PALAVRAS DE SEDA

Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras. Palavras são como folhas de plátano soltas ao vento... em direção aos novos horizontes, voando irreverentes sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem... sempre a favor do vento.
Assim é o ato da escrita, deixar fluir palavras que, voando devagar, ao caírem, adubarão terras distantes.

















































































































domingo, 8 de maio de 2011

FOTOPOEMAS

Há 15 anos eu comecei a fotografar com uma máquina digital, uma QV Link que veio da Alemanha, com poucos recursos, mas era mesmo incrível para a época.


 
Fiquei fascinada pela nova tecnologia. Fiz minhas experiências fotográficas, inovei. Fiz o curso de Photoshop – primeira versão – só para aprender a ‘revelar’ as fotos e, a novidade, interferir na imagem como queria. Um novo mundo de possibilidades se abriu para minha arte. Sou amante da literatura e a primeira experiência que fiz dei o nome de 'foto-poema'. Sim... foi algo que renovou meu olhar poético.
Tanto que em 1997, fui convidada para participar do grupo NEOFOTO – da Fundação Cultural Cassiano Ricardo – onde sempre me reunia com amigos fotógrafos. Alguns seguem a carreira de fotógrafo até hoje: Keiny Andrade (premiado mundialmente), André Nieto (superou uma cirurgia cerebral, venceu, um dos itens que o ajudou foi seu amor à fotografia). Outros seguiram por outro caminho... como a minha querida amiga Milena! Esta semana passei em frente à sala do NEOFOTO, lugar reservado aos fotógrafos, onde há um laboratório de elevado índice, já que foi doado pela Kodak do Brasil (época do Ibraim...) que mantinha uma enorme fábrica em São José dos Campos. A Kodak nos deu respaldo em muitas atividades fotográficas, saíamos pela cidade, pela região e fora do estado, em busca da foto ideal. Época maravilhosa.
Voltando... passei em frente de nossa magnífica sala e constatei que ela já não é usada por fotógrafos, ela é usada pelos músicos ( pelo menos no horário que passei por lá). Não quero acreditar que a fotografia analógica está desfalcada de fotógrafos, equipamentos e laboratórios. Registrar em película e revelar a foto é uma arte que não tem preço... espero que me compreenda!


 





(gosto muito desta fotografia porque o fotógrafo é um artista, só posso estar falando do Lucas Lacaz Ruiz, que para me fotografar fez questão de que tivesse música, me deitou no chão e me fez uma mortalha com todos os meus fotopoemas, subiu em uma mesa e clicou) 

Na fotografia digital fui uma das pioneiras aqui em SJCampos, pois logo em 1997 fiz uma exposição de fotos digitais onde unia a foto com o poema - São José dos Campos: o Horizonte estava perto! Primeiro trabalhei visualmente o poema A flauta que me roubaram, poema este que enaltece a cidade, pois é a visão lúdica do poeta maior desta linda São José dos Campos... Cassiano Ricardo! A exposição foi um sucesso, lembro-me bem que a TV Globo-Vanguarda, me convidou para uma matéria no local e, uma das observações que o ‘cameraman’ fez : ‘isto aqui não pode ser foto digital... está perfeito demais’. Fiz amizade com ele, o Fernando , de tanto que conversamos a respeito da fotografia digital, tive até de ir buscar minha câmera para ele ver. Foi difícil finalizar as fotografias dessa exposição, não por causa do Photoshp (ele só me deu alegrias), mas porque eu não encontrava o papel (glossy paper) para a impressão e ainda mais... não tinha uma boa impressora. Bem, quando a gente entra na chuva é para se molhar. Fiz contato com fábricas de papel fotográfico para máquinas digitais do EUA. Uma delas me enviou pelo Correio uma caixa desses papéis que, na época, eram caríssimos. Depois tive de adquirir uma impressora nova, pois a minha era matricial. Comprei uma jato de tinta, excelente. Pronto!... imprimi as fotografias, emoldurei e... a exposição foi um sucesso.


Incrível que depois de 14 anos essas fotografias impressas estão ótimas, como se acabassem de serem feitas. Já não posso dizer o mesmo dos arquivos digitais. Primeiro devo dizer que a extensão da época já eram: GIF, JPG e TIFF; as fotografias foram salvas em disquete (para a moçada nova que não sabe o que é isto: disquete era, ou ainda é... um disco de mídia magnética removível, para armazenamento de dados), que hoje é meio difícil de abrir, mas como sou ‘turrona’ naquilo que quero, arrumei um jeito de copiar esses dados em um pendrive.

Digo a voce que fiquei impressionada, alguns arquivos abriram facilmente, os do ano 2000, outros nem aparecem o ícone para acesso, e a grande maioria dos que eu abri perderam suas definições, são pontos agrupados, disformes. Será que isso acontecerá com nossas fotografias guardadas em CD, DVD, HD externa, Pendives e outras coisas mais; em um futuro distante ou não tão distante assim?! 


(fotopoema exclusiva para uma de minhas exposições, feita pelo poeta Paulo Núbile - o poeta se foi... o poema ficou!)

Desde que registrei esta experiência fotográfica eu tenho uma norma: para não perder as fotografias que tanto gosto eu as imprimo em papel especial. Tem um porém... quando as imprimo eu faço uso de um spray fixador, usei-os nessa exposição em 1997 e, por via das dúvidas, não sabendo se pode ser por este motivo que estão conservadas até hoje, eu uso novamente.

(Keiny amigo fotógrafo/poeta, tem premiação internacional por suas fabulosas fotografias feitas na Europa, este é um fotopoema integrante de uma de minhas primeiras exposições)


Estou colocando aqui um pouco de minhas experiências com a fotografia digital porque, creio que vivências compartilhadas são pontes para um mundo melhor. Ainda mais o mundo dos fotógrafos.
Hoje não me considero uma fotógrafa profissional, já trabalhei e, muito, nesta profissão (Josino e Neusa que o digam), fotografei escolinhas, formaturas, primeiras comunhão, casamentos, festas de aniversário, bodas, batismos, ordenações sacerdotais, comemorações natalinas, e muito mais, nos estados de São Paulo, Minas e Goiás. Fiz exposições também em todos esses estados, a ultima foi no FICA em Goiás. Sempre me dei ao luxo de fotografar pelo amor à arte.


Alguns não me compreendiam, já fui expulsa de casamentos onde, na hora das alianças, eu deitava embaixo do padre, noivo e noiva para registrar uma fotografia com outro ângulo, mas, em todos álbuns que fiz há fotos diferenciadas, inclusive com o recém marido saindo da igreja com a esposa nos braços, ou das daminhas fazendo ondas esvoaçantes do enorme véu da noiva na hora da entrada. Fiz muitas fotos em tom magenta com detalhes pintados à mão. Amo tudo isso. Até mesmo quando recolho uma colheita que vem do mar para minha mão, com a outra... tiro uma foto.


Tenho sempre em prontidão em minha sala, em um tripé bem direcionado, minha máquina para registrar o meu entorno, ainda mais em dia de tempestade, ou noite de lua cheia.



(eu dedico esta foto aos alunos da Escola COC de Araraquara que tanto me fizeram fotografar a Lua por esses dias... esta foto foi há pouco tempo!)

Para você ter uma idéia já voei de paraglider, já fiquei em cima da caixa d´água do prédio onde moro, já enfrentei cobras, cachorros e até mesmo uma vaquinha para fazer um bom registro. Também já fiquei com os Sem Terra, com os Carajás, participei no Mato Grosso de pesca com celibrim, acompanhei caçadores de onça  (também aqui fui expulsa... um dia coloco aqui todas minhas aventuras), registrei durante três anos os animais atropelados na rodovia que liga Goiás a Faina, bem... são muitas fotografias e aventuras. Pensava em fazer um blog para colocar essas fotografias, mas isso está me parecendo impossível porque não tenho tempo.

 (São Luiz do Paraitinga logo após a enchente do dia 02 de janeiro de 2010)

 Aos poucos vou colocando aqui, entre as Palavras de Seda, algumas Fotografias de Seda. Espero que gostem! Meu amor por esta arte continua o mesmo.





Felicidades e a paz!

Rita Elisa Seda
Cronista, poeta, biógrafa, fotógrafa, pesquisadora.

7 comentários:

Lu Saharov disse...

Oi amiga!
Lindas fotos, lindos poemas! Deus te presenteou com talento beleza e sensibilidade! Feliz dia das mães! beijos!
Lud

Silvinh@ disse...

Ritelisa, minha amiga-irmã!!!
Magnífico!!!! A cada dia conheço e passo a admirá-la mais e mais, pelos seus talentos, por sua sensibilidade, pela pessoa que você é!!!
MARAVILHOSO!!!!! Às vezes fico a pensar...mereço ter a amizade de alguém tão especial, como Ritelisa???
É Bênção, é graça demais!!!
Fico muito feliz com cada face sua Ritelisa...Sei que você gosta de fotos, mas...agora sei que sua paixão pela fotografia é tão grande qaunto pela literatura, Ritelisa...
A fotografia e a literatura, estão muito ligadas!!!Uma complementa a outra!!!kkkkk
Puxa...que gostoso fazer parte do seu mundo, de sua vida, de seus trabalhos...Obrigada por partilhar conosco seus sentimentos!!! Amo muito tudo isso!!!
OBRIGADA PELA FOTO DEDICADA AOS MEUS ALUNOS DO COC!!!
Fico feliz em saber que meus alunos foram inspiração para você, amiga!!! Foto magnífica!!!
Obrigada por tudo!!! Só tenho que agradecer e muito a Deus, por esta oportunidade!!!

Beijos, forte e carinhoso abraço!!!

Sua sempre amiga-irmã,

Silvinha

Rita Elisa Seda disse...

Oi Ludmila, querida poeta, Deus nos presenteou com esses dons. Você tem talento, beleza e sensibilidade. Feliz dia das Mães para você! Felicidades e a paz!

Rita Elisa Seda disse...

SIlvinha, eu fotografei muitoooooo a Lua estes dias só por causa da magia que seus alunos me passaram pelo blog, a visão lúdica deles é maravilhosa e me fez ter olhos de criança. Beijos, felicidades e a paz!

norália disse...

Olhos de criança? Sim, de criança poeta... belas fotos, belas luas... e sonhos... Parabéns, dona fotógrafa, maravilhoso trabalho, registrando belezas em que as palavras faltam, se complementando...
Parabéns.
Felicidades.
Norália

Rita Elisa Seda disse...

Norália, querida poeta, eu amo fotografar, faz parte de minha alma esta arte, é algo que me completa. Beijos, felicidades e a paz!

Aline Negosseki disse...

Nossa Rita!
Quantíssimas aventuras!
Eu tmb sempre amei fotografar e tenho receio que as minhas fotos sumam. Já perdi um HD com 10 gigas de foto...
A arte é vasta e sua coragem é incrível para dar vasão ao talento. Fiquei imaginando vc num casamento fazendo estripulia para fotografar rsrsr...
Adorei o relato "histórico" dos primórdios da foto digital. A primeira vez que vi uma digital foi em 1999 e achei moderníssimo. Tenho a foto que me deram até hoje, mas foi impressa em off-set e ainda está perfeita.. mas os asquivos estão perdidos.
Amei sua obstinação.

*eu já visitei a Kodak e a cada vez acho estranho que não tenha te conhecido qndo SJC era meu lar.

bj
Aline