A vida de Jean Henri Dunant foi estranha, criança sensível, filho de pais abastados e piedosos em Genebra; gostava de ler e observar a natureza. Quando jovem orientava grupo de discussões sérias e criou um grupo para ler bons livros aos prisioneiros, na prisão da cidade. Escrevia muitas cartas para jovens de outros países, os convidando para terem vidas religiosas, organizarem grupos de debates e trabalhar em prol ao bem-estar social.
Colocou em
sua mala seus ternos brancos, vestimenta do norte da África, e seguiu para
Paris. Antes passou por Genebra, para ver seus pais, aproveitou e escreveu um
livro biográfico a respeito de Napoleão III, imperador a quem ele teria de pedir a permissão
para a canalização da água.
Soube que Napoleão III estava em batalha na região de Castiglione, Itália. Alugou
uma carruagem e chegou perto da aldeia. Do alto da encosta de um morro, Dunant,
durante 15 horas, em um dia escaldante de junho, assistiu de binóculos a
batalha de Solferino. Finalmente, ao cair da noite, as tropas austríacas se
retiraram. As tropas francesas e italianas tinham vencido, mas 40 mil homens de
ambos os lados jaziam mortos junto com outros milhares de feridos no campo de
batalha. 
Henri Dunant, homem de negócios, esperto, ficou horrorizado, esqueceu dos motivos que o tinham levado à Itália e vencendo sua repugnância natural, entrou em ação: cortava as roupas imundas dos soldados e preparava as feridas pestilentas para a atenção dos poucos médicos presentes; escrevia cartas para os moribundos; pronunciava palavras de conforto para os que agonizavam.
Cuidou com responsabilidade pessoal, dia e noite sem parar, de 500 feridos que foram colocados em uma igreja. Inclusive custeando de seu próprio bolso a compra de remédios e alimentação. Convocou turistas para ajuda humanitária, pediu a soltura de médicos austríacos que estavam presos para que eles ajudassem a cuidar dos enfermos. Só depois da morte ou transferência de todos os soldados feridos é que Dunant voltou para a Suíça.
Ficou três anos em agonia mental e, então, resolveu limpar suas ideias; escreveu o famoso livro: Recordações de Solferino. Nele Dunant descreve toda batalha, a tristeza dos feridos não terem local adequado para serem atendidos e a penúria dos equipamentos médicos, assim como a falta de médicos e enfermeiras. Enfatiza no livro que os profissionais de medicina deviam ter um estado neutro. E que soldados feridos não eram inimigos e, sim, seres humanos necessitados de ajuda.

Imprimiu o
livro às suas custas e o distribuiu para pessoas influentes na Europa, África e América. Na terceira edição, Dunant, apresentou a
proposta de que deveria haver uma sociedade de assistência para prestar
auxílio, também, em tempo de paz, no caso de inundações, incêndios e outras
catástrofes. Ele despertou os povos de todo o mundo para essa consciência.
Quatro amigos dele o apoiaram e criaram a comissão dos cinco, a Comissão de Genebra.
Dunant se entusiasmou na conferencia internacional de Berlim e foi além do que combinou com a Comissão dos cinco de Genebra; distribuiu panfletos e fez passar uma circular que solicitava a neutralidade para todos que auxiliassem os feridos em tempo de guerra ou catástrofe. Seus quatro amigos da Comissão de Genebra, especialmente o advogado conservador Moynier, ficaram ofendidos e zangados por Dunant ter tomado medidas sem consulta-los. Rompeu-se a comissão.

Daí aconteceu uma perturbação financeira em Genebra, o dinheiro foi retirado dos bancos e das casas bancárias. Dunant que em 40 anos de vida jamais teve preocupações financeiras, se viu na ruína, falido. A situação era grave, pois em Genebra a falência era considerada humilhante e escandalosa, chegou a custar a cidadania. Dunant foi banido de sua cidade natal, não era mais bem-vindo em casa de amigos e os membros de sua família o evitavam.
Ficou magoado, o espírito sensível de Dunant sofreu uma horrível agonia. Considerou sua desgraça financeira como uma catástrofe devastadora. Aceitou seu destino de pobreza, demitiu-se do cargo de secretário da Cruz Vermelha Internacional e partiu para Paris.
Durante três anos ele viveu precariamente. Tentou dar aulas, imprimir, traduzir e fazer conferências, mas fora-lhe negado todos os direitos. A medida que seus poucos recursos acabavam, teve de viver nas ruas. Passava as noites nos bancos das estações de ferro e tinha para seu alimento apenas uma xícara de café. Empenhou sua corrente de relógio para comprar um par de sapatos. Para matar sua fome, roía de vez em quando, um pão velho que levava no bolso.
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