PALAVRAS DE SEDA

Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras. Palavras são como folhas de plátano soltas ao vento... em direção aos novos horizontes, voando irreverentes sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem... sempre a favor do vento.
Assim é o ato da escrita, deixar fluir palavras que, voando devagar, ao caírem, adubarão terras distantes.

















































































































quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Lendas Urbanas Joseenses




Sou fascinada por Lendas Urbanas e, com isso, adquiri um vasto acervo a este respeito, especialmente as de São José dos Campos. O imaginário coletivo faz com que certos acontecimentos sejam inexplicáveis, mas, na maioria, tem um lógico esclarecimento. Vou pontuar algumas Lendas que me marcaram. A maioria eu verifiquei pessoalmente, pesquisei, conversei com testemunhas oculares, outras tenho apenas os recortes dos jornais, amarelados, guardados como lembranças.

Viagem sem volta
Ao passar pelo estacionamento da Rodoviária Nova, há um veículo vermelho (quase verde de tanto limbo) que, resistente ao tempo, espera pela volta do motorista. Diz a Lenda que o motorista foi viajar de ônibus e deixou o carro Variant nas imediações da Rodoviária (naquele tempo o estacionamento não era fechado), mas... jamais voltou. Conversei com o Alexandre, vigia de carros, que mora dentro de um veículo Gol branco, sempre estacionado perto da Rodoviária. Ele me disse que à noite, quando vai dormir, lá pelas tantas da madrugada, escuta vozes vindas lá da Variant, até já se acostumou com isso, mas não gosta de falar disso não! Quem vê o carro todo detonado pela ação do tempo percebe que a placa (Franco da Rocha – CXS 0106) está intacta, sem deterioração.




Lágrimas e bananas
O outro caso é o do seu Zé Banana que ao caminhar pelas ruas do Jardim Paulista as pessoas jogavam uma casca de banana bem na frente dele, só para vê-lo xingar, sentar-se aonde for e chorar. Conta a Lenda que, toda a semana, fazia o joguinho da Loto, preenchia uns dez cartões, escolhia um e o pagava, sempre na mesma lotérica. Até que um dia, ao chegar à lotérica, bem na porta, escorregou em uma casca de banana e zás!... caiu e quebrou a perna. Não pode fazer sua “fezinha” e, por obra do destino, os números sorteados foram os que ele havia marcado no cartão. Pirou de vez.



Lobisomem
Tem a Lenda do Lobisomem do Tiro de Guerra. Essa foi há mais ou menos 20 anos. Ali do lado do Teatrão, onde agora é um posto de gasolina, antes era um terreno baldio, lugar para parques e circos itinerantes. Foi numa noite de inverno, algumas pessoas velavam o corpo de uma criança na URBAM, tempo em que o local ainda não estava fechado por grades, ali tudo era aberto. Em frente ao velório é o Tiro de Guerra. Foi depois da meia noite, os enlutados ouviram gritos de socorro, saíram para ajudar, foi quando avistaram no meio da neblina um vulto peludo que vinha correndo, de quatro e, de repente... levantou-se em duas pernas ficando enorme. Foi uma gritaria, um Deus nos acuda por todo lado. Da guarita do Tiro de Guerra pulou o soldado armado, fez mira, acertou em cheio... o macaco que havia fugido do circo.



Velhinha
Uma Lenda bem antiga é a da Velhinha de cabelos brancos que, cansada, triste e trêmula, procurava pelos seus entes queridos enterrados no antigo cemitério, no tempo em que São José dos Campos ainda era uma aldeia. Atualmente ali é o Largo São Miguel, permanece pelo menos a Capela, bem no coração da cidade, onde hoje existe um estacionamento de carros. Era ali o antigo cemitério. Conta a Lenda que a velhinha não sabia que tinham mudado o cemitério dali para o atual, na rua Antônio Saes (1882).  Ela ficou o dia todo procurando seus finados, andando de um lado para o outro onde, naquela época, passou a ser um jardim; murmurava preces, gemia. No outro dia os primeiros raios de sol iluminaram, entre as flores, uma velhinha de cabelos brancos com um xale preto cobrindo o frágil corpo, inerte. Encontrou seus entes queridos em outra dimensão. Mas, dizem que ela vem ao Largo da Capela São Miguel todo Dia de Finados e fica dia e noite, por ali, passeando.




São tantas lendas, a da casa que era apedrejada noite e dia, na vila Letônia, tinha o telhado todo quebrado pelas pedras; a do diabo que dançou com as moças na danceteria Casa Blanca; a do cemitério índio no fim da rua das mangueiras no bairro Vista Verde... e muito mais. Um dia eu conto todas... um dia!

Rita Elisa Seda
Cronista, poeta, biógrafa, fotógrafa e pesquisadora.

9 comentários:

norália disse...

Querida Rita,

mais um deliciou brinde você nos dá com LENDAS. Gosto muito de lendas, e confesso que, muitas vezes, acho que a História da Humanidade é feita de lendas. Histórias de Maria Madalena e Sarah, do caminho para Belém, e assim vai.

Se você não viu o filme PARA SEMPRE AMIGOS, com Richard Gere, procure ver: uma das mais emocionantes história acontecida numa cidadezinha do Japão. A história de um homem e seu cão que permanece lembrado por uma estátua de bronze na praça da cidade.

Confesso que chorei muito ao assistir este filme.

Certamente que colocarei suas lendas no meu arquivo.

Obrigada por mais este presente.
Abraços,
Norália

Rita Elisa Seda disse...

Querida amiga Norália, assisti, sim, o filme Para Sempre Amigos e, também, fiquei emocionada com a devoção canina. Existem tantas lendas a serem descobertas e, ainda mais... há tantas lendas sendo criadas atualmente. Vamos procurar essas lendas urbanas para que fiquem registradas para a posteridade. Conto com sua atenção para isso. Beijos, felicidades e a paz!

norália disse...

Rita, lendas urbanas? Tentarei cooperar, se puder... só que não tenho tudo registrado como você. Veremos mais adiante, ok?
Por favor, conserte acima um escrito meu: eu quis escrever delicioso e escrevi deliciou...ahahah... eu meus gafes de digitação...
Felicidades.
Norália

Silvinh@ disse...

Ritelisa minha amiga, Parabéns mais uma vez. Suas lendas Urbanas vieram na hora certa...Mês de Agosto, mês folclórico... Você sempre presente com algo que escreveu, vivenciou ou mesmo leu em outros lugares seja em seus livros, artigos para revista, ou mesmo jornais. Gosto muito das LENDAS URBANAS!Esses Contos, Causos ou fatos; crescem cada vez mais e se tornam imortais, ganhando ou perdendo detalhes ao longo do tempo e dos lugares.Toda Lenda trás nas entrelinhas um alerta ou uma lição de moral...

Batom e poesias disse...

Que gostoso ler essas histórias!
É como contos infantis, só que para adultos.
Entreti-me por aqui.

Abçs
Rossana

Rita Elisa Seda disse...

Norália, conto com suas lendas urbanas para este blog. A respeito dos 'gafes' de digitação todos temos essa alegria, digo alegria porque somos passíveis de escrever correndo e cometer alguns errinhos que não são nada importantes. Isso mostra que escreveu correndo, que modificou a palavra (antes - deliciou-me) e ao passar para delicioso foi rápida, pois nosso olhar é mais rápido que nosso digitar. Não me importo e, creio, que as pessoas globalizadas e literatas, também não se importam. O importante mesmo, querida amiga, é que deixou seu recado sem receio, piores são os que nem deixam recados. Beijos, felicidades e a paz!

Rita Elisa Seda disse...

Silvinha, querida amiga, sou mesmo apaixonada por um bom causo, uma estória diferenciada e uma boa lenda. Tenho muitas guardadas em uma pasta, vou colocando aos poucos aqui e no Retalhos de Outono. Beijos, felicidades e a paz!

Rita Elisa Seda disse...

Rossana, amiga que gosta de lendas. A verdade é essa mesma, essas lendas são como se fossem 'contos para gente grande', precisamos de mistérios para nos encontrarmos dentro do Universo... o Mistério Absoluto! Beijos, felicidades e a paz!

Jorge Ramiro disse...

As lendas urbanas são e marcos de cada cultura. Meu avô tinha ums restaurantes em barueri e conversei com muitas pessoas, eu aprendi muitas coisas.