PALAVRAS DE SEDA

Escrever passou a ser necessidade diária, como a respiração mantém o corpo vivo, o ato de escrever mantém minha alma solta para trafegar pelo mundo dos sonhos.
Ao me deixar levar pelas palavras visualizei novo horizonte e criei asas. Voei.
Em vinte anos escrevi dezenove livros em vários estilos: conto, crônica, poesia, romance e biografias.
Alguns de meus livros biográficos foram livremente inspirados para o cinema e TV. Ganharam prêmios.
O importante é continuar escrevendo, registrando histórias e estórias para que a memória não se perca no mundo digital.
De tanto escrever biografias resolvi deixar o registrado meu ensaio biográfico cujo viés é meu Anjo da Guarda. Pode parecer um pouco estranho, porém é bem real. Por isso, acesse também o meu blog "Os Anjos não envelhecem", eu disponibilizei meu livro na íntegra, onde constam fotografias e documentos. O livro físico está esgotado.
Viaje através das palavras. Bem-vindo (a).

















































































































sábado, 15 de maio de 2021

segunda-feira, 10 de maio de 2021

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

"Pseudopaludicola coracoralinae"

Uma homenagem à poetisa Cora Coralina.
“Cânticos da Terra” é o título do capítulo 19 da II Parte do livro "Cora Coralina Raízes de Aninha", que escrevi em parceria com Clóvis Carvalho Britto. A grande parte desse capítulo escrevi em Andradina, ainda mais quando visitei a chácara “Casinha Branca”, onde a poesia telúrica marcou presença nos seus escritos, inclusive em 1944, seu lindo poema “Terra” (até então inédito) foi publicado no jornal “O Andradina”. Aos 55 anos, ela se denominava “Mulher Terra”. Nessa chácara Cora mantinha diversas plantações, uma dela era a de milho. Sr. Ricardo Alexandre Roque, atual proprietário, conheceu “dona Cora” (aliás na estrada de terra que chega à chácara tem uma placa “Subida dona Cora”) e me disse que a poetisa fazia inovações nas plantações, sempre respeitando o meio ambiente. Era uma verdadeira ambientalista. Essa era a raiz de Cora Coralina. Raiz que nasceu em Goiás e estendeu-se pelo estado de São Paulo. Raiz que agora está nutrindo não só os brasileiros, mas os amantes da poesia coralineana estão por todo planeta. Cora estendeu suas raízes.No sítio em Andradina eu ganhei algumas espigas de milho provenientes da mesma área onde a poetisa fazia sua plantação.
Nessa época eu decorei os poemas: “Oração do Milho” e “Poema do Milho”. Inclusive os versos:  “Tempo mudado. Revoo de saúva / Trovão surdo, tropeiro. / Na vazante do brejo, no lameiro, / o sapo-fole, o sapo-ferreiro, o sapo-cachorro / Acauã da madrugada / marcando o tempo, chamando chuva” do livro "Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais (UFG, p.110).
E a chuva veio... e o cheiro da terra molhada relembra os versos de Cora. A chuva se fez presente em poças d’água no meio do milharal. Foi então que, segundo vários jornais anunciaram, os pesquisadores Felipe Silva de Andrade e Isabelle Aquemi Haga, captaram a vocalização da nova espécie de anfíbio em Palmeiras de Goiás, cidade distante cerca de 209 km de Goiás, terra natal de Cora Coralina. No meio daquele milharal encontraram um pequeno sapo marrom (entre 1,25cm e 1,53cm) entoando seu coaxar que pode ser ouvido à distância. Esse pequenino anfíbio foi batizado cientificamente como “Pseudopaludicola coracoralinae” pelo grupo de pesquisadores das Universidades Estaduais de Campinas (Unicamp), Paulista (Unesp), no campus Rio Claro, e da Universidade Federal de Uberlândia, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
O artigo a respeito do novo anfíbio foi publicado no European Journal of Taxonomy no dia 3 de julho de 2020, escrito por: Felipe Andrade e Isabela Haga, Mariana Lúcio Lyra, Thiago Ribeiro de Carvalho, Célio Fernando Baptista Haddad, Ariovaldo Antonio Giaretta e Luís Felipe Toledo.
Cora Coralina está no coaxar vibrante de um Pseudopaludicola coracoralinae que, no meio do milharal, anuncia que há umidade para que as espigas cresçam e gerem alimento para homens, animais e aves. Quem sabe se daqui a alguns anos, com o avanço da ciência tecnológica possamos decodificar esse coaxar e encontrar lindos poemas de amor à plantação.

NOSSA SENHORA DAS LÁGRIMAS, JESUS MANIETADO, IRMÃ AMÁLIA DE JESUS FLAGELADO!




 

ANTOLOGIA JANELA E PORTAS DA ALMA



 

CRÔNICA REVISTA VISÃO VALE - AGOSTO

 

segunda-feira, 6 de julho de 2020

ALBERT SABIN




Em épocas de Pandemia e discussão de tantas possibilidades é bom nos lembrar da história da vacina contra a Poliomielite:
"Albert Bruce Sabin nasceu em 1906 em Białystok, Polônia. Médico e virologista judeu, naturalizado americano, ficou famoso por descobrir a vacina contra a Poliomielite e por renunciar ao dinheiro da patente permitindo a sua propagação para todos, incluindo entre os pobres. Entre 1959 e 1961, milhões de crianças dos países de Leste, Ásia e Europa foram vacinadas: a vacina contra a poliomielite de Sabin foi autorizada na Itália em 1963, tornada obrigatória em 1966, erradicando assim a doença no país.
Ele disse: 'Muitos insistiram que eu patenteasse a vacina, mas eu não quis. Este é o meu presente para todas as crianças do mundo'. Esse foi o testamento dele.

OSWALDO CRUZ



Oswaldo Cruz, filho de cariocas, nasceu em São Luiz do Paraitinga (SP). Aos cinco anos, acompanhou a família no retorno ao Rio de Janeiro.
Ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1887, formando se em 1892, com a tese "A vehiculação microbiana pelas águas".
Em 1896 estagiou durante três anos no Instituto Pasteur - Paris, sendo discípulo de Émile Roux, seu diretor. Voltou ao Brasil em 1899 e organizou o combate ao surto de Peste Bulbônica que fora registrado em Santos (SP) e em outras cidades portuárias. Demonstrou que a epidemia era incontrolável sem o emprego do soto adequado. Como a importação era demorada, propôs ao governo a instalação de um instituto para fabricá-lo.
Foi então criado o Instituto Soroterápico Federal (1900), cuja direção assumiu em 1902.
Diretor-geral da Saúde Pública (1903), coordenou as campanhas de erradicação da Febre Amarela e da Varíola, no Rio de Janeiro. A nomeação foi uma surpresa geral. Organizou os batalhões de "mata-mosquitos", encarregados de eliminar os focos dos insetos transmissores. Convenceu Rodrigues Alves a decretar a vacinação obrigatória, o que provocou a rebelião de populares e da Escola Militar (1904) contra o que consideram uma invasão de suas casas e uma vacinação forçada, o que ficou conhecido como "Revolta da Vacina". A cidade do Rio de Janeiro era uma das mais sujas do mundo, pois dos boletins sanitários da época se lê que a Saúde Pública em um mês vistoriou 14.772 prédios, extinguiu 2.328 focos de larvas, limpou 2.091 calhas e telhados, 17.744 ralos e 28.200 tinas. Lavou 11.550 caixas automáticas e registos, 3.370 caixas d´água, 173 sarjetas, retirando 6.559 baldes de lixo e dos quintais de casas e terrenos 36 carroças de lixo, gastando 1.901 litros de petróleo (são dados do livro indicado abaixo, de Sales Guerra).
Houve um momento em que Oswaldo Cruz foi apontado como inimigo do povo, nos jornais, nos discursos da Câmara e do Senado, nas caricaturas e nas modinhas de Carnaval. Houve uma revolta, tristemente célebre como a "Revolta do quebra-lampião", em que todos os lampiões foram quebrados pela fúria popular, alimentada criminosamente durante meses pela demagogia de fanáticos, ignorantes e pela mídia (jornais e revistas).
Oswaldo Criz foi premiado no Congresso Internacional de Higiene e Demografia, em Berlim (1907), deixou a Saúde Pública (1909).
Dirigiu a campanha de erradicação da Febre Amarela em Belém do Pará e estudou as condições sanitárias do vale do rio Amazonas e da região onde seria construída a Estrada de Ferro em Rondônia.
Em 1916 ajudou a fundar a Academia Brasileira de Ciências e, no mesmo ano, assumiu a prefeitura de Petrópolis. Doente, faleceu vítima de insuficiência renal, um ano depois, não tendo completado o seu mandato.

PAPA JOÃO PAULO II EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS-SP


"O primeiro papa que visitou o Brasil foi João Paulo II, quando tinha apenas dois anos de seu pontificado. No dia 30 de junho de 1980, o sumo pontífice chegou a Brasília e realizou sua célebre marca de ajoelhar-se e beijar o solo, saudando e abençoando o lugar" (por: Rita Elisa Seda; in: Franz de Castro Holzwarth - Apóstolo da Misericordia, p.308). No dia 04 de julho quando estava a caminho de Aparecida, papa João Paulo II visitou São José dos Campos para troca de aeronave. Eu morava na Vila Letônia e fui até a cerca (naquela época era de arame) do aeroporto. Carrego em meu coração a imagem do pontífice ao descer a escada do avião, abaixar-se e beijar o solo Joseense. Lágrimas correram de meus olhos... na verdade essa lembrança ainda me traz emoções que sou incapaz de traduzir em palavras.
Foto: Papa João Paulo II no aeroporto professor Urbano Stunpf - São José dos Campos. (In: Franz de Castro Holzwarth - Apóstolo da Misericordia, p.309).

CORA CORALINA TODAS AS VIDAS - CORA CORALINA RAÍZES DE ANINHA

Há quatro anos eu fiz este post no Facebook  a respeito do pré-lançamento do filme Cora Coralina Todas as Vidas - livremente inspirado no livro Cora Coralina Raízes de Aninha que eu e Clóvis escrevemos.

"Acredito na força do amor, acredito que os sonhos não envelhecem. Este fim de semana foi intenso em alegrias e amor. Dois eventos que me trouxeram ‘palavras novas’... sim, como disse Clarice Lispector: ‘Felicidade é pouco... o que eu quero ainda não tem nome’.
No Encontro na Mantiqueira, no bate-papo com autores, a mediadora me perguntou o que eu ‘sonho’ e eu disse que estou em tempo de ‘realizar os sonhos’. Há muitas décadas eu cultivo um jardim de sonhos e ultimamente ele está florindo, os sonhos se realizando.
O evento de pré-estreia do longa-metragem (documentário- ficção) Cora Coralina Todas as Vidas foi ótimo.
Fiz questão de estar em Paraty e junto com amigos assistir ao filme. Quando recebemos amor... doamos amor.
Meus amigos estiveram presentes, foram de carro, alugaram vans, ônibus e até mesmo de iate. Todos sorrindo, animados. Durante a exibição do filme houve aplausos, manifestações de carinho pela poetisa maior ‘Cora Coralina’.
Sim... posso ser suspeita para falar, mesmo assim eu digo: o filme é lindo!
Agradeço os amigos e as amigas que estiveram presentes.
Felicidades, saúde e paz."









































MONTEIRO LOBATO

 
 
 
No dia dois de julho de 1948, Monteiro Lobato em entrevista para o jornalista Murilo, na rádio Record, disse: “... perdi tempo escrevendo para gente grande, que é uma coisa que não vale a pena”.
Ele havia sofrido um “espasmo vascular” no dia 21 de abril de 1948 e, dentre as complicações, ficou com a visão debilitada, não conseguia ler e muito menos escrever.
Dois meses depois, no dia 23 de junho, com muita dificuldade escreveu para seu eterno amigo Godofredo Rangel uma carta onde se desculpou que escrevia a lápis porque a pena lhe saía mal.
A tristeza dele foi por causa do tempo em que lhe foi privada a leitura, segredou ao amigo Rangel “E que falta ela me faz! A civilização me fez um ‘animal que lê’, como o porco é um animal que come – e os dois meses já sem leitura me vem deixando estranhamente faminto. Imagine Rabicó sem cascas de abóbora por 30 dias!” Lobato ficou tão triste por não poder ler e escrever que afirmou “... que venha a morte que será muito bem recebida”.
Na entrevista à rádio Record ele finalizou dizendo que se voltasse a viver de novo ia “entrar pelo mesmo caminho” porque tinha as compensações do convívio e amizade das crianças.
Dali a dois dias, no dia quatro de julho de 1948, em um frio domingo paulistano, o coração de Lobato parou de bater em seu peito... hoje, sabemos que o coração dele bate no compasso das palavras registradas em seus livros infantis.
Obrigada, Monteiro Lobato, por continuar existindo nos sorrisos e sonhos de seus leitores. Sou uma delas.

sábado, 27 de junho de 2020

AS FLORES DE NHÁ CHICA

AS FLORES DE NHÁ CHICA!

Tem certas docilidades do Espírito que não tem explicação para a mente humana e, sim, para a alma, ainda mais quando acreditamos no nosso Anjo da Guarda. Desde que meu amigo Irmão Maciel me disse que me trouxe de presente, da região de Baependi, especialmente de Aiuruoca, plantada pela mãe dele... as florzinhas de Nhá Chica, ah!... minha alma criou uma enorme ansiedade de ver a flor.
Por causa do depoimento dele no livro Nhá Chica Mãe dos Pobres eu nutria uma enorme vontade de ver essa flor. Precisava ir ao encontro de Maciel e pegar meu presente. Corria perigo de perder minha muda, o tempo estava quente demais, a plantinha estava ressecando e podia até morrer. Fiquei alarmada e marquei de ir busca-la na manhã seguinte e assim o fiz, viajei alguns quilômetros em busca da minha surpresa.
Chegando a Aparecida, Irmão Maciel me surpreendeu, sim, uma surpresa maior ainda do que eu esperava, pois para meu encantamento, eram duas mudas, idênticas, nas duas havia duas flores recém-abertas. Flores singelas, totalizadas em pistilos que vão de um miolo claro, quase branco até ao roxo total. Fiquei emocionada e me lembrei de minha avó Pepa, falei para o Maciel: ‘me veio à lembrança a minha avó Pepa’. Foi ela quem me apresentou Nhá Chica, ela que veio da Itália direto para Baependi; nutriu em meu coração grande amizade e devoção a Nhá Chica.
Agradeci, muito, com palavras, mas o principal... agradeci com a alma, ao amigo Maciel pelo presente que ganhei. Com imensa alegria entrei na antiga igreja de Aparecida, local onde meus pais se casaram e onde eu me casei, apresentei os vasos de flores à maravilhosa Imaculada Conceição Aparecida e agradeci a amizade do Irmão Maciel, do presente, da beata Nhá Chica e, com certeza, aquelas flores eram o sinal Mariano de que Deus está no controle de minha vida. Com Fé em Deus, na Misericórdia Divina, em devoção à Imaculada Conceição e com carinho especial pela beata Nhá Chica; em companhia de meu Anjo eu me prostrei em adoração à Santíssima Trindade.
Minha questão passou a ser: aonde plantar as mudas? Se no sítio Nhá Chica das Cigarras ou no jardim de casa, na cidade?! Esse impasse durou dois dias, em oração, pedi discernimento ao meu Anjo da Guarda. Cheguei ao ponto de ficar horas e horas, de madrugada, olhando os vasos de flores que, então, estavam alegrando meu cantinho onde tenho uma antiga imagem da beata Nhá Chica. O discernimento veio me informando que era para eu plantar as mudas de flores no sítio. Afinal, o sítio leva do nome da beata Nhá Chica porque foi ela quem me ajudou a encontrar aquele Paraíso.

DICA: Quando precisar decidir algo especial, lembre-se que seu Anjo é um mensageiro, ele pode e deve ajuda-lo a orar em adoração à Santíssima Trindade.




ANJO JARDINEIRO - FLORES DE NHÁ CHICA

ANJO JARDINEIRO!

Aprendi, durante mais de 50 anos que Deus permite nosso Anjo nos trazer mensagens que devemos ter discernimento para escuta-las e sabedoria para executá-las. Muitas vezes eu tive o discernimento do que deveria fazer e pensei assim: ‘já que meu Anjo me deu o discernimento Ele vai atuar e fazer que isso aconteça’... e muitas vezes isso não aconteceu, porque eu fiquei de braços cruzados esperando que o enviado de Deus agisse em meu lugar.
Entendi, depois de perder muitas graças, que preciso agir, que o caminho foi ensinado, mas preciso andar. Algumas vezes aconteceu de não precisar fazer algo para a realização, mas foram poucas vezes e, mesmo assim, foram tão marcantes que pensei que eu tivesse atingido um patamar especial na convivência com meu Anjo. Na verdade eu abri a guarda, pensei que nada mais dependesse de meu querer. Até que, algumas coisas ruins começaram a acontecer e, entendi que eu precisava agir, pois culpar meu Anjo por esses acontecimentos não me levaria ao entendimento supremo, ao Criador. Ficamos com problemas financeiros e, por isso, colocamos o sítio à venda. Mesmo assim, acatei a sugestão do Anjo e levei as flores para o sítio.
Cheguei ao sítio e deixei as mudas embaixo de uma árvore, em frente à porta da cozinha, para plantá-las depois que chovesse. Mas, a chuva não veio. De olho no céu em busca de nuvens de chuva a cada hora eu verificava as plantinhas, se muito secas... eu as molhava, cuidando para não encharcar. Até mesmo na madrugada eu verificava se as plantas estavam bem. Os dias passaram, o calor era intenso. Até que, em certo dia, bem cedinho, eu resolvi e plantá-las em diferentes locais no jardim. Plantei-as e as marquei com pedaços de bambu; pois ao roçar o jardim, poderia machucar ou, até mesmo, arrancar as mudas.
Depois de plantadas, orei para que Nhá Chica me desse discernimento a respeito do sítio. Foi quando me veio à memória que aquele dia era a data de aniversário de minha avó Pepa e de tia Elisa (cinco de fevereiro). Fui para o quarto e chorei muito. Algo estranho tomou conta de meu coração, tanto pela minha avó, quanto pela minha tia. Orei pelas almas delas e pedi muito pela minha família, pelos parentes, pelos amigos e pelos que leem o livro Nhá Chica Mãe dos Pobres. Uma onda de felicidade invadiu minha alma.
O calor estava demais, disseram que era o verão mais quente dos últimos 70 anos, mesmo à noite fazia 25 graus e de dia, chegou aos 37 graus, ali naquele lugar onde a temperatura sempre foi baixa. Eu cuidava o tempo todo das mudas, sempre de olho para não secarem. Fiz um sistema de irrigação que acionava de manhã e à tarde para que as mudas estivessem hidratadas. Incrível é que, minutos depois de tê-las plantado, as minhas criações (galos, galinhas, pintinhos, pombas, passarinhos, cachorros e um gato) ficaram no entorno das florzinhas de Nhá Chica, deitaram e passaram a maior parte do tempo ao lado das plantinhas. Chegou ao ponto de não ter lugar para uma das galinhas e ela, por incrível que pareça, voou até o alto do poste (ao lado das mudinhas) e de lá... ficou olhando as florzinhas.
Depois de aguar minhas florzinhas de Nhá Chica resolvi dar uma volta pelo sítio. Desci o morro, passando pela gruta de Nossa Senhora de Lourdes, peguei estrada, como sempre, ando apenas dentro de minha propriedade. Passei pela parte mais longa da estrada, com olhar atento ao rio, às árvores, às pedras do caminho; fiquei assustada pelo mato seco, pelas árvores ressequidas, pelo rio com pouca água. Quase não havia vegetação no caminho, até que algo me chamou atenção... eu vi, na beira na cerca, uma touceira verde, bem verde.
Cheguei mais perto, esfreguei os olhos, meu coração palpitou tanto que pensei que eu ia morrer. Olhei novamente e era mesmo verdade... ali, diante de meus olhos, uma touceira das florzinhas de Nhá Chica. Eu entrei em êxtase. Minha felicidade era tanta que não conseguia falar, na verdade não conseguia pensar. Nesse momento, senti minha alma e meu corpo em agradecimento a Deus, pela Misericórdia de Seu Filho Jesus, depois agradeci a Imaculada Conceição, me lembrei de quando levei as mudas até o altar em Aparecida, agradeci a beata Nhá Chica; me veio a lembrança da avó Pepa e, logo em seguida, me identifiquei no mundo. Como se eu estivesse aqui, neste mundo, para viver as maravilhas da FÉ.
Não sei quanto tempo fiquei ali, olhando as flores. Só sei que quando eu consegui sair dessa espécie de delírio da alma eu gritei pelo meu marido. Eu nunca havia gritado por ele assim de tão longe, ele se assustou e veio correndo, cortando caminho por meio do morro, desesperado. Daí eu gritei que era por uma coisa boa que podia vir devagar. Quando ele chegou eu mostrei para ele a touceira com as flores de Nhá Chica, ali na beira da estrada, tão longe do lugar onde eu havia plantado as que eu ganhei. Ele ficou admirado, não sabia se ria ou chorava, pois viu o quanto que eu cuidei e tive medo que as flores desaparecessem e, agora, ali, uma touceira da flor, sem que precisasse de irrigação ou atenção especial. Na verdade, aquela era uma atenção especial de Deus para conosco. Andei mais um pouco a cada passo uma nova touceira com as flores de Nhá Chica apareciam na beira da estrada, escondidas entre o mato e, outras, à mostra na terra seca.
Ainda hoje sinto este gosto de eternidade na minha garganta. Precisava registrar isso, escrever essa alegria. Sei que muitas tristezas entram no coração humano ao lerem as ruindades eminentes no mundo, sei também, que as alegrias precisam ser compartilhadas para que reguem a semente da FÉ. Na verdade este sinal de Nhá Chica é para dizer que não precisamos ficar tão preocupados, que é Deus quem está no controle e que Ele tudo pode, devemos apreciar as bondades do PAI’.

DICA: Partilhe com amigos as alegrias que você recebe de seu Anjo da Guarda. Também, deixe esses registros em um caderno, pontuando as alegrias desse convívio angelical. Não tenha receio em falar e em escrever. Seu Anjo vai gostar.


quarta-feira, 24 de junho de 2020

PIONEIROS VISIONÁRIOS - IVON LUIZ PINTO






Ivon Luiz Pinto é natural de Delfim Moreira-MG, reside em Santa Rita do Sapucaí desde o início da década de 1960.
Graduado em Farmácia, Pedagogia, História, com pós-graduação em Psicologia analítica de Jung. É cronista do jornal "Empório" - Santa Rita do Sapucaí. Foi agraciado com a medalha Zenóbio da Costa e a medalha Garra e Coragem - Santa Rita do Sapucaí.


PREFÁCIO


O historiador Ivon Luiz Pinto desvenda o empenho do casal Manoel José da Fonseca e Janubeva Maria Martins da Fonseca levando o leitor a explorar o estabelecimento de uma capela em homenagem à Santa Rita de Cássia numa época em que a tão querida santa nem mesmo era canonizada pela Igreja e, sim, pelos seus devotos que já a elegeram como Santa.
(...)
O livro traz fatos essenciais para melhor compreensão da evolução sócio-política-religiosa de Santa Rita do Sapucaí, desde sua fundação. Inclusive, elementos culturais que permeiam os valores duráveis à vida humana.
O processo de pesquisa foi alavancado pela necessidade de tornar públicos os documentos importantes à historicidade da região do Sul de Minas, principalmente a região do Vale do Sapucaí.
(...)
Destro do estilo pitoresco de cronista que há anos escreve para jornais santa-ritenses, Ivon Luiz Pinto é fecundo catalisador de emoções, como não podia deixar de ser, neste livro ele pontua: estórias, causos e lendas, a respeito da cidade.
(...)
“Pioneiros Visionários – Fragmentos da História de Santa Rita do Sapucaí” é leitura obrigatória para todos que desejam maiores conhecimentos a respeito da região do Sul de Minas. 

Rita Elisa Seda 













sábado, 20 de junho de 2020

MÃE APARECIDA NO BRASIL - JOSÉ MAURO MACIEL




José Mauro Maciel é irmão redentorista, nascido em Aiuruoca-MG, desbravador de documentos antigos, incansável pesquisador.
Recomendo esse livro para os que se interessam pela história do Brasil!

PREFÁCIO

Com um firme olhar de pesquisador que perpassa a história a limpo, Irmão Maciel conduz o leitor. Divide conhecimentos adquiridos durante anos de leitura em acervos particulares e públicos trazendo à luz importantes documentos da memória nacional.

A representatividade iconográfica descrita por Maciel, incutida na
imagenzinha de Aparecida tem destaque bíblico onde o autor traduz como sendo uma tentativa de mostrar a Imaculada Conceição como reflexo do “Sol nascente”: Jesus Cristo. Conclui que o querer Divino germinou e está presente em Maria tornou-se um norte de santidade para os cristãos. A importância da imagem como um recurso de evangelização, como se fosse uma Bíblia dos analfabetos.

O autor pontua várias etapas determinadas pelo Reino de Portugal em defender a veneração pela Imaculada Conceição, dando ao Brasil colônia uma formação mariana.

Maciel traz de maneira enigmática a energia de Maria dentro da Igreja Católica, uma força que coexiste no momento sublime e divino da fecundidade em Maria. Condescendente a essa dualidade, tornou-se a Cheia de Graça, a que recebe e dá com amor filial e matriarcal, pois é o Sacrário Vivo e distribui benefícios para a
humanidade. Assim, o autor mostra que a figura da Igreja é comparada à “imagem e semelhança” de Maria.

Na busca do divino no cotidiano, Maciel nos alerta que o Ser Igreja está no acreditar e praticar o bem. A fecundidade da Igreja está inserida em Maria, porque Ela foi “a” escolhida, a Virgem Mãe do Senhor. Convida-nos participar à realidade humana... sem nos omitirmos a dignidade divina.

Exemplificando a devoção Mariana, Irmão Maciel cita diversos santos, teólogos, filósofos e pensadores católicos, que defenderam e escreveram a respeito da Imaculada Conceição de Maria. Autores de obras que perpetuaram o ensinamento e a crença da condição Imaculada de Nossa Senhora; os costumes das universidades europeias em defender a pureza de Maria, concebida sem pecado; as homilias de santos e papas à proteção da Imaculada Conceição da Mãe de Jesus; culminando com o dia 08 de dezembro de 1854, quando constou como dogma da Igreja.

Na mostra do mistério que existe no encontro à imagem de Aparecida, Maciel dá um grito de origem, acordando os que dormem à margem da história, os que se dizem cristãos e não entram na canoa para jogar a rede... Ele há alguns anos entrou no barco e continua dentro dele para pescar e saciar a fome de veracidade histórica; dedica seu tempo, sua visão, seu intelecto, sua habilidade cristã em acreditar, ter fé que conseguirá recolher a rede com uma grande soma de peixes-documentos que irão saciar a fome dos historiadores, pesquisadores e, principalmente, os devotos de Nossa Senhora. Mesmo que, para isso, precisou esperar; remar em águas que pareciam infrutíferas, jogar a rede era questão de servir a Deus. Jogou e... algumas vezes nada veio; porém, nos outros lances recolheu a rede cheia de novidades históricas.

Por isso, o Irmão Redentorista foi dinâmico e sensível em trazer essa luz, que são documentos pinçados com a delicadeza impregnada de partilha, para clarear alguns fatos que ainda estavam perdidos na escuridão da história.
(...)

Alerto para que a leitura deste livro seja feita em um local silencioso, onde o poder das palavras trará a magia da viagem ao passado, onde você leitor poderá subir e descer serras, atravessar os rios, fugir de baleias, passar fome ou se saciar com içás e carne de macaco. Este não é um livro comum. Prepare-se para uma aventura.

Uma dessas aventuras é a descrição da viagem e atos do português Dom Pedro de Almeida Portugal e Vasconcelos que chegando ao Brasil, por causa do seu vasto conhecimento das Leis da Coroa, da Igreja e dos Costumes, foi nomeado governador e capitão general das Capitanias de São Paulo e Minas Gerais.
(...)

Singular a leitura feita por Maciel a respeito da composição física à imagem de Nossa Senhora Aparecida: “possui traços europeus e está vestida à moda dos brancos, com cabelos indígenas e de cor negra.” Maciel tornou-a um ícone que amálgama as raças que deram origem ao povo brasileiro, simbolizando a transcendência à vida terrena, pois o barro é pó (terra), misturado com água, moldado e vitrificado através do fogo, passamos por todas essas etapas para sermos unidos, sem a fragmentação racial, ao longo dos anos nos tornamos apenas brasileiros.
(...)

No compasso da história, Maciel move os ponteiros na linha cronológica do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida até o jubileu dos 300 anos da aparição. Ancorado em documentos, este livro é um acervo para os que navegam pelo oceano da história. Ao começar a leitura, você dará um pequeno passo para o homem... mas um gigantesco salto para sua espiritualidade. 
Boa viagem.

Rita Elisa Seda




Pedidos para a Editora Santuário: www.editorasantuario.com.br
ou no Memorial Redentorista Paulo Vitor, museu em Aparecida; com direito a autógrafo do autor que é o curador do Memorial.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

NHÁ CHICA A MÃE DOS POBRES


 

    

    O livro “Nhá Chica a mãe dos Pobres” traz novos documentos que foram encontrados recentemente. Foi em 2015, depois de dois anos da beatificação de Francisca de Paula de Jesus – Nhá Chica, que o advogado, historiador e pesquisador de Caxambú, Antônio Claret Maciel Santos encontrou no acervo da paróquia de Santa Maria de Baependi, o Livro de Óbitos da Igreja Nossa Senhora do Montserrat, relativo ao período de outubro de 1841 a maio de 1869, folha 4, onde consta o óbito e testamento de Izabel Maria da Silva – mãe da Nhá Chica.
Na época, o vigário Interino, Julião Carlos Rangel da Silva fez o assento do documento e assinou. Ele escreveu que no primeiro dia do mês de novembro de 1843, Izabel Maria da Silva, parda, solteira recebeu os sacramentos e faleceu com febre.
    Precisamos entender a questão de como eram categorizados e denominados as questões raciais no Brasil da época. No artigo “Escravidão e Cor nos Censos de Porto Seguro Feliz (São Paulo, Século XIX)" escrito pelo dr. Roberto Guedes, doutor em História Scial pela UFRJ, professor do Departamento de História e Economia da UFRural-RJ, publicado nos Anais do  XXVI Simpósio Nacional de História - ANPUH, São Paulo, em julho de 2011;  explica que  “nos mapas de população da vila, classificam-se brancos, pardos, mulatos e pretos livres, isto é, pardos livres, pretos livres e mulatos livres” e que essa avaliação era feita por responsável das listas e dos mapas, mas não invalidava a ideia de haver um critério pontual e outro genérico, bem como uma correspondência entre preto e negro, de um lado, e pardo e mulato, de outro; sendo o pardo mais claro que o mulato. 
    Dr. Roberto Guedes diz que: de qualquer modo, tudo indica uma caracterização pontual e personalizada nas listas uma vez que mesmas pessoas/famílias frequentemente mudavam de cor. Em 1803, Alexandre de Madureira e sua esposa Inácia Maria eram negroa, mas em 1808, ambos eram pardos. Antônio de Pontes e sua esposa, Beatriz Maria eram mulatos em 1813 e negros em 1818. Não sei porque enegreceram, mas nunca foram pardos. Outro que mudou de cor foi Antônio Gonçalves. Em 1803, 1808 e 1818, eram brancos. Geralmente, quando a cor do chefe do domicílio se modificava, as de seus parentes, filhos, cônjuges, seguiam-na. Provavelmente, a alterações das cores reforce a possibilidade de os recenseadores lançarem mão de um critério pontual dirigido a determinadas pessoas em certas situações (no que as relações pessoais podiam interferir), bem como remete ao lugar social conforme as circunstâncias sociais."
    Então o vigário que escreveu o assento de óbito da Nhá Chica denominou Izabel Maria da Silva de “parda”.
    Outra questão é a fotografia que reproduzi do livro “Nhá Chica a pérola escondida”, de frei Jacintho Palazzolo; historiador que nos deixou importantes obras como: “História da cidade de São Fidélis: 1781-1963”. O religioso ao publicar a fotografia deu-lhe todas as referências, ele a recebeu de Adolfina Noronha de Figueiredo Pelúcio, viúva do historiador José Alberto Pelúcio, que no verso da imagem escreveu: “Francisca de Paula (Nhá Chica) ainda relativamente moça.” Pelúcio é de Baependi, escreveu a obra “Baependi templos e crentes”, tinha ética em suas publicações e ainda mais no que escrevia, não podemos dizer que ele errou ao referenciar a foto.
    Mas ficou a questão qual é essa época em que Francisca de Paula era relativamente moça? Se a mãe dela faleceu em 1843,ela poderia ter de 33 (no Registro Tardio consta o ano de 1810 – batizado de Nhá Chica) a 35 anos... ou até mais. Eu coloquei no livro, na página 28, que “talvez” esse retrato seja de quando ela tinha 35 anos, por causa da influência de seu irmão Theotônio no comércio, política e religião em Baependi. Na verdade não sabemos a época, por isso não dei certeza, levando em conta que em 1843 faleceu a mãe de Nhá Chica e então ela resolveu mudar-se para a Rua das Cavalhadas e fazer seu voto de pobreza. O meu talvez é porque essa fotografia pode ser dela com mais idade, até mesmo 40 ou 50 anos. 
    Outra questão é que na fotografia ela aparece com a tez mais clara do que atualmente as pessoas esperam. Podemos levar em conta que uma chapa fotográfica (pesava 8 quilos na época, meados do século XIX) tinha de ser um registro bem feito, não foi ao ar livre e para isso o tempo de exposição era maior, e podia deixar a pessoa mais clara, pois entrava mais luz. Essa superexposição era comum. Eram raras as fotografias nessa época, só mesmo pessoas de posse podiam ter o privilégio desse registro. Se Nhá Chica se arrumou toda, com vestido florido, para que Henrique Monat fizesse um registro fotográfico dela (1895), não podemos descartar essa outra fotografia apenas porque não sabemos a data em que foi feita ou por causa da cor da pele. Agora entendo frei Palazzolo quando fez questão de colocar tantas referências a respeito da foto. 
    Consta no livro outro documento importante recentemente encontrado pelo pesquisador irmão José Maciel C.Ss.R., o registro do casamento de Maria Joaquina (irmã de Nhá Chica) com João Garcia.
    Eu não coloquei no livro esses novos documentos e a fotografia para criar problemas; mas para lembrarmos que a beata Nhá Chica nos deixou um legado de fé e humildade. Recebi esses documentos em 2015 e fiquei em oração e discernimento para saber se deveria mostra-los em uma publicação. Ainda mais que haveria uma desconstrução de uma parte da história do primeiro livro biográfico que escrevi sobre a beata Nhá Chica, assim como aconteceu com as referentes obras de todos outros biógrafos. Optei pela humildade de mostrar esses novos documentos e de relembrar uma antiga fotografia que foi publicada em 1958. A perseguição que estou recebendo por causa de expor essas verdades está grande, mas maior é a Misericórdia de Deus.
    Meus avós quando vieram da Sardenha (Itália) foram trabalhar em Baependi, lá se conheceram e depois de casados, morando na Faisqueira (reduto de italianos perto de Pouso Alegre) voltaram para trabalhar em Cruzília e Caxambú, por gostarem de ficar perto de Baependi. Minha avó Josepha Patta Seda, me ensinou a rezar o terço da Nhá Chica, o qual oro há mais de 50 anos. E é esse o tempo, também, que frequento a casa de Nhá Chica e igreja Nossa Senhora da Conceição, bem antes de ser santuário, bem antes de ter tantas peregrinações a Baependi. Nesses anos todos eu compartilhei com parentes e amigos a vida de Nhá Chica e ensinei muitas pessoas a orarem o terço; dezenas delas conseguiram milagres, alguns desses milagres eu enviei para constar no processo de canonização de Francisca de Paula de Jesus. Muitos foram os milagres que a santinha de Baependi conseguiu para minha vida e de minha família, através da intercessão da Imaculada Conceição junto à Santíssima Trindade. por isso diariamente eu digo: Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. E agradeço a beata Nhá Chica pelos benefícios que consegue a todos que oram para ela.