PALAVRAS DE SEDA

Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras. Palavras são como folhas de plátano soltas ao vento... em direção aos novos horizontes, voando irreverentes sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem... sempre a favor do vento.
Assim é o ato da escrita, deixar fluir palavras que, voando devagar, ao caírem, adubarão terras distantes.

















































































































quarta-feira, 9 de junho de 2010

O VALE HISTÓRICO

É emocionante viajar pelo Vale Histórico, sempre fui sozinha, com a família ou com grupo de fotógrafos percorrer a Estrada dos Tropeiros até culminar no Morro Tira-Chapéu na Serra da Bocaina, como foi em 1999, quando fiz um documentário fotográfico sobre a Região da Bocaina. Mais atual, dia 08 de junho, estive no Vale Paraíba Histórico com os alunos da escola Dr. Rui Rodrigues Dória, a convite da Profª Sônia Gabriel, junto com as professoras: Terezina, Flávia e Gisele e a artista plástica Sônia Mello. O dia transcorreu cheio de magia. Os alunos, mesmo que cientes do que iriam ver, pois há alguns meses estudam com a Profª Sônia Gabriel a historicidade dessa região em um projeto chamado: Desvendando o Vale do Paraíba, ficaram maravilhados com a oportunidade de convivência nos lugares que tanto conheciam de livros, jornais, revistas, videos e ensinamentos passados pela professora Sônia.   Acessem o blog: http://professorespreparandoaula.blogspot.com/  e vejam os trabalhos feitos pelos alunos em sala de aula. É tudo de bom... aliás, é ótimo!
Vou tentar passar para vocês um pouquinho do que conheço do Vale Histórico. Digo que os que moram no Vale do Paraíba e não conhecem essa excêntrica região 'não conhece o Vale do Paraíba', é a mesma coisa de conviver em uma casa e não conhecer um dos cômodos de onde mora. Digo de coração.
Registrei algumas imagens as quais colocarei aqui. Aproveito para explicar um pouco sobre cada cidade que constitui o Vale Histórico:


Para começar, não fomos sozinhos, a magia acompanhou o grupo, Visconde e Emília nos deram a alegria de participarem dessa emocionante viagem histórica. Ufa!!! a Emília estava 'sapeca' não parava no lugar nem para tirar fotografia.

A Rodovia dos Tropeiros é tortuosa e requer paradas rotineiras para equilibrar as forças, respirar o ar puro e continuar a viagem. Só mesmo professoras atentas e amorosas para cuidar tão bem desses jovens desbravadores.

Depois de algumas horas de viagem chegamos à linda cidade de Bananal. Foi uma festa.



BANANAL

Entre os fins do século XVII e o início do século XVIII ocorreu a ocupação do Vale do Paraíba, pois por essa região passava o ouro que vinha de Minas Gerais e depois Goiás e Mato Grosso e o gado do Rio Grande do Sul. Por isso passavam muitos tropeiros e viajantes por esse caminho.


Os tropeiros usavam o caminho que hoje fica entre Barra Mansa, Areias, Rezende e Angra dos Reis, e Bananal era o ponto de descanso dos viajantes ao Rio de Janeiro, já que aqui passava a Estrada Geral entre o Rio Bananal e a Serra do Carioca.
Os navegantes sofriam freqüentes ataques de piratas, por isso a necessidade de se construir um caminho terrestre entre as capitanias de São Paulo e o Rio de Janeiro em 1770 finalizou-se a construção do “Caminho Novo”, concluída pelos Capitães-mores das vilas de Guaratinguetá, Pindamonhangaba e Taubaté.
Com a abertura desse caminho, Portugal foi privilegiada com o recebimento de 170 milhões de libras esterlinas referente a mineração do ouro, salvando assim sua economia. O Brasil não existia como unidade geopolítica e administrativa antes da existência desse caminho.
Em recompensa aos riscos e despesas gastas para a construção do Caminho Novo, foram doadas sesmarias para os responsáveis pela empreitada.
Depois de muito tempo da abertura do Caminho Novo, a região ainda encontrava-se praticamente despovoada com alguns tropeiros e desbravadores desiludidos com a corrida do ouro, agrupando-se em pequenos povoados, construindo assim os primeiros ranchos, pouso e vendas.
Em 1778, por ordem do General Martin Lopes Saldanha, o Capitão-mor Manuel da Silva Reis, subdivide suas sesmarias com aqueles que colaboraram na ajuda da construção do Caminho Novo.
No total foram distribuídas 14 sesmarias, entre os beneficiários estava João Barbosa de Camargo e sua esposa D. Maria Ribeiro de Jesus. Católica fervorosa resolve construir uma pequena capela dedicada ao Senhor Bom Jesus do Livramento, tornando-se assim o padroeiro de bananal. A capela tornou-se o marco inicial da localidade, conforme consta na escritura lavrada em Guaratinguetá em 10 de fevereiro de 1785, fundando-se assim a povoação de Bananal, elevada a condição de cidade em 1849.
O comercio do Anil no mercado internacional ajudou a economia por um tempo. O Anil foi introduzido na costa do Atlântico de Cabo Frio até Angra dos Reis, na década de 1780, com a ajuda do Marques do Lavradio. O surto de Anil durou cerca de 20 anos, tendo seu fim no início do século XIX. Ainda hoje, encontra-se alguns anileiros em estado natural, na região do Vale do Retiro.



Na Região onde hoje se encontra a estância turística de Bananal viviam, em meados do século XVII, descendentes de antigas etnias indígenas. Segundo o Dr. João Mendes de Almeida em uma dessas etnias está a origem do nome da Cidade. A denominação, de origem Tupi, vem do curso d’água que cruza a cidade, o banani, que significa rio sinuoso, e era como os índios Puris se referiam ao rio que cortava a região.
Mas há também outra versão para a origem do nome: teria vindo do antigo pouso do Bananal, no Caminho Novo do Rio de Janeiro, assim conhecido por ter muitas bananeiras. No entanto, essa versão do cientista alemão Martius (1817), de que Bananal significaria rio em cujas margens abunda a banana é contestada por Mendes de Almeida com a seguinte argumentação: banana não é palavra tupi e no Brasil da época a fruta era denominada pacoba. O nome banana é do idioma advindo da Ilha de São Tomé, de onde era importada.
Na Região onde hoje se encontra a estância turística de Bananal viviam, em meados do século XVII, descendentes de antigas etnias indígenas. Segundo o Dr. João Mendes de Almeida em uma dessas etnias está a origem do nome da Cidade. A denominação, de origem Tupi, vem do curso d’água que cruza a cidade, o banani, que significa rio sinuoso, e era como os índios Puris se referiam ao rio que cortava a região.
Mas há também outra versão para a origem do nome: teria vindo do antigo pouso do Bananal, no Caminho Novo do Rio de Janeiro, assim conhecido por ter muitas bananeiras. No entanto, essa versão do cientista alemão Martius (1817), de que Bananal significaria rio em cujas margens abunda a banana é contestada por Mendes de Almeida com a seguinte argumentação: banana não é palavra tupi e no Brasil da época a fruta era denominada pacoba. O nome banana é do idioma advindo da Ilha de São Tomé, de onde era importada.
Fontes: http://bananal.net.br/index.php
Dicionário Geográfico da Província de São Paulo – João Mendes de Almeida.




 








SOLAR COMENDADOR AGUIAR VALIM


O Capitão José de Aguiar Toledo, ainda muito moço casou-se com Maria do Espírito Santo Ribeiro Vallim. O jovem casal vai morar então no bairro do Retiro onde começa a cultivar e fabricar o anil.
Com o passar do tempo ele adquire a Fazenda Bahia e começa a desenvolver o cultivo do café, formando assim uma colossal plantação de café. Outros fazendeiros vinham abastecer-se para começar novas plantações. Formou depois a Fazenda Resgate.
Adquirindo mais terras, tornou-se assim um dos mais afortunados de Bananal, com vastas plantações de café. Deixando toda a sua fortuna para seus nove filhos, que continuaram com igual sucesso.
As terras da Fazenda Bahia foram anexadas a Fazenda Bela Vista. O Capitão José de Aguiar Toledo tinha grande influência na localidade, ele era considerado o mais enérgicos e mais inteligente entre os notáveis da vila.
As famílias Vallim, Aguiar e Toledo mesclaram-se e, em Bananal formaram verdadeiro clã. Em 1855 foi construído o solar Aguiar Valim para em seus salões receber autoridades do Império. Ocupa toda a lateral da Praça Rubião Junior.
Suas características são neoclássicas, suas portas principais são em arco pleno e a escada principal tem lances simétricos. Com um magnífico hall e murais feitos pelo artista catalão José Maria Villaronga, com um primoroso acabamento.
O sobrado possui salão de baile com coreto para a orquestra; nesse salão resta alguns vestígios de pinturas de Villaronga. O comendador Manoel de Aguiar Vallim abria seus salões para a festas e recebimento de altos dignatários do Império, entre outros, o Conde d’Eu.
Em 1911, depois de reformado, passou a funcionar nele o Grupo Escolar Coronel Nogueira Cobra.
Augusto Emilia Zaluar assim se refere ao Solar, em 1860, na sua “Peregrinação pela Província de São Paulo”; “A povoação tem prédios dignos de uma capital, entre elas o do Comendador Manoel de Aguiar Vallim, no Largo do Rosário.”
Em 1976 foi tombado pelo CONDEPHAAT e por um período foi sede da prefeitura. Hoje passa por uma grande reforma interna, abrigando lá, a ABATUR (Assoc. Bananalense de Turismo), onde você pode tirar qualquer duvida sobre a história de Bananal.
Localização: Praça Rubião Junior, 27 – Centro.


Para visitá-lo agende com o Exmo Sr. Reinaldo Afonso
Tel: 012 3116 1602
ou pelo e-mail: reinaldoabatur@hotmail.com








                                                           ESTAÇÃO FERROVIÀRIA

Como a estrada dos Tropeiros era a única ligação entre Bananal e a região do Rio de Janeiro, os barões do café para agilizar o escoamento de suas safras cafeeiras se uniram na construção do ramal bananalense, no poderio econômico da época bancaram o financiamento da obra mesmo não tendo ajuda do governo.
Dessa forma haveria o transporte do café para a cidade do Rio de Janeiro.
A concessão aos engenheiros Manoel Antônio da Silva Reis e Antônio Alves da Silva Sá, aconteceu só 10 anos depois do primeiro pedido, pelo Decreto nº 7.698, de 3 de maio de 1880 e em 1881 foram aprovados os estatutos da companhia.
Seus diretores que assumiram em 22 de maio de 1880 eram: Luciano José de Almeida Valim, Candido de Ribeiro Barbosa e Dr. João Álvares Rubião Júnior.
Saudade – Rialto, primeiro trecho da estrada, foi inaugurada em agosto de 1883.
A construção ficou parada até meados de 1887, por falta de mão-de-obra, voltando às atividades de construção quando o Comendador José de Aguiar Valim e sua esposa compraram a empresa.
Depois a Estrada de Ferro foi comprada por Domingos Moitinho, proprietário das Fazendas Resgate e Três Barras.




O primeiro trem fez a viagem a Fazenda Três Barras em 13 de outubro de 1888, logo após o tráfego foi estabelecido e regularizado em novembro.
Em 24 de dezembro os últimos quilômetros de trilhos chegaram a Bananal e em 1º de janeiro de 1889, foi inaugurado definitivamente o Ramal Bananalense.
Tempos depois a E. F. Bananal foi entregue a E. F. Central do Brasil.Alguns nomes que trabalhavam na época para a construção da E. F. Bananal e que ainda são lembrados, por antigos moradores de Bananal:Seu Nico da Estação (Capitão Antonio Pinto da Silveira),
Os maquinistas: Antonio Martins. Odilon Chaves, José Maria de Oliveira, Messias da Silva e Raul Alves Gonçalves. Os ajudantes: Miguel de Brito, Noel Paulino e Antonio Oronil Gonçalves.
Toda a estrutura da estação foi criada na Bélgica e trazida para o Brasil em parte para serem montadas na cidade. Tem cerca de 400m², é toda feita de metal, placas de aço pré-fabricadas, almofadadas, duplas, parafusadas, com dois andares, assoalho de pinho de riga, sala de visitas e outras dependências.
A via férrea de bitola estreita foi concluída apenas no ultimo quartel do século XIX , pelos fazendeiros preocupados em ligar Bananal a Barra Mansa e Rio de Janeiro. Através da Estrada de Ferro Pedro II, eles promoveram os escoamento rápido do café de suas fazendas até o porto carioca.
Tanto a fabricação como o transporte foi financiado pelos Barões do café, vendo a necessidade de maior agilidade para o envio da produção de suas fazendas para os portos do Rio.




Eis como a estrutura foi descrita na época: “A estação a ser montada é elegantíssima e já se acha na estação do Rialto. Na verdade, e seja dito de passagem, não temos conhecimento de edifício no gênero. É ela totalmente metálica, inclusive o telhado, de chapas almofadadas duplas com acabamento delicado, e seus assoalhos são de autênticos pinho-de-riga”.
Aqui, é interessante observar que, a partir da segunda década do século XX, muitas mulheres de Bananal trabalharam na estação. Talvez por essa razão os ferroviários, batizavam as velhas marias-fumaça com nomes femininos, sugerindo que, do mesmo modo que as mulheres na cozinha, as maquinas eram barulhentas e consumiam muita lenha.
Ainda que sua trajetória seja sempre marcada de romantismo, as locomotivas alimentadas a lenha fazem parte do período em que se iniciou a devastação ambiental no Brasil. E hoje, como 90% das matas paulistas destruídas, no começo do terceiro milênio não é fácil esquecer esse aspecto. Mas por outro lado, foi a mentalidade de reposição de recursos mediante o reflorestamento que possibilitou, mas tarde, não só na região como em todo pais, o cultivo da essência do eucalipto, originário da Nova Zelândia.
Naquela época, havia debates e muita polêmica, no âmbito do governo federal, a respeito da ampliação e modernização dos acessos às árias de produção agrícola. Alguns defendiam a construção de mais rodovias. Outros, de ferrovias. Antigos documentos atestam que cada região, com suas características, apresentava razões para um ou outro lado, sempre escoradas e entusiasmadas movimentação popular.
O ramal bananalense funcionou durante 70 anos.


Sua arquitetura é única na América Latina. Foi desativada em 1964, preservando sua característica arquitetônica.
A Bélgica chegou a solicitar a volta da estação, para transformá-la em museu. Foi restaurada pela CONDEPHAAT e hoje é um dos mais valiosos acervos do município.
Localização: Praça D. Domiciana s/nº - Centro

http://www.bananal.net.br/ -  O Portal de Bananal - SP - História, Turismo, Gastronomia, Fotos, Lazer, Notícias, Festas e muita informação sobre Bananal e Região.
Estação Ferroviária


Para mais informações sobre a Estação Ferroviária veja nesta página:
http://bananal.net.br/index.php/turismo/cidadecentro/estacao-ferroviaria

Quem nos assessorou nas visitas aos lugares históricos e nos passou a sabedoria cultural bananalense foi a Exma Profª Márcia Gomes Dias. Para conhecer o trabalho dela é só acessar o site:http://www.bananal.net.br/ é tudo de bom!

7 comentários:

Ivonete Fernandes da Fonseca disse...

SOU DE BANANAL E ADOREI SEU BLOG, PRINCIPALMENTE A FORMA CARINHOSA E FIEL COM QUE RELATOU PARTE DA HISTÓRIA DAQUI EM SUA BREVE VISITA Á MINHA CIDADE. vOLTE SEMPRE E OBRIGADA.

ઇઉ Professora Drica ઇઉ disse...

Parabéns pela postagem sobre a nossa cidade de Bananal...Esperamos que você retorne e visite a nossa escola Professora Zenóbia de Paula Ferreira...Quem sabe um intercambio entre as escolas??Seu blog é 100% educativo...

Escola Zenóbia disse...

Se quiser nos conhecer acesse nosso blog http://escolazenobinha.blogspot.com/

Um abraço

Rita Elisa Seda disse...

Querida professoa Drica, a cidade de Bananal é espetacular. Faço propaganda e convido amigos, conhecidos e até mesmo desconhecidos para conhecerem a cidade. Você é feliz por morar em um Patrimônio como esse. Felicidades e a paz!

Rita Elisa Seda disse...

Querida Ivonete, voltarei à linda Bananal com amigos da cidade de Goiás que precisam conhecer esse Patrimônio Cultural Valeparaibano. Beijos, felicidades e a paz!

Ivonete Fernandes da Fonseca disse...

Depois de algum tempo volto ao seu blog e gostaria de registrar que temos um amigo em comum o Reinaldo do Solar que já falou de seu belíssimo trabalho, de fato fiquei sua fã. a escola que leciono pretende dar continuidade ao Projeto Bananal, vendo e vivendo seus encantos, que já rendeu muitos frutos nos anos anteriores. Pretendo articular as narrativas orais daqui com um projeto de Língua Portuguesa que estou desenvolvendo com alunos do 5º ano e produzir um pequeno livro com essas maravilhas aida narradas pelos vovôs ou por adoradores de "causos populares". Se tiver algum será muito bem vindo. Quer me contar??? Mais uma vez Parabéns e um grande abraço. profª Ivonete. Bananal-SP.

Rita Elisa Seda disse...

Ivonete, querida fomentadora da cultura oral no Vale Histórico. Eu tenho sim, alguns causos em minha caixinha de segredos. É claro que posso contá-los, assim não serão mais segredos, afinal é através da oralidade que as estórias tornam-se fontes de cultura. Não consegui seu email. Mande um contato seu para rita@ritaelisaseda.com.br
Beijos, felicidades e a paz!