PALAVRAS DE SEDA

Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras. Palavras são como folhas de plátano soltas ao vento... em direção aos novos horizontes, voando irreverentes sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem... sempre a favor do vento.
Assim é o ato da escrita, deixar fluir palavras que, voando devagar, ao caírem, adubarão terras distantes.

















































































































sexta-feira, 28 de outubro de 2011

RECIFE - BAOBÁ



Fui abraçar e beijar os velhos (mais de 300 anos) Baobás de Recife!











Baobá

Semira Adler Vainsencher
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco


O baobá é uma árvore de grande porte, proveniente das estepes africanas e regiões semi-áridas de Madagascar, estando presente, ainda, no continente australiano. Essa planta foi amplamente divulgada no século XX, através da obra O Pequeno Príncipe, do escritor francês Antoine de Saint-Exupery. Seu personagem principal se preocupava com o crescimento excessivo do baobá, temendo que ele tomasse todo o espaço existente em seu asteróide.

O baobá possui um tronco muito espesso na base, chegando a atingir nove metros de diâmetro. O seu tronco é peculiar: vai se estreitando em forma de cone e evidenciando grandes protuberâncias. As folhas brotam entre os meses de julho e janeiro, mas, se a árvore conseguir ficar umedecida, elas podem se manter firmes durante todo o ano. Em geral, o baobá floresce durante uma única noite, apenas, e isto ocorre no período de maio a agosto. Durante as poucas horas em que as flores permanecem abertas, os consumidores de néctares noturnos – particularmente, os morcegos -, asseguram a polinização da planta.

Esse colosso vegetal pode atingir trinta metros de altura e possui a capacidade de armazenar, em seu caule gigante, até 120.000 litros de água. Por tal razão é denominada "árvore garrafa". No Senegal, o baobá é sagrado, sendo utilizado como fonte de inspiração para lendas, ritos e poesias. Segundo uma antiga lenda africana, se um morto for sepultado dentro de um baobá, sua alma irá viver enquanto a planta existir. E o baobá tem uma vida muito longa: vive entre um e seis mil anos. Em se tratando das espécies vegetais, somente a seqüoia - uma conífera de grande porte, originária da Califórnia (EUA), que chega a medir doze metros de diâmetro, alcançar uma altura de cento e cinqüenta metros e viver mais de quatro mil anos -, e o cedro japonês - uma outra conífera do gênero - podem competir com a longevidade do baobá.

Essa árvore mítica e solitária da savana africana faz parte da família dasbombacáceas (palavra derivada de bomba, uma linguagem falada e oficializada na Guiné Equatorial). Esse nome, contudo, muda de acordo com a língua de cada país. Em Angola e Moçambique, o baobá se chama imbondeiro; e, na Guiné-Bissau, denomina-se pólon.

Em 1444, conduzidos por Gomes Piers, os navegantes portugueses chegaram à ilha africana de Gorée (pertencente hoje ao Senegal) e permaneceram no local até 1595, período em que a ilha se tornou propriedade dos holandeses. Os navegantes registraram que, lá, ainda se podia apreciar o brasão de Dom Henrique gravado em árvores. Por sua vez, na metade do século XV, o cronista Gomes de Eanes Zurara assim descreveu as árvores encontradas, na obra Chronica dos Feitos de Guiné (Lisboa, 1453):

Árvores muito grandes e de aparência estranha; entre elas, algumas tinham desenvolvido um cinturão de 108 palmos a seu pé (ao redor 25 metros). O tronco de um baobá não mais alto do que o tronco de uma árvore de noz; rende uma fibra forte usada para cordas e pano; queima da mesma maneira como linho. Tem um grande fruta lenhosa como abóbora cujas sementes são do tamanho de avelãs; pessoas locais comem a fruta quando verde, secam as sementes e armazenam uma grande quantidade delas.  

Antes do Descobrimento, o baobá não pertencia à flora brasileira. A hipótese mais plausível, visando explicar a sua existência em Pernambuco, é a de que tenha sido trazido no século XVII, pelo conde Maurício de Nassau, durante a ocupação holandesa, para fazer parte de seu jardim botânico privado (que foi construído próximo à atual Praça da República). Uma segunda versão, porém, credita a presença do baobá às aves migratórias, que teriam trazido consigo as suas sementes. E Câmara Cascudo considerou uma terceira possibilidade: a de que os sacerdotes africanos trouxeram as sementes da África e plantaram-nas em locais específicos, no país, para o culto de suas religiões. Vale lembrar que os praticantes do candomblé consideram o baobá uma árvore sagrada, e dizem que não se deve cortá-la ou arrancá-la.
Na capital de Pernambuco, os raros baobás que resistiram ao desmatamento e à depredação ambientais, foram tombados pela Prefeitura da Cidade e pelo Ibama, em 1986. No Recife, essas árvores podem ser apreciadas na Praça da República (em frente ao Palácio do Governo); na Praça da Sudene (no bairro de Santo Amaro); na rua Coronel Urbano Ribeiro Sena (no bairro do Fundão); na rua Madre Loiola (em Ponte d’Uchôa); e no Poço da Panela (nos terrenos limítrofes de duas casas que se situam, respectivamente, nas ruas Professor Edgar Altino e Bandeira de Melo).

Fora da Região Metropolitana do Recife, também são poucos os baobás que escaparam da destruição. Contados nos dedos, eles podem ser observados no Engenho Poço Comprido (em Vicência); na área do Complexo Portuário de Suape (no município do Cabo); na Usina Ariepibu (em Ribeirão); no Sítio Capivarinha (em Sanharó); na Fazenda Pitombeiras (em Serra Talhada); no município de Tacaratu; na praia de Porto de Galinhas e na Vila de Nossa Senhora do Ó (ambos no município de Ipojuca). Nessa Vila, existe um baobá com quinze metros de diâmetro e mais de trezentos e cinqüenta anos de existência.

Um comentário:

Renato Dantas disse...

Todos os Baobás visitados agradecem seu carinho.