PALAVRAS DE SEDA

Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras. Palavras são como folhas de plátano soltas ao vento... em direção aos novos horizontes, voando irreverentes sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem... sempre a favor do vento.
Assim é o ato da escrita, deixar fluir palavras que, voando devagar, ao caírem, adubarão terras distantes.

















































































































segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

POEMAS PARA DITINHA

Ao mergulhar na obra O Pássaro da Escuridão fiquei com a alma impregnada de Eugênia Sereno, ou melhor, da Ditinha. Assim, na noite de 10 de maio, véspera de meu aniversário, sentada em minha cama, no aconchego das cobertas, de uma só vez escrevi vários poemas, numa catarse literária onde depurei meus sentimentos eugenianos. Enchi um caderno brochura.
Os que conhecem a obra O Pássaro da Escuridão vão me entender, os que estão lendo A Menina dos Vagalumes, também!
Coloco aqui alguns desses poemas. Com o passar do tempo irei postando outros nesse mesmo espaço.
Dei título apenas a um deles, quem quiser me enviar título para algum dos outros, ficarei agradecida.
Beijos, felicidades e a paz!

Rita Elisa Seda
Cronista, poeta, biógrafa, fotógrafa e jornalista.


REINOS DA PAZ
(intitulado por Norália de Mello)

A semente do goivo brotou,
cresceu à noite,
à sombra de pirilampos.
A haste rompeu a estratosfera,
as flores coloriram jardins.
De manhã a névoa
regava a planta encantada,
amiga das luzinhas verdejantes,
enquanto na casuarina,
que separa Mundos,
que colhe trevas na luz,
uma coruja anuncia
certa paz
que reina na sombra!

Rita Elisa Seda
10 de maio de 2010



PODER E MAGIA DAS PALAVRAS
(intitulado por Silvinha Oliveira)
SILÊNCIO DAS PALAVRAS
(intitulado por Norália de Mello)

As palavras anunciam
momentos e lugares.
Prenunciam coragem,
imortalizam vontades e
renovam o cotidiano.
O dom das palavras
em oratória constante
é como um sino que tine
chamando fiéis convictos
de estarem no caminho certo,
sem saber para onde vão,
deixam-se levar
pelo toque mágico das palavras.


Rita Elisa Seda
10 de Mao de 2010


TANTO SERENA QUANTO SEDA
(intitulado por Inajá M. de Almeida)
A PONTE
(intitulado por Norália de Mello)



Crio uma moldura
que eterniza a coragem.
Valorizando as pessoas,
com seus dons memoráveis.
Construindo uma ponte
entre hoje e o futuro,
onde os expectadores
refletirão como heróis,
em palcos líquidos
de angústia e medo.

Rita Elisa Seda
10 de maio de 2010



TERRA FÉRTIL
(intitulado por Norália de Mello)


Passeio no céu de meus pensamentos.
Algumas nuvens brancas obscurecem
as minhas vontades,
enquanto os cúmulus nimbus
rasgam o céu com trovões e raios
iluminando minhas lembranças
...de dor...
em flashes que apontam
caminhos e adubam a
terra fértil dos meus pensamentos.

Rita Elisa Seda
10 de maio de 2010


O SABOR DA INFÂNCIA
(intitulado por Silvinha Oliveira)

Lá vai a menina
de tranças pretas
presa em fitas azuis.
Ela quer brincar
no beco escuro do mundo mirim.
Ela quer ser criança...só!
Traz na mão uma caixinha
onde relampejam seus
amigos pirilampos.
Eles vão brincar com ela,
levá-la aos lugares comuns
onde crianças brincam de roda.
Eles vão brincar com ela,
levá-la aos lugares incomuns
onde Hades navega
à procura de Perséfone.
Parem essa menina...
não a deixem continuar,
Mostrem a ela outro caminho,
aquele... longe...
onde há um berço feito de palha
à beira do Sapucaí,
revestido da bruma suave do fim de tarde.

Rita Elisa Seda
10 de maio de 2010



LUZ NA ESCURIDÃO
(intitulado por Norália de Mello)



No começo a palavra se fez luz
e a cada letra escrita
as páginas iluminadas fugiam ao domínio
do lápis.
Criaram-se então... as páginas de escuridão.
Breu total, pretume, betume.
Só assim houve a escrita
como na criação do Verbo,
deixando pontos de luz
para inundar a escuridão!






Rita Elisa Seda
10 de maio de 2010



FECUNDANDO O VERBO
(intitulado por Norália de Mello)


A imagem cognitiva da mulher se faz –mãe!
Mas eu não posso ser mãe...
Sou estéril, ventre fraco,
Infecundo de grão.
Nessa procura eu fecundo as palavras com a luz,
Em um útero/livro onde
Vagalumes aquecem o feto.
Sinos pulsam o coração da criança,
Fecundada em noite de lua cheia,
Em quinta gestação de êxtases...
Só para contrariar
Aquela coruja que
Não se cansa de agourar
E sangrar minhas mãos!
Alimentei-a com ratos, cobras, lagartos e escorpiões.
Assim, quem sabe, ela me deixa parir em paz!



Rita Elisa Seda
10 de maio de 2010





RODEADA DE PALAVRAS
(intitulado por Silvinha Oliveira)
RETOCANDO OS DIAS
(intitulado por Norália de Mello)
Vocês não me entendem...
mas, para mim, basta:
- eu me entendo!
Me vejo nas palavras
que correm e escorrem
pela folha de um caderno.
Elas, assustadas, movem-se...
agrupadas ao pé da página,
pensam que me escapam.
Em um toque angelical eu as trago de volta,
as recoloco no lugar,
subordinadas ao meu
místico mundo,
onde as ruas são calçadas com palavras.




Rita Elisa Seda
10 de maio de 2010


ENCONTRO COM UTOPIAS
(intitulado por Norália de Mello)

O que busca encontrar
Na escuridão
Verá nas asas
De um pássaro.
O que procura no piado
Fúnebre de um pássaro,
Verá no mais profundo breu
Da convivência humana,
Onde a utopia mirim
Comunga com a realidade.
Enterrar um vaso de alabastro,
Plantar uma árvore,
Lavar o dia a dia
Com palavras ensaboadas de paixão.

Rita Elisa Seda
10 de maio de 2010


REENCONTRO
(intitulado por Norália de Mello)

No seu memorial, mamãe,
deixei todos pertences,
suas roupas mais belas,
seus sapatos coloridos,
seu vinho do Porto,
seu leite com nata,
seus móveis ingleses,
seus livros abertos,
seus manuscritos em folhas, e
seus retratos.
Passaram-se anos...
papai fez-se mortalha de memorial.
Deixei-o... deixei-me...
cruzo os braços!
Sou eu!


Rita Elisa Seda
10 de maio de 2010


PALMEIRAS
(intitulado por Norália de Mello)

As bruxas que me acompanham
trazem uma tesoura
como as parcas risonhas
que teimam em finalização,
cortam minhas palavras
sulcando o deserto da compaixão
que forjaram em meu coração.
Quero respirar,
ar de oásis.
Pelo menos isso...
Já não peço carinho, amizade, atenção...
só desejo viver,
Permita-me o ar,
tire-me da escuridão,
tire esse travesseiro de meu rosto,
meus pulmões querem ar,
meus cadernos querem palavras.
Minhas mãos sangram na procura,
de dias que nunca aconteceram .

Rita Elisa Seda
10 de maio de 2010



O TOQUE MÁGICO DA VIDA
(intitulado por Norália)

Com o tempo / ou /
Sem o tempo / e /
Tem mais tempo / um /
Valioso tempo!
Que não tem relógio,
Nem marcas,
Nem ponteiros,
Nem sinalizador,
Nem é digital...
Mas tem o toque mágico
Do Sol.




Rita Elisa Seda
10 de maio de 2010


TRAVESSIA
(intitulado por Norália de Mello)


Quando passarmos novamente
pela mesma ponte
eu te jogo no rio
que escorre em palavras
verbalizadas na lírica da valsa.
Antes,
vamos dançar e cantar,
até que eu deságue
em um oceano de paixão silenciada,
no atestado divino da infertilidade.
Sem som.
As teclas silenciam a dor.
Basta-me!




Rita Elisa Seda
10 de maio de 2010



EU SOU
(intitulado por Norália de Mello)

Vivo na eternidade
dos Portais Imperativos...
cruzei a fronteira!
Me vi apodrecendo em vermes,
sujos, nojentos, rompendo minha carne.
Nessa escuridão somente eu,
sem pássaros agourentos,
sem música em teclas de cristal.
só eu!
Sem o comando das palavrinhas,
sem a batuta para a orquestra,
sem o sabonete gasto...
Só vermes!
A barca passa, quero carona, quero dormir,
longe da margem do Sapucaí.
Viajo com Caronte,
ao solo dos Protestantes,
onde me oferecem
um óbulo pelos meus pensamentos,
que já nem os conheço, mais...
pois passei pelo rio do olvido.
Agora só! Esquecimento!
Já nem sei quem sou,
já nem sou,
já nem...
SOU!






Rita Elisa Seda
10 de maio de 2010




DESABAFO

LOUCURAS SONHADAS
(intitulado por Norália de Mello)


Se me esqueceram... se aprontem...
Ah!...
Cantei sonatas e despertei
Duas escritoras
Famintas de sonhos,
Querendo respostas
Lutando pelo des/agravo,
Querendo justiça.
‘Duas loucas’ – gritam uns!
‘Minhas amigas’ – digo EU!

E o livro veio,
No tempo certo
Conjugando amor e dor...
Como eu havia previsto.
Meus amigos luzeluzentes
Rodeiam as minhas meninas
Que anunciam seus amores
Pelas palavras que somam
Luz à escuridão,
Simples para elas,
Difíceis para outros,
Alegria para mim!





Rita Elisa Seda 
10 de maio de 2010


20 comentários:

Silvinh@ disse...

Rita Elisa, minha amiga!!!
Que delícia ler esses poemas!!! Nossa muito bom!!!
Infelizmente não conheço a obra: O Pássaro da Escuridão, mas, "A Menina dos Vagalumes", com certeza conhecerei, através do olhar, da sensibilidade de duas grandes escritoras: Rita Elisa Seda e Sonia Gabriel...
Hummmmmmmmmmmmmm...fiquei aqui lendo e relendo seus poemas...me deliciando, Rita Elisa rsrsrsrsr...
E, imaginando um nome para alguns com os quais me identifiquei... Como:
As palavras anunciam...
(Poder e Magia das Palavras)
Lá vai a menina de tranças pretas...
(O sabor da infância)
Vocês não me entendem...
(Envolta em Palavras)/( Rodeada de palavras)
Sabe Rita Elisa, acho que não levo jeito; mas...tentei...
Aí estão apenas algumas tentativas. Se servir, ótimo, caso contrário, deixe pra lá... rsrsrsrsrsrs
Enfim....É bom demais fazer parte do seu mundo de palavras...Me enriquece demais!!!
Beijos, forte e carinhoso abraço!!!
Silvinha

Antonio Machado disse...

Muito bom, belíssimos poemas!
Eu não li tudo, eles são muito intensos, condensados.
Acho que a riqueza compactada nesses textos dificulta a intitulação.
Como fazer um título síntese de um texto síntese?
Vou fazer outras visitas e ler mais.
Seus poemas tem que ser degustados.
Poesia verdadeira mexe com as emções e nos induz à reflexão. Parabéns!
Um abraço.

Inajá Martins de Almeida disse...

Rita minha querida caixinha de surpresa
Dia após dia venho acompanhando sua trajetória. Não faz muito pude encontrá-la. Será que você também não estava a me procurar? Penso que sim, pois as palavras nos aproximaram. A melodia dos versos nos levaram a esse encontro que, embora virtual, muito real. Sou bibliotecária, jamais me pensei escritora, poeta, cronista, contista, historiadora, biógrafa, mas... lendo, relendo, acompanhando seus passos, um desejo imenso, quem sabe até insano invade meu ser e me ponho a escrever vez ou outra e aqui estou. Maravilhosos seus versos. Há necessidade de títulos? Pensam que eles falam tanto de Serena quanto de Sêda. Um beijo.

Rita Elisa Seda disse...

Silvinha, querida amiga, já coloquei os títulos sugeridos por você, achei-os lindos. Obrigada pela atenção e carinho. Beijos, feicidades e a paz!

Rita Elisa Seda disse...

Querido Antônio Machado, realmente são consensados, cada palavra traz em si muitos significativos, pois, na verdade, eu estava 'comprimida' em 'escuridão, coruja, palavras, morte e luz' recolhidos intensamente na obra de Eugênia Sereno. Foi um alívio colocar tudo em forma de poesia, já que na obra A Menina dos Vagalumes eu não podia me colocar.
Felicidades e a paz!

Rita Elisa Seda disse...

Sim , Inajá, eu ainda estou em transe do achado, procuro sempre pessoas que saibam respeitar a integridade literária, e achei esse dom em você, penso que, talvez por ser biliotecária tenha uma alta gama de informações a esse respeito, mas também sei que há algo diferente em Inajá, você tem a magia das palavras impregnadas no seu cotidiano, por isso necessita da leitura e... da escrita. Você escreve crônicas e poemas com a singularidade de uma alma forjada de atenção às palavras. Vou aproveitar sua dica de "Tanto Serena quanto Seda" e colocar esse título em um dos poemas. Escreva... escreva muito, pois você é dotada desse poder!
Felicidades e a paz!

Silvinh@ disse...

Rita Elisa, Minha Amiga!
Obrigada por me incluir em seus poemas...rsrsrsrs
Nunca na minha vida, pensei ou imaginei fazer parte de algum poema, de uma escritora tão carismática, tão talentosa, como você, Rita Elisa!
Sinto-me muiiiiiiiiiiiito honrada! Puxa, que alegria!
Você é uma Pessoa Incrível, Rita Elisa! Como é bom ser sua Amiga! Como me faz bem sua Amizade!
Sinto um carinho imensurável por Você, e me Orgulho em falar: Rita Elisa é Minha Amiga, é Especial para mim!
Alegro-me com a sua presença, mesmo que virtual, no blog ou email.
O seu blog, como já te disse, faz parte do meu dia a dia; e às vezes "o seu silêncio”,ou “sua ausência”, por trabalho ou lazer, pois ninguém é de ferro, é fundamental para eu te admirar ainda mais. Pois volta a todo vapor, me surpreendendo, com novos artigos, poemas, crônicas, enfim...com palavras e mais palavras...Que delícia!
Sabe Rita Elisa, a Pessoa Especial é aquela que planta em nós o mais nobre dos sentimentos. E você tem esse dom; planta nas pessoas seus sentimentos, como plantou em mim. Não só plantou, como cultiva, cuida, rega, diariamente, com palavras, carinho, atenção,amizade...
Só tenho que agradecer a Deus, que na sua infinita bondade e sabedoria enviou-me a sua amizade como presente. E que presente!!!
"Que tudo na sua vida brilhe como vejo em suas fotos, em suas conquistas, através de seus trabalhos, projetos; seja maravilhoso como seu coração, que tem um lugarzinho reservado para cada pessoa que você encontra nos caminhos da vida, e Especial como Você."
Desejo ainda, que Você dê muitos passos e conquiste todos os seus objetivos, pois talento, dom, capacidade, vontade, para isso, não lhe falta.
Seja Feliz Sempre!!!
Que 2011 seja Repleto de Palavras, Crônicas, Artigos, Poemas, Livros, Amigos, Amor, Paz, Fé, Alegria, Sabedoria, Discernimento, Luz do Espírito Santo.Enfim...Cheiiiiinho de bênçãos!!!
Você por Ser Tão Especial, merece, Rita Elisa!!!
Conte Sempre Comigo, com Minha Amizade e Orações!!!

Silvinha

Anônimo disse...

Rita, maravilhosos poemas. Estou encantada.
Norália

Noralia disse...

Rita, não conheço Eugênia Sereno, mas os seus poemas estão maravilhosos. Me tocaram o coração e a alma, estou embebida de emoção.
Amei quando escreveu : mas (o tempo) tem o toque mágico/ do sol...
Parabéns por tão profundos poemas, com sábias palavras.
Abraços,
Norália

Inajá Martins de Almeida disse...

Rita minha tão amada e querida poetisa artesã das palavras.
Quisera você partilhasse agora o pulsar do meu coração ao ler suas palavras. Sei da sinceridade que emanam. Sinto-me um pouco Kappus ao escrever para seu tão amado poeta no início do século XX Rainer Maria Rilke - "Cartas a um jovem poeta" - e você a me orientar, a escrever... escrever... e escrever... A literatura acompanhou meus passos, desde tenra infância, passos de bibliotecária, mas, fora então na época da faculdade, que nossa grande mestra, recém falecida, dona Carminda levava-nos aos magistrais autores, dando-lhe vida singular. Gravitava eu seus universos; portava-me com zelo ante a magia das palavras, mas a técnica pelo tratamento e organização dos livros absorveram parte integral do meu tempo. Hoje, quero arriscar a pena - tenho feito paulatinamente. Sei minhas limitações. Agora encontrei você, "minha mola propulsora", que tem me dado palavras delicadas e sinceras de incentivo. Rita querida amiga, que tenhamos muitos momentos maravilhosos juntas, até o dia em que podermos nos abraçar livremente, o que faço agora através destas linhas.

Rita Elisa Seda disse...

Inajá, você aprendeu a tecnica de bibliotecária´... e aprendeu, também, a ser leitora assídua, com isso tem uma alta gama de informações técnicas e, as melhores, literárias. Sei, pelo que escreve, que você é uma caixinha de surpresas, conhece até mesmo o desconhecido para a maioria das pessoas. Eu amo Rainer Maria Rilke, escrevi o mês passado para o jornal Visão Vale a respeito do conceito que Rilke tinha de Deus. Só posso lhe dizer, querida amiga, escreva... sei que será lida e entendida. Beijos, felicidades e a paz!

Inajá Martins de Almeida disse...

Rita minha amada escritora. É de coração, não há como deixar de assim me expressar.Acima de tudo, amo a Deus que nos colocou no caminho. O encontro com Rainer foi magnífico. No mês de novembro fomos ao Sesc assistir interessante palestra de um professor local; como o tempo estava a nosso favor, dirigimo-nos a biblioteca - meu marido e eu. Tal não fora minha surpresa, um pequeno livro e uma frase que marcou o encontro "ser artista significa: não calcular nem contar; amadurecer como uma árvore que não apressa a sua seiva e permanece confiante durante a tempestade da primavera, sem o temor de que o verão não possa vir depois. Ele vem apesar de tudo". Realmente o ser bibliotecária, as vezes, nos leva a desbravar textos que nem ao menos imaginávamos. Confesso que desconhecia o autor, infelizmente, mas não me dei por rogada. Não pude retirar o livro - havia apenas um na biblioteca - mas incansável eu o busquei e o encontrei num sebo da cidade. Ele me é de cabeceira. Busquei saber de Rilke muito mais. Agora curiosa fiquei por seu texto. Queria muito poder conhecê-lo também, assim como obter mais informações desse brilhante autor, que segundo Otto Maria Carpeaux, "o poeta mais atual e permanente". Sim amo poesia sobremaneira, amo literatura, mas por muito tempo a técnica roubou-me o prazer de me aproximar com mais assiduidade. Agora estou a me permitir esses encontros e você tem me auxiliado em muito. Ademais, quero até plagiar o autor quando a dizer
"Gosto de saber que meus livros estão em suas mãos". Gosto, eu Inajá, aquele Rilke, saber que minhas palavras encontraram as suas. Obrigada Rita pelos retalhos amealhados e fortemente alinhavados. /

Rita Elisa Seda disse...

Inajá, querida amiga, procure o livro "Histórias de Deus" de Rainer Maria Rilke, sei que você vai gostar. São contos escritos por esse magnífico escritor nsacido em Praga. Geralmente as pessoas conhecem os poemas de Rilke e os contos ficam em segundo plano para seus leitores.
Inajá, nossos alinhavos literários nos aquecem pois costuram retalhos de livros que nos encheram a alma de alegrias. Beijos, felicidades e a paz!

Inajá Martins de Almeida disse...

Rita querida, grata pela indicação, já estou a procurar o livro de Rilke e sei que em breve o terei em mãos. Aliás quero o seu também. Já busquei por livrarias, mas como posso consegui-lo? Quero saber mais tanto de Serena quanto de Seda - grata pelo título encabeçando os versos. Aliás aquelas palavras contidas no poema me calaram muito forte, assim como a foto escolhida como ilustração para tais. Vou escrever a respeito um pouco mais. Um beijo e que você tenha 365 dias para grandes reflexões, grandes temas, grandes fotos... grandes... grandes... Que Deus a cubra de bençãos cada dia mais, para que você possa abençoar aqueles que aqui chegam e jamais saem de mãos vazias. Suas palavras, imagino-as sementes para quem as recebe, que germinam e florescem. A mim trazem alentos, esperança, consolo, conforto. Esta é minha percepção, quando leio o cuidado e esmero que você dedica a cada pessoa que ocupa este espaço. São realmente palavras de seda. Um beijo e até mais

Rita Elisa Seda disse...

Inajá, aprendi que os amigos são especiais, você se tornou amiga especial, mesmo que seja via Internet, veio a me provar que não é necessário vê-la pessoalmente pois criarmos uma harmonia de pensamentos, por isso nossa amizade é especial. Não é pelo seu porte físico (conheço apenas seu rosto pela foto do blog), seu jeito de falar (não conheço seu timbre de voz), sua maneira de se portar (nunca nos encontramos pessoalmente), MAS È SIM... pelo que você deixa aqui escrito, pela sua sensibilidade, pela nossa harmonia literária; e... posso lhe dizer que já a conheço em meu coração. Está aí algo que a Internet trouxe para nós e que quase ninguém comenta, pois os olhares ficam atentos para acontecimentos funestos, desencontros e atrocidades via Internet, sem mostrar as grandes amizades as quais são manifestadas e com o tempo fixadas em carinho e atenção nessa Enorme Teia Mundial WWW. Você é uma pessoa ímpar, o bom é saber disso, entender isso, só pelo fato de nos comunicarmos via Internet, é uma quebra de paradigmas a respeito da amizade. Desejo a você e toda sua família toda felicidade, amor, paz, saúde, literatura e prosperidade do mundo, regada de benção Divina.

Inajá Martins de Almeida disse...

Rita querida. Estas suas palavras tocaram profundamente minh’alma. Poderia ter respondido antes, mas pensei... refleti... degustei palavra por palavra. Quis que amadurecessem, tomassem corpo, forma e falassem um pouco mais de mim a você, que há tempo me é tão especial também. É desse sentimento que nasce não se sabe de onde, como caudaloso rio que em sua nascente se projeta humilde, mas que, ao passar dos dias, torna densas suas águas em rumo ao oceano. Almejo que possamos ser como esse rio que flui. O encontro somente fora possível, através de Cora Coralina raízes de Aninha – o livro. Depois, o primeiro contato – via galáxia internet - ávido por conhecer quem escrevia sobre aquela mulher impoluta, de traços e personalidade forte que marcara uma época. Etapa em que para a mulher restava apenas confeccionar almofadas e espalhá-las pela casa, adoçar a mesa com apetitosos doces, jamais as letras e as palavras, quanto mais disseminá-las através de jornais. Era esse encanto que nos aproximava e nos envolvia porque, sobretudo, a ela nos irmanávamos; em suas atitudes buscávamos referências... continua

Inajá Martins de Almeida disse...

Continuação...
Era Aninha que quebrava paradigmas e alcançava nossa modernidade, quando também nos permitimos romper pré-conceitos, através da velocidade que o tempo nos imputa, através de novas tecnologias, quando então podemos, livremente, expor nossos pensamentos, nossas fotos gritando a pulmões cheios que é possível criar um ambiente real, no virtual.
A rede pode gerar essa teia e abreviar distâncias.
Ainda que aclamada por uns, rechaçadas por tantos, podemos entender que essa tecnologia de massa tanto pode levar ao luxo quanto ao lixo, à abelha quanto ao pernilongo, basta atentarmos aos caminhos – é bom e necessário que haja joio em meio ao trigo. Contudo, posso lhe afirmar, categoricamente, que sou feliz por saber que nos envolvemos em harmoniosos traços e que, dia-após-dia estamos a compor nossa sinfonia literária a quatro mãos. Que conseguimos olhar com olhos invisíveis e perceber o quanto se lê com o coração e, sobretudo, como escreve Mario Sergio Cortella - http://retalhosdeleituras.blogspot.com/2011/01/qual-e-tua-obra.html - recém por mim postado que:
“Num mundo que muda com velocidade, se eu não olhar o outro como fonte de conhecimento para mim, independentemente de onde ele veio, de como ele faz, do modo como ele atua, eu perco uma grande chance de renovação".
Porque
"O outro me renova, nós nos renovamos".
Grata pelas palavras sinceras de amizade e pelos anos vindouros que nos serão muito profícuos.
Um beijo terno desta que lhe quer tão bem.
Inajá

Rita Elisa Seda disse...

Inajá, não podemos perder essa fonte de renovação, essa maneira sincera de ver a vida através das palavras dos amigos. A força dessa Teia Mundial está em conectar pensamentos, escrevê-los, lê-los e comentá-los, na perícia de olhares que vêm do coração. Leio e releio tudo que você e minhas amigas escrevem aqui no blog, é como estar em uma sítio, sentadas à beira de um fogão a lenha, tomando um café, comendo pão de quijo e contando causos e mais causos lidos e vividos. Um dia faremos isso fisicamente, por enquanto... só da maneira virtual. Beijos, felicidades e a paz!

Inajá Martins de Almeida disse...

Rita, minha amiga
Já posso nos ver saboreando um delicioso pão de queijo - que diga-se de passagem adoro - um café bem quentinho regados a prosas que, com toda certeza, poderão recolher retalhos e alinhavá-los em belas colchas literárias.
Augusto Cury, em palestra proferida ano passado, aqui em São Carlos, como você poderá conferir através deste meu blog, cujo link transcrevo http://saocarlosemimagens.blogspot.com/2010/08/augusto-cury-palestra-sao-carlos.html disse que:
"Somos uma espécie que constrói história; o homo sapiens é único que pode trazer o passado para o presente, não de forma concreta, mas no virtual... não só resgatamos o passado, mas nos antecipamos ao futuro..." (sob anotações desta que escreve).
Portanto, nosso virtual é real quando passamos a registrá-lo em palavras nessa teia global.
Um abraço e obrigada sempre. Aliás, se você quiser passear pelo blog saocarlosemimagens.blogspot.com poderá ver imagens - que eu meu marido registramos em nosso cotidiano. Outro ponto que nos irmana - também gostamos muito de fotografias.
Um beijo, muita felicidade e paz

SONYA MELLO disse...

Rita, seus poemas são leves, doces, nos obrigam a parar, nos permitem viajar... Se ainda não tivessem sido tão bem "batizados", e os chamaria de "Sob os olhos de Rita Elisa"! Parabéns! Estou lendo aos poucos. Dá vontade de copiar e montar um livro e ir relendo... relendo... relendo...