem um mês cortaram as imensas e frondosas cerejeira e pitangueira que ornavam a minha janela enquanto sentava para 'trabalhar'.

Aline N.

www.alinenegosseki.com

Rita Elisa Seda disse...

Aline, continuo em SJCAmpos, mesmo morando em Goiás não perdi meu vínculo com essa minha querida cidade. Agora estou aqui na Vila, essa que você tanto descreve em lembrança lúdica. Venha ver a guapuruvu, ela está linda! Beijos, felicidades e a paz!

Aline Negosseki disse...

Espero tmb não perder.

Um dia quando for ver os parentes que aí ficaram, hei de ver o guapuruvu e então trarei a semente para habitar no meu jardim.

Bjs!
Aline

Talita disse...

Olá Rita!
Muito bonita a lenda sobre o guapuruvu e o restante do texto...
Vc disse em algum lugar que queria informações sobre a espécie, acho que eu posso te ajudar um pouquinho...
Então, pode ser mesmo que, pelo tamanho que vc disse aí, o tal guapuruvu tenha mesmo uns 60 anos. Mas sabe, isso não é muito não, não pra uma árvore. Existem árvores no Brasil que acredita-se que tenham mais de 1000 anos! Com certeza têm árvores mais antigas aí na sua cidade, mas que são menores, porque elas podem ter portes diferentes, além da diferença do tempo que leva pra cada espécie ficar adulta.
Aliás, o guapuruvu fica adulto (começa a se reproduzir) muito cedo: no seu segundo ano de vida ele já é capaz de produzir flores!
A madeira dele não é dura nem pesada, justamente por ser uma espécie de crescimento rápido. É uma espécie pioneira, e que cresce muito bem na presença de bastante luz.
Por isso mesmo que, embora seja uma espécie muito bonita, deve-se evitar o seu plantio próximo a edificações, porque como a madeira é mole, ele pode cair ou perder galhos com um vento mais forte.
Bom, espero que tenha ajudado com o pouco que eu sei sobre essa bela árvore. Precisando de algo mais, entre em contato!
Parabéns pelo blog!

Rita Elisa Seda disse...

Querida Talita, obrigada pelas informações. Existem, sim, árvores muito antigas aqui em SJCampos, há um ano escrevo a respeito delas, o guapuruvu é pela lenda indígina que foi um resgate difícil de encontrar. Temos na cidade mais de 200 Indivíduos Imunes de Corte, dentre eles um jequitibá que tem mais de 500 anos, figueiras com mais de 100 anos e outras espécies que pretendo, agora que finalizei o ciclo de palestras sobre as Àrvores Joseenses, colocar todas elas e seus causos, lendas, estórias e histórias no blog. Apenas preciso de tempo para isso, mas aguarde que até o fim do ano estarão todas aqui.
Beijos, felicidades e a paz!