PALAVRAS DE SEDA

Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras. Palavras são como folhas de plátano soltas ao vento... em direção aos novos horizontes, voando irreverentes sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem... sempre a favor do vento.
Assim é o ato da escrita, deixar fluir palavras que, voando devagar, ao caírem, adubarão terras distantes.

















































































































domingo, 6 de junho de 2010

ENCONTRO DE AMIGOS EM JACAREÌ

 



Há anos convivo com as palavras dos amigos de Jacareí. No sábado, dia 05 de junho, estive com alguns deles no Museu de Antropologia. Uma tarde rica em palavras escritas e verbalizadas, momentos descontraídos onde encontrávamos uma resposta para as divagações constantes para os artistas que estão inquietos nesse mundo globalizado. Pensamos, paramos, refletimos, questionamos e nos colocamos. Estamos gestando idéias. Daqui alguns dias, semanas ou meses elas irão eclodir... e fiquem certos de que coisas novas surgirão!




Foi no clima de alegria e amizade que Carlos Guedes leu sua crítica à escritora Rita Elisa. Fiquei emocionada. Sendo ele um crítico de gabarito nacional, soube ver em cada crônica e poema o timbre forte da fotógrafa. É claro que pedi o manuscrito para mim, um deleite para meus olhos.





A crítica publico aqui e a alegria passo para vocês em fotografias onde consta o registro de Marilda Carvalho (atriz que maravilhosamente encena o monólogo ' A Pedra e O Lago' da poeta e cronista Ludmila Saharovsky) que nos agraciou com a performance de um fragmento dessa linda peça; Fred Albano que declamou o poema onde se mostra Fred e, também, A Porta de Vinícius de Moraes; Djalma que leu dois poemas de sua autoria, lindíssimos, dignos de uma taça de vinho; e Guedes que com sua sapiência alinhavou nossos questionamentos dando-nos suporte para uma procura exteriorizada das questões atuais relevantes à cultura.




Rita Elisa é um poliedro de atividades que se cruzam pelas veredas da linguagem. Uma atividade quase febril de total dedicação em cruzar os limites da crônica, da poesia e da biografia, a linguagem constituída em ramagens de primaveras, edificada em raro momento em que passado e presente vão se entrecruzando. Reivindicando uma caminhada de encontros e palavras, em busca de significados agita-se diante de um mundo subjetivo com o olhar de uma fotógrafa enquadrando todas as cores numa rua formada de ipês amarelos, é a vida em sua totalidade. O artefato de lançar pipas ao vento dos sonhos, tornando a memória aliada dos sons apenas indagando pela natureza, invisíveis ao sentido, é o agitar de folhas, o despencar dos frutos e a odisséia de sementes fecundadas de alegria.



É no dentro das palavras que sinto as emoções ressurgirem transformadas por essa visão subjetiva, estruturadas dentro dos sonhos, as palavras realçadas e cerzidas por mãos determinadas a decifrar o mistério da existência, o desafio dos encontros, o doar-se para a construção plena, o deslizar do pensamento para dentro dos sonhos. A palavra é sugerida como passaporte para paisagens pintadas com tintas de rara emoção e sensibilidade, o que torna a poesia, a crônica, um grande manifesto expressivo de emoções até então adormecidos, sua obra traz essa convivência com a ternura, o cotidiano jogado para dentro das emoções, o carinho do ninar palavras e adormecê-las dentro do coração, é o cruzar de uma visão lenta e precisa e jogando para dentro de uma ternura universal, o aprendizado da transformação, a metamorfose das lembranças revelando o cheiro doce do passado e o sabor das palavras.


A poeta Rita Elisa traz o jogo universal de encontros e perdas, destranca a porta da alma e escapa minuciosamente para fora, desvendando a luz do sol, colhendo com suas mãos o calor da claridade que viram palavras e perdem-se no céu azul dos sonhos. Rita é esta poeta determinada a refazer a vida pela escrita, sua matéria transformadora é a realidade fixada no tempo, pois com sua criação literária, torna-se atemporal e estabelece a precisão de criar lirismo, fantasias e sonhos coloridos sobre o tempo que exige estas precisas transformações.

Carlos Bueno Guedes
Poeta e crítico literário
Jacareí – SP

4 comentários:

JPM disse...

Olá,
Sempre é confortável estar com os amigos e ótimo receber elogios.
Saúde e felicidade.
JPMetz

Mistérios do Vale disse...

Ele foi extremamente feliz em suas palavras. Parabéns, Rita.
Paz e bem! E esteja bem...
Sônia GAbriel

Lu Saharov disse...

Guedes conseguiu pegar "na veia" dessa moça tão talentosa que é Rita Elisa. Pura emoção, seu texto e as críticas de Guedes. Abraços dessa fã da seda de suas palavras. Ludmila

Fred Albano disse...

Amo poesia