Apresentação de slides

Loading...

PALAVRAS DE SEDA

Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras. Palavras são como folhas de plátano soltas ao vento... em direção aos novos horizontes. Deixá-las voando irreverentes, sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem, sempre a favor do vento. Assim é o ato da escrita, deixar fluirem palavras que, voando devagar, ao cair, adubarão terras distantes.















































































































quarta-feira, 25 de janeiro de 2012


Recebi esta atenção especial de minha amiga Inajá. 
Como ela bem descreveu o seu novo blog:
"Este é um novo propósito - transformar em buquês de letras, as letras que meu coração vem tocar.
Buquês de letras. Letras em buquês. 
Rita Elisa um buquê de letras em memórias recolhidas". 


Rita Elisa Seda
Cronista, contista, poeta, biógrafa, fotógrafa e pesquisadora.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

sábado, 24 de dezembro de 2011

"SER PEDRA"


SEGUNDA-FEIRA, 21 DE NOVEMBRO DE 2011

Crônica - Rita Elisa Seda

   Hoje um filósofo me ensinou uma nova maneira de entender o Amor!
   Ele me disse que o amor não preenche. Essa nova perspectiva não me cativou. Daí, ele... o filósofo, me explicou que se o amor preenchesse o vazio que existe em nós, parávamos, ficávamos no lugar, satis-feitos, não haveria procura, nem mesmo evolução.
   Mas, o ser humano é insatisfeito por natureza. Se algo fica completo aqui ele abre um buraco ali, à procura de algo.
  Já o amor... o que é então?
  Nessa filosofia de poucos, dos graduados em Ética do Amor, existe uma explicação lógica: o Amor é uma alavanca. É o que impulsiona a continuar, é o que apóia. Com a certeza de que o Amor está à disposição, o ser humano se arrisca a lugares distantes, a sonhos que, antes, impossíveis, com o apoio do Amor – meramente prováveis!
  Quando criança o Amor não tem medidas, na adolescência o Amor é necessidade, na fase adulta o Amor é compreensão e na velhice o Amor é paciência, alavancas que impulsionam as fases da vida.
  O Amor respeita a identidade humana, por isso não preenche. É a lógica: o Amor é sempre Amor e o humano é sempre humano. O sentido do Amor é garantir a continuação da vida, impulsionando, animando, sendo apoio.
  O ser humano é pedra, o Amor é o rio que tira as arestas da dor, que torna a pedra lisa e redonda, que move a pedra no leito e a leva para o oceano. Sem precisar, para isso, ser pedra também. Sem a dureza e a rigidez humana, o rio é suave, flexível, canoro... é o puro Amor.
  A pedra no leito do rio é esculpida pelo Amor. A pedra à margem, fora do rio, é pontiaguda e seca. O rio canta melodias de paz enquanto impulsiona a pedra a rolar para lugares mais amplos... a cami-nho de um oceano de possibilidades.
  O humano nasce pedra e morre pedra. Depende do rio para sua lapidação. O Amor que envolve a gema bruta que corre pelo rio em busca de novo horizonte é o mesmo que abraça o cascalho roliço que permanece no fundo do leito do rio.
  Deixar-se levar pelo Amor é tarefa difícil, só a pedra que confia se deixa levar pela correnteza, mesmo que não conheça o destino do rio, mesmo que à frente caia em cachoeira, passe por corredeira, confia seu destino ao Amor, não se importa com o fim, sabe apreciar o caminho.


http://www.palavrasdeseda.blogspot.com/
http://www.visaovale.blogspot.com



quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Jornal: FOLHA POPULAR - Itabira, MG.


NO NATAL, JÁ BASTA O AMOR...


Viver
December 3, 2011 - 04:05

no natal, já basta o amor




Todo ano, na data natalina, entre os homens, havia o rodízio para o Papai Noel. Naquele ano era a vez de meu irmão Júnior. Houve programação para a festa natalina. Tudo planejado nos mínimos detalhes.
A família resolveu que daquela vez o Papai Noel não sairia pelas ruas do centro da cidade distribuindo saquinhos de balas, escolhemos um bairro carente e, um mês antes, cadastramos as famílias do bairro para entregar presentes no dia de Natal.
Tudo certo. Fomos a São Paulo e compramos bolas, bonecas, bambolês e caminhõe-zinhos. Na véspera do Natal ainda arrumávamos os saquinhos com balas, pirulitos, chicletes, lembrancinhas, pipocas e salgados. Um inteira/ação familiar feita com muito amor e carinho. Tudo certo, nada podia dar errado, controlamos todas as variáveis.
Na tarde do dia 25 de dezembro a família toda acompanhou a caminhonete que levava o Papai Noel, de pé, acenando, jogando balas e dizendo Feliz Natal para todos por onde passava. Tudo era deslumbramento. Alegria geral. Uma romaria de carros familiares seguia o cortejo.

Expectativa. 
Chegando ao bairro de periferia, tudo sob controle, cada família esperava no portão de sua residência, assim não haveria tumultos. O lema era esse: Papai Noel só vai passar nas casas onde a família estiver do portão para dentro. Assim teria tempo de bater palmas ou de entrar um pouco, pelo menos, na varanda ou jardim da residência.
Meu irmão foi e... é! magnífico Papai Noel. Eu o acompanhei em tudo, fotografando cada gesto, cada entrega de presente, cada abraço e cada beijo. De casa em casa, debaixo de um sol escaldante, o Bom Velhinho nem ligava para o calor, pois a alegria de ver os olhinhos das crianças brilharem ao receberem os presentes era um alento para o coração e um refrigério para a alma. Eu não perdia uma cena sequer. Fotografava tudo, afinal tudo estava saindo como previmos, sem mistérios, sem contratempos, tudo certinho.
Na ultima rua, quase na ultima casa, uma família (como todas as outras) esperava na varanda. Papai Noel disse um Feliz Natal para todos. As assistentes do Bom Velhinho, disseram o nome das crianças, grifadas na lista com o nome da rua e numero da casa.
Duas meninas, dois bambolês, duas bonecas e muitos saquinhos de bala. Meu irmão entregou, afagou a cabeça, recebeu beijos... foi quando a mãe avisou: "Pai Noé, priciso dum presenti pro meu minino mais novo!" Meu irmão me olhou. Eu pisquei para ele e sorri, confirmando que havia brinquedos sobrando. "Pai Noé, posso trazê meu minino procê presentiá?" Meu irmão disse que sim.

Pedido. 
Vieram a mãe e uma criança pequena. Um menino enrolado em cueiro e manta por cima. "Pai Noé, cabamo de chegá do hospitá, meu minino vingô tem uma semana, ele tá duente, muito duente, os médico fizêro de tudo pra salvá ele, mais ele tá fraquinho, fraquinho... cumé que hoje é Natar os médico dexaro eu trazê ele pra passá dia de festa cum a famia. Eu tô boa. Só meu minino é que tá ruim, ruim memo. Peço pro sinhô... Papai Noé... peço uma bença ispeciá pro meu minino, cridito nocê Pai Noé, cridito na sua bença... meu minino careci di bença, ansim meu minino vai sará di veiz..."
Meu irmão me procurou no olhar, vi em seus olhos toda bênção do mundo - amor! Ele colocou as mãos em cima da cabeçinha coberta por uma enorme toca azul, e orou. Foi uma oração rápida e comprida ao mesmo tempo.
Rápida porque a criança precisava ir para dentro da casa... começava chover. Comprida porque o tempo pareceu parar. O sol escondeu-se por detrás de uma nuvem de chuva, os pássaros calaram-se, as crianças que brincavam na rua aquietaram-se, os cachorros pararam de latir, escutei apenas a minha respiração em suspiro dobrado.

A paz. 
Meu irmão retirou a mão a qual a mãe beijou insistentemente dizendo "brigado". Depois, cabisbaixo, foi até a caminhoneta, entrou e ali ficou em silêncio. A chuva veio forte, tivemos de nos recolher, entrei no carro. Olhei para meu irmão e vi nele a paz.
Aquele Natal me marcou. Hoje sei que mesmo quando pensamos que tudo está detalhadamente organizado, alguma coisa poderá sair do controle e, para isso, não existe regra, só existe algo que encontrei no meu irmão... a sensibilidade do amor! Foi o melhor presente que vi um Papai Noel dar em um dia de Natal.

Rita Elisa Seda 
é pesquisadora, escritora e fotógrafa

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

RECIFE - BAOBÁ



Fui abraçar e beijar os velhos (mais de 300 anos) Baobás de Recife!











Baobá

Semira Adler Vainsencher
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco


O baobá é uma árvore de grande porte, proveniente das estepes africanas e regiões semi-áridas de Madagascar, estando presente, ainda, no continente australiano. Essa planta foi amplamente divulgada no século XX, através da obra O Pequeno Príncipe, do escritor francês Antoine de Saint-Exupery. Seu personagem principal se preocupava com o crescimento excessivo do baobá, temendo que ele tomasse todo o espaço existente em seu asteróide.

O baobá possui um tronco muito espesso na base, chegando a atingir nove metros de diâmetro. O seu tronco é peculiar: vai se estreitando em forma de cone e evidenciando grandes protuberâncias. As folhas brotam entre os meses de julho e janeiro, mas, se a árvore conseguir ficar umedecida, elas podem se manter firmes durante todo o ano. Em geral, o baobá floresce durante uma única noite, apenas, e isto ocorre no período de maio a agosto. Durante as poucas horas em que as flores permanecem abertas, os consumidores de néctares noturnos – particularmente, os morcegos -, asseguram a polinização da planta.

Esse colosso vegetal pode atingir trinta metros de altura e possui a capacidade de armazenar, em seu caule gigante, até 120.000 litros de água. Por tal razão é denominada "árvore garrafa". No Senegal, o baobá é sagrado, sendo utilizado como fonte de inspiração para lendas, ritos e poesias. Segundo uma antiga lenda africana, se um morto for sepultado dentro de um baobá, sua alma irá viver enquanto a planta existir. E o baobá tem uma vida muito longa: vive entre um e seis mil anos. Em se tratando das espécies vegetais, somente a seqüoia - uma conífera de grande porte, originária da Califórnia (EUA), que chega a medir doze metros de diâmetro, alcançar uma altura de cento e cinqüenta metros e viver mais de quatro mil anos -, e o cedro japonês - uma outra conífera do gênero - podem competir com a longevidade do baobá.

Essa árvore mítica e solitária da savana africana faz parte da família dasbombacáceas (palavra derivada de bomba, uma linguagem falada e oficializada na Guiné Equatorial). Esse nome, contudo, muda de acordo com a língua de cada país. Em Angola e Moçambique, o baobá se chama imbondeiro; e, na Guiné-Bissau, denomina-se pólon.

Em 1444, conduzidos por Gomes Piers, os navegantes portugueses chegaram à ilha africana de Gorée (pertencente hoje ao Senegal) e permaneceram no local até 1595, período em que a ilha se tornou propriedade dos holandeses. Os navegantes registraram que, lá, ainda se podia apreciar o brasão de Dom Henrique gravado em árvores. Por sua vez, na metade do século XV, o cronista Gomes de Eanes Zurara assim descreveu as árvores encontradas, na obra Chronica dos Feitos de Guiné (Lisboa, 1453):

Árvores muito grandes e de aparência estranha; entre elas, algumas tinham desenvolvido um cinturão de 108 palmos a seu pé (ao redor 25 metros). O tronco de um baobá não mais alto do que o tronco de uma árvore de noz; rende uma fibra forte usada para cordas e pano; queima da mesma maneira como linho. Tem um grande fruta lenhosa como abóbora cujas sementes são do tamanho de avelãs; pessoas locais comem a fruta quando verde, secam as sementes e armazenam uma grande quantidade delas.  

Antes do Descobrimento, o baobá não pertencia à flora brasileira. A hipótese mais plausível, visando explicar a sua existência em Pernambuco, é a de que tenha sido trazido no século XVII, pelo conde Maurício de Nassau, durante a ocupação holandesa, para fazer parte de seu jardim botânico privado (que foi construído próximo à atual Praça da República). Uma segunda versão, porém, credita a presença do baobá às aves migratórias, que teriam trazido consigo as suas sementes. E Câmara Cascudo considerou uma terceira possibilidade: a de que os sacerdotes africanos trouxeram as sementes da África e plantaram-nas em locais específicos, no país, para o culto de suas religiões. Vale lembrar que os praticantes do candomblé consideram o baobá uma árvore sagrada, e dizem que não se deve cortá-la ou arrancá-la.
Na capital de Pernambuco, os raros baobás que resistiram ao desmatamento e à depredação ambientais, foram tombados pela Prefeitura da Cidade e pelo Ibama, em 1986. No Recife, essas árvores podem ser apreciadas na Praça da República (em frente ao Palácio do Governo); na Praça da Sudene (no bairro de Santo Amaro); na rua Coronel Urbano Ribeiro Sena (no bairro do Fundão); na rua Madre Loiola (em Ponte d’Uchôa); e no Poço da Panela (nos terrenos limítrofes de duas casas que se situam, respectivamente, nas ruas Professor Edgar Altino e Bandeira de Melo).

Fora da Região Metropolitana do Recife, também são poucos os baobás que escaparam da destruição. Contados nos dedos, eles podem ser observados no Engenho Poço Comprido (em Vicência); na área do Complexo Portuário de Suape (no município do Cabo); na Usina Ariepibu (em Ribeirão); no Sítio Capivarinha (em Sanharó); na Fazenda Pitombeiras (em Serra Talhada); no município de Tacaratu; na praia de Porto de Galinhas e na Vila de Nossa Senhora do Ó (ambos no município de Ipojuca). Nessa Vila, existe um baobá com quinze metros de diâmetro e mais de trezentos e cinqüenta anos de existência.

RECIFE - DIA DA POESIA



Visitei Manuel Bandeira, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto e Gilberto Freyre no "Dia da Poesia"
Só para um dedinho de prosa!
















RECIFE - BRENNAND


RICARDO BRENNAND


Na minha vida, meu sucesso como empresário foi, em grande parte, fruto do apoio que sempre recebi da minha gente, dos meus colaboradores e da permanente companhia do meu Pai Antônio e do Tio Ricardo.
Assim, para resgatar parte do que de todos recebi, com desapego pelas coisas materiais e coragem indispensável para enfrentar os desafios, pude ver o nascimento desta obra, ao fincar, aqui, em São João da Várzea, terras de João Fernandes Vieira, as bases do Instituto Ricardo Brennand em homenagem ao meu Tio.
Deus quis que tivesse ao meu lado, Graça, mulher dedicada, que me deu oito filhos, companheiros do dia-a-dia, solidários com meus sonhos e que serão meus sucessores e responsáveis pela manutenção e conservação deste Patrimônio Cultural de Estudos Brasileiros, em terra do meu Pernambuco.
Como nos ensina o poeta português, quando...
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Um abraço, 

Ricardo Brennand.









 Museu de Armas Castelo São João foi criado pelo colecionador pernambucano Ricardo Brennand, que há mais de cinqüenta anos vem adquirindo obras de arte das mais diferentes procedências e épocas, cobrindo um espaço de tempo entre os séculos XV e XXI, com peças provenientes da Europa, Ásia, América e África.

Essas obras de arte estão reunidas em coleções de Pintura, brasileira e estrangeira, Armaria, Tapeçaria, Artes Decorativas, Escultura e Mobiliário.
Essas obras de arte estão reunidas em Coleções de Pintura, brasileira e estrangeira, com destaque para a maior coleção privada do pintor holandês Frans Post, Armaria, Tapeçaria, Artes Decorativas, Escultura e Mobiliário.










































FRANCISCO BRENNAND



RECIFE (AFP) — Um universo mítico de marcado erotismo e milhares de esculturas compõem o estúdio-museu construído pelo escultor, pintor e ceramista brasileiro Francisco Brennand durante as últimas quatro décadas no Recife.

"Este não é um cetro, é uma bengala que preciso para andar", apresenta-se com simpatia Francisco Brennand. Acomodado em uma poltrona no centro de seu templo-museu, parece mais um rei, um Netuno dos mares, com sua barba branca, ávidos olhos risonhos e um sorriso esplêndido.

Brennand, de 80 anos, dedicou quase a metade de sua vida construindo este imenso estúdio de esculturas em cerâmica que ele chama sua "Oficina", onde continua trabalhando ativamente e que surgiu das ruínas da velha olaria que pertenceu a seu pai.

Uma frase do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein gravada em um dos seus jardins dá a idéia da magnitude: "a arquitetura imortaliza e glorifica, por isso não pode haver arquitetura na qual não haja nada para glorificar".

O universo mítico das esculturas que povoam os galpões e os jardins está repleto de figuras eróticas e falos, alegorias religiosas, formas totêmicas quase aborígines e bestas surgindo à vida a partir de extraordinários ovos.

"Minha preocupação é a reprodução: a vida é eterna porque reproduz, e não pode haver reprodução sem sexualidade", explica Brennand.
"Aqui existe uma sexualidade sem pudores, que tem ao mesmo tempo algo de primitivo e ao mesmo tempo cruel e inevitável", afirmou o curador Olivio Tavares de Araújo.

Brennand se lançou no mundo da cerâmica em uma viagem à Europa. O artista chegou a Paris em 1949, interessado por pintura e com "sérios preconceitos contra a cerâmica", material que seu pai usava para fazer azulejos e telhas.

Quando se deparou com os trabalhos de Pablo Picasso, de Joan Mirò, de Paul Gauguin e do arquiteto de Barcelona Antoni Gaudí, mudou de opinião. "Me senti encantado e humilhado, porque percebi que perdi os melhores anos da minha vida para fazer cerâmica".

Em 1971 decidiu instalar sua oficina na olaria em ruínas fundada em 1917 por seu pai. "Vi o espaço como um território livre" onde poderia desenvolver sua arte, explica.

As ruínas continuam ali, mas sobre elas surgiu um templo, e não destruir essas ruínas significa preservar sua infância que floresceu feliz nesse espaço.

As paredes de seus imensos galpões foram revestidas com um azulejo "da cor do tempo". São todos marrons e dourados, com uma tonalidade que muda de acordo com a luz do dia, proporcionando um efeito visual que "somente o tempo e o fogo conseguem emitir", conta apaixonado.

Mais de duas mil esculturas ocupam o lugar. "Tive que criá-las para preencher esses espaços imensos, não tinha como encher o galpão de murais", brinca Brennand.


Seu interesse se voltou para a forma e a matéria. A coloração parece muitas vezes uma insinuação, "existe e foi devorada pelo magenta" dos fornos, explica o ceramista - um caso curioso para o artista que começou a carreira pintando.

"A cerâmica me fez desconfiar das cores", revela.

Brennand passou os primeiros anos trabalhando sozinho. Deixou as finanças nas mãos de seu genro economista e o projeto se tornou viável produzindo azulejos semi-artesanais nos mesmos fornos nos quais o artista preparava suas maravilhosas esculturas.

Hoje em dia, aproximadamente quatro mil pessoas o visitam por mês e 100 operários trabalham no local, muitos são artesãos que produzem decorações baseadas nos trabalhos de Brennand.

Suas esculturas atualmente decoram espaços importantes no Brasil, onde é considerado um grande escultor e ceramista, e já percorreram cidades da Europa e dos Estados Unidos. Neste sábado inaugura exposição em São Paulo (na Caixa Cultural) e no segundo semestre inaugura outra mostra itinerante nas grandes capitais do país.